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26 março 2012

António Tabucchi 1943 - 2012



A vida não está por ordem alfabética como há quem julgue. Surge... ora aqui, ora ali, como muito bem entende, são miga­lhas, o problema depois é juntá-las, é esse montinho de areia, e este grão que grão sustém? Por vezes, aquele que está mesmo no cimo e parece sustentado por todo o montinho, é precisamente esse que mantém unidos todos os outros, porque esse montinho não obedece às leis da física, retira o grão que aparentemente não sustentava nada e esboroa-se tudo, a areia desliza, espalma-se e resta-te apenas traçar uns rabiscos com o dedo, contradanças, caminhos que não levam a lado nenhum, e continuas à nora, insistes no vaivém, que é feito daquele abençoado grão que mantinha tudo ligado... até que um dia o dedo resolve parar, farto de tanta garatuja, deixaste na areia um traçado estranho, um desenho sem jeito nem lógica, e começas a desconfiar que o sentido de tudo aquilo eram as garatujas.

Tabucchi, 'A Vida não Está por Ordem Alfabética'

em Abril António Tabucchi abriria as mãos e as palavras de mais um livro da sua autoria pela Dom Quixote. o livro reúne contos que falam da passagem do tempo. tempo que não pára, apenas passa.

a Casa Fernando Pessoa vai homenagear no dia 2 de Abril o autor, 'o italiano que queria ser português' e a quem tanto devemos como amante da obra de Pessoa. aqui fica o início do seu último livro e a minha homenagem.

14 fevereiro 2012

plural como o universo



de uma colaboração entre a Fundação Roberto Marinho e o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo e com o apoio da Fundação Gulbenkian, esta exposição foi inaugurada em São Paulo, em 2010, e apresentada no Rio de Janeiro em 2011. chegou agora a Lisboa à Fundação Gulbenkian, assinalando o ano do Brasil em Portugal.

fui quando ainda se colavam legendas com o grande privilégio da presença de Carlos Filipe Moisés Richard Zenith, ambos curadores da exposição que recomendo esta semana.



28 setembro 2011

como o movimento silencioso das algas


tal como as casas em construção,
é quando os amigos partem que recolho com a beleza do mundo o mais importante das nossas vidas sempre tão fugazes. a importância das mesas desconstruídas, onde com as migalhas ecoam ainda o rasgar dos sorriso de uma noite de verão. a partilha de um dia improvável, a mistura de almas distantes e desconhecidas, que se misturam em fermentação como um bom vinho nascido das vinhas de Lagido.

e há um momento em que as paredes brancas se iluminam. depois da porta fechada e das velas que se vão apagando, elevo as palavras de um dos meus maiores mestres.

hoje 'adquiri um andar flutuante - como o movimento silencioso das algas. um andar oceânico.

25 agosto 2011

'I'm also just a girl'

que triste notícia esta. só um romântico de última hora poderá salvar a famosa livraria de Notting Hill. is anyone out there?



e outra cena que adoro... esta nunca aconteceu ao homem das mãos de veludo. :-)


26 julho 2011

'até ao limite'



o carteiro chegou pela mulher sem medo. e no dia em que deixo cair um dos bens menos precisos, nas mãos invisíveis uma carta,

devemos amar o que é amável. porque o tempo é curto, a vida também.

13 dezembro 2010

it's never strange



how long she stays away.

20 novembro 2010

bricklane


'no one told me there are different kinds of love. the kind that starts deep and slowly wears away; that seems you will never use it up and then one day it is finished. then there is the kind you do not notice at first but which adds a little bit to itself every day like an oyster makes a pearl, grain by grain, a jewel from the sand. that is the kind I have come to know'.

mais aqui e aqui.

18 novembro 2010

na importância das páginas


ainda sobre este post (que me vai perseguindo deliciosamente) e sobre a importância das páginas, recebo pelas mãos da Presidente do Instituto Camões uma verdadeira revolução tecnológica. para ver aqui.

17 novembro 2010

'o coração dos homens'



