27 janeiro 2012
11 setembro 2011
a arquitectura dos movimentos

a arquitectura dos movimentos, a fluidez dos corpos, a sensualidade da pele
as formas intensamente simples. a imensidão de Wim Wenders e a sensação de que quando alguém nos toca no pulso, as nuvens ficam imóveis.
esmagante. obrigatório.
04 setembro 2011
day after
acordei com uma enorme sensação de felicidade e com a noção que será um desafio de humildade, conseguir passar a experiência na próxima Saída de Emergência da Vogue.
'e é no silêncio do céu que se escuta o imenso grito patético de orgulho e de fé que ela eleva na direcção das nuvens'.
03 setembro 2011
26 julho 2011
unLimiteless
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25 julho 2011
'I told you I was trouble'
'Dear miss Winehouse,
Quando me contaram que tinhas sido internada outra vez, imaginei-te com um cachimbo de crack e um copo de gin, envolta numa nuvem cocainómana. Depois soube que tinha sido apenas um tropeção que resultou num corte acima do olho e num problema com as tuas novas mamas de cirurgia plástica. Não te escrevo como amigo (não nos conhecemos), nem como paizinho, aliás, dizes na canção “Rehab” que se o teu pai acha que estás bem não precisas de ser internada. Eu até concordo com o comediante Bill Hicks, que disse: “As drogas já nos deram muitas coisas boas. Se não acreditam, peguem nos vossos cds e queimem-nos, porque as pessoas que fizeram essas grandes músicas, que melhoraram as vossas vidas, estavam bastante drogadas.” Nem sequer estou preocupado que os miúdos se ponham a fumar cocaína por causa de ti – as pessoas não precisam de ídolos para se drogar, drogam-se porque querem. Mas fico aflito sempre que vejo que a droga raptou um ser humano e o substituiu por um farrapo de gente – acredita em mim, morreu-me um tio por causa da heroína. Não te peço que deixes para todo o sempre o copo de Tanqueray e alguma maluqueira tóxica. Mas ouve as palavras de outro comediante, Georghttp://www.blogger.com/img/blank.gife Carlin, cujo génio sobreviveu aos excessos: “As drogas podem ser maravilhosas, mas à medida que as consumimos, a parte do prazer diminui e aumenta a dor. Passa a ser apenas dor.” O que te quero dizer é: põe-te boa dessas costelas doridas e termina o disco que começaste a gravar. Depois, sim, podes festejar. Estraga-te um bocadinho mas, por favor, não te estragues para sempre'.
publicado na tristemente desaparecida crónica do I de Hugo Gonçalves em Julho de 2010.
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23 junho 2011
25 março 2011
I still beleive in magic
depois de tudo,
o amigo escritor diz que depois da metamorfose nasce uma borboleta.
06 fevereiro 2011
'keep breathing'

e diante das flores brancas que insistem em não morrer, nas minhas mãos mais puras e na distância do teu abraço mais certo,
afinal,
não sei que tempo duram as frésias
a rendição de um corpo
é sempre tão inesperada.
22 novembro 2010
dizias tu do vento?
o que quer que seja
que nos move enquanto a vida nos atravessa,
e enquanto me preparo para abandonar por momentos esta cidade, retenho-me nas palavras.
talvez fosse o dia.
o dia perfeito, em que de mãos abertas no Rossio te entregaria esta mensagem.
25 setembro 2010
no elevado sentido de existência

não me surpreendo. mesmo sentindo-me sempre magnânima entre as cidades é ligada à natureza que limpo 'a morte dos dias'. e enquanto esgravato a terra das Beiras, não apenas com as pontas dos dedos, mas com as mãos abertas - ligada ao universo - sinto a morada onde tudo começa. a humidade escorre-me entre os dedos e o aroma impossível em cidades atlânticas, estende-me a certeza do tão elevado sentido de existência.
hoje, 'tudo me prende à terra onde me dei'.
10 setembro 2010
mais elevações Nespresso

