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24 outubro 2006

crescer com amor


recebeste-me de perto
e em silêncio.

hoje registo com dignidade
um erro que nunca o foi.

enquanto molhava o corpo
guardava para sempre
o nosso segredo
debaixo da terra.

all star


nos dias em que te imagino,
a palavra procuro
não existe.

irreverente...

20 outubro 2006

vinicius


a vida só se dá
a quem se deu.

imensamente


subamos
subamos acima
subamos além, subamos
acima do além, subamos.
com a posse física dos braços
inelutavelmente galgaremos
o grande mar de estrelas
através de milênios de luz.

subamos.
como dois atletas
o rosto petrificado
no pálido sorriso do esforço
subamos acima
com a posse física dos braços
e os músculos desmesurados
na calma convulsa da ascensão.

acima
mais longe que tudo
além, mais longe que acima do além.
como dois acrobatas
subamos, lentíssimos
lá onde o infinito
de tão infinito
nem mais nome tem
subamos.

tensos
pela corda luminosa
que pende invisível
e cujos nós são astros
queimando nas mãos
subamos à tona
do grande mar de estrelas
onde dorme a noite
subamos.

tu e eu, herméticos
as nádegas duras
a carótida nodosa
na fibra do pescoço
os pés agudos em ponta.

como no espasmo.

e quando
lá, acima
além, mais longe que acima do além
adiante do véu de Betelgeuse