respira fundo. 'Porque é fim-de-semana e tens sentido a tristeza gasta de um falhado, sai da cama devagar, abre as janelas e toma um bom pequeno-almoço – omelete de tomate, laranjas espremidas com as mãos, pão alentejano no consolo da torradeira. Depois, quente e preguiçoso, regressa aos lençóis frescos, encontra o teu sítio na almofada e se tiveres a fortuna de poder beijar alguém, pousa primeiro os lábios na curva entre o ombro e o pescoço. Então, ataca, mas que sejas leve, que tenhas tempo para tudo. Mais tarde, já com o coração a reduzir o galope, os músculos em levitação e a boca a pedir água, podes dormir mais. Hoje, não ligues o telemóvel, abdica de narrar a tua vida em emails e redes sociais. Não alimentes a electricidade estática do teu cérebro nem a ansiedade televisiva de querer saber tudo em tão pouco tempo. Tem calma. Caminha longe dos motores, procura um jardim onde ainda sobrevivam buganvílias. Não digas nada. Experimenta viver sem ruído. No final da tarde liga aos teus amigos ou fala com a família. Marca um jantar, pega numa faca e acende o fogão, serve vinho a quem aparecer, toca no corpo daqueles que te fariam falta se ficassem doentes e toca-lhes porque também precisam. Nunca nada é tão dramático como parece. Vai ser fodido, Portugal, mas quando tudo parecer em chamas lembra-te do admirável poder do toque – a cara barbeada do teu pai quando o beijas, a mão que te compõe a franja, um pé procurando outro pé, sobre o lençol, a meio da noite – e talvez percebas que tudo tem que voltar a ser muito mais simples'.

texto de Hugo Gonçalves para o jornal i

16 novembro 2010

no dia em que fiquei cego

na distância dos mal entendidos do mundo, o movimento da cidade.
e nos dias em que volto a abraçar palavras de Al Berto, quando escreve que 'no dia que fiquei cego decidi ser fotógrafo', o refúgio no testemunho das músicas do carteiro, ou a grande dúvida,

a que distâncias deixamos tantas vezes o coração?

14 novembro 2010

epiphenomenalism



'happy the man, and happy he alone who in all honesty can call today his own. he who has life and strength enough to say 'yesterday's dead & gone - I want to live today'

11 novembro 2010

silêncio por favor



João Manuel Serra - 1930 - 2010. meu companheiro nas matinés de cinema, uma homenagem sem tamanho a este senhor, que muita falta vai fazer à humanidade da minha cidade.

08 novembro 2010

páginas de papel, sim para sempre II



depois deste post há também quem adira ao poderoso legado do cheiro das páginas sublinháveis: a criação de uma vela a cheirar a páginas de livros antigos. como filha de um alfarrabista só poderia achar a ideia da Assouline absolutamente extraordinária.

03 novembro 2010

'kissssing'



I fell in love with her courage, her sincerity, and her flaming self respect. and it's these things I'd believe in, even if the whole world indulged in wild suspicions that she wasn't all she should be. I love her and it is the beginning of everything.

mais aqui.

26 outubro 2010

e tu, feita de esperança


'eu e tu, Lisboa. eu feito de praças, avenidas, becos, escadinhas e tu, feita de esperança, de olhos a brilhar. às vezes quase acredito que és demasiado nova para mim, mas, depois, falas-me que aprendeste e tenho de abraçar-te. talvez assim nos misturemos mais ainda'.


explore as exposições da Galeria de Arte Urbana da Câmara Municipal de Lisboa aqui.

07 outubro 2010

cem por cento biológico


de passagem pelo Quinoa que todos os dias fabrica no Chiado o melhor pão de Lisboa, a retenção na parede branca.

'cozinhar não é um serviço, meu neto, disse ela.
cozinhar é um modo de amar os outros.'

02 outubro 2010

where the streets have no name

where the streets have no name,
we're still building.

U2 em Portugal. é hoje.

27 setembro 2010

a certeza mais pura



é sempre sublime pisar o chão do Mosteiro que me deu o nome. mais do que assistir à fragilidade da morte lenta de um pai, que dedicou a vida a juntar os livros da Ordem de Cister (em tempos saqueados desta morada), os dias tornam-se mais claros, no dia em que fico responsável pela alma de mais um ser humano da minha árvore de vida.

e perco as palavras ao caminhar sobre as pedras iluminadas, onde estéticas depuradas homenageiam a certeza mais pura.
a vida é. tem sido. generosa.

22 setembro 2010

'se me puderes ouvir'



O poder ainda puro das tuas mãos
é mesmo agora o que mais me comove
descobrem devagar um destino que passa
e não passa por aqui

à mesa do café trocamos palavras
que trazem harmonias tantas vezes negadas:
aquilo que nem ao vento sequer
segredamos

mas se hoje me puderes ouvir
recomeça, medita numa viagem longa

ou num amor
talvez o mais belo.

páginas de papel, sim para sempre



já não bastava qualquer vício emocional da geração facebook, há ainda quem ofenda uma das minhas actuais convicções. o facto é importante: sou filha de um alfarrabista e tal como Robert Darnton não, não pretendo ler nenhum livro no Kindle ou no iPad. e sim guardo sapiência suficiente para assinar longe da intenção o 'nunca digas nunca'.
a importância do sublinhado a lápis, para um dia voltar a recordar o livro com as pontas dos dedos, ou a importância do cheiro, essa relíquia tão preciosa em tempos de tanta solidão por trás das teclas.

amigos silenciosos serão sempre amigos silenciosos e no andar atlântico terão sempre espaço. muito espaço.