numa fuga de fim-de-semana onde espero fundir-me com a natureza, abandono a cidade com a mala de viagem pesada de revistas desejadas. e na senda do desejo uma sombra de uma árvore ou um silêncio mais puro para a absorção das páginas soltas. hoje abandono a cidade à pressa, depois da apresentação da nova edição da Nespresso e deixo-vos a sugestão de apanharem a edição número catorze da revista desta marca que numa edição dedicada à cidade das luzes, se apresenta numa imagem extraordinária e conteúdos prometedores.
mais elevações Nespresso, em breve nas minhas páginas sobre a cidade.
30 agosto 2010
Porto alto

20 junho 2010
‘não há palavras. Saramago levou-as todas’

'Estou comprometido, ou seja, vivo, num mundo que é um desastre. O meu empenho está em não separar o escritor da pessoa que sou. Esforço-me, na medida das minhas possibilidades, em tratar de entender e explicar o mundo.'
depois de ouvir as homenagens a José Saramago, com grande comoção nas palavras e no 'era uma vez' da nossa Ministra da Cultura, o alívio da grandeza do homem notada em vida e a importância da consistência dos sonhos.
11 maio 2010
22 abril 2010
hoje é o dia da terra
na tentativa do abraço cada vez mais largo ao universo, decretei que apenas usaria produtos como este no andar atlântico. quanto a detergentes a escolha é imediata, mas confesso que pagar quase €5 por isto para atirar buraco abaixo é um esforço, compensador na minha humilde consciência.
vi o 'into the wild' fora de horas, mas não deixou por isso de ser uma fita que ocupa a prateleira mais alta desta casa. em homenagem ao dia de hoje e nas escolhas de Christopher McCandless, entre Lord Byron, Tolstoi ou Boris Pasternak partilho-vos a célebre frase de Henry David Thoreau que inunda uma das cenas do filme.
mais do que o amor, do que o dinheiro, e do que a fama,
dai-me a verdade.
14 abril 2010
um lugar para viver

a história 'Away we go' de Sam Mendes transportou-me ao passado, no dia em que me lembro de ter chegado a Lisboa - vivia na Grécia - abraçada a um 'start again' e ter atirado sessenta caixas (ou o meu sublime legado) para dentro de um armazém. a pergunta mais válida, apenas esta: 'quando e onde voltaria a encontrar-me com os meus objectos e os meus amigos silenciosos?
lembro-me que bati com a porta, abandonando o armazém com o objectivo determinado de um dia, voltar a marcar o número de telefone da empresa de mudanças. nesses dias distantes lembro-me do pensamento que me movia: aconteça o que acontecer, terá de ser contruído com paixão. nada de prostituições em função de um alcance mais rápido aos objectos. sim, hoje apenas me movo abraçada à liberdade. sem medo, o dinheiro (essa palavra que verbalizo, consciente de que é apenas uma energia que está neste mundo para nos servir), aparece sempre para voltar a erguer o castelo. e confesso-vos que muitas vezes ainda me espanto com os frutos duma árvore que nunca se deixou podar pelo medo.
na senda dos riscos que cumpri durante a vida, muitas vezes me cruzo com histórias e pessoas que vivem sem redes, como eu. e os filmes de Sam Mendes obrigam-me sempre a confrontar capítulos do passado. 'American Beauty' ou 'Revolutionary Road' já tinham marcado encontro com algumas gavetas da memória. em 'Away we go' não me posso esquecer da imagem final do filme (e não revelarei pormenores para não estragar surpresas) o olhar final de duas pessoas que testemunham 'o elogio do amor' de Miguel Esteves Cardoso.
nunca precisei de colar um itinerário dentro de nenhum dos meus casacos, mas sei que muitas vezes apenas tomamos consciência das nossas imagens passadas nas histórias dos outros. o espelho foi muito próximo: a emoção e a incompreensão na expressão de Verona (Maya Rudolph) e a surpresa serena de Burt (John Krasinski), tudo numa imagem que faz esquecer qualquer cartão a fazer de vidro, ou o frio que um dia entrou através de uma janela partida.
mais aqui e aqui.
12 abril 2010
still life

já tinha passado quase um ano, mas não resisti ao rapto, no momento da passagem do hall de saída, da festa do amigo mago. confesso. roubei (com permissão), um convite de 2009 da torre do correio empilhado (sempre adorei curvar-me diante de edifícios altos). o convite da exposição 'dias úteis' de Catarina Botelho tinha quatro imagens, uma delas esta.
no mesmo convite as palavras de Filipa Valadares,
'Existe na expressão Still Life uma contradição intrínseca. Still refere-se a tudo o que está parado, sem movimento, ruído ou acção, que está fixo e que permanece, referindo-se no limite à morte. Por outro lado life refere-se ao estado, propriedade ou qualidade do que está vivo, à vitalidade e ao tempo da vida. Apesar destas duas expressões serem aparentemente o oposto uma da outra, elas coexistem desde há séculos, na expressão inglesa Still life, anunciando-a como uma Vida Parada, fixa. Já a expressão Natureza Morta (adoptada por diversas línguas latinas), mata à partida a natureza, e em contraponto, a versão alemã Stilleben, refere-se a uma Natureza Silenciosa. Diz-se de uma imagem que é retirada de um filme ser um still, um momento parado do mesmo. Esta qualidade de parar e fixar é intrínseca à fotografia enquanto processo e à forma como gera nas suas imagens, uma paragem do tempo. É neste limbo entre still e life, entre esta paragem silenciosa e a vida, que podemos incluir as fotografias desta exposição. Não sendo obrigatoriamente naturezas mortas, são imagens fixas no tempo, captadas num momento que já passou, mas ainda relativas à vida que continua.'
a opção do rapto foi simples.
'As casas são também uma presença constante nos trabalhos de Catarina Botelho, é no seu interior que praticamente tudo acontece. Elas acolhem as pessoas e os objectos, e só pontualmente há outros espaços como cafés, hotéis ou cenas de exterior, mas quase sempre como uma extensão da casa. A casa é o lugar de convivência, onde permanecemos, é o espaço vivido diariamente. Apesar das suas imagens continuarem na sua maioria a representar pessoas, surge agora também uma aproximação particular aos objectos. Eles sempre estiveram lá, no plano de fundo, mas agora autonomizam-se ganhando um espaço próprio nalgumas imagens. Há ainda outros objectos como mesas, camas ou sofás, que criam horizontes estáveis de relação com os corpos que com eles convivem, ou aos quais se abandonam.'
abandonei a casa com a memória dos seus objectos, no privilégio da utilidade dos dias e na mão, uma imagem para a parede dos poetas do andar atlântio. a certeza de uma noite em que trouxe agarrada à minha pele a extensão de uma casa. a extensão de um amigo que gosto muito e que cresce assim como uma árvore rodeado de pessoas de 'palavra única', hoje aumentado por momentos onde apenas há espaço para a 'liberdade' e muitos dias claros
'relativos à vida que continua'.
31 março 2010
limpar Portugal
chegou à Lisboa para investigar a propagação dos fogos nas florestas e quatro anos passados, com um doutoramento defendido na mochila insiste em permanecer na nossa cidade, como se não houvesse medição de tempo.
o viajante francês foi o meu companheiro na aventura limpar Portugal no passado dia 20. em respeito à natureza do Universo, a nossa escolha para limpar a floresta aconteceu na Serra de Sintra e depois de uma carrinha cheia de lixo apenas uma invulgar perplexidade perante os tesouros encontrados: quem se dá ao trabalho de abandonar famílias inteiras de loiça de casa de banho por estrear no meio da serra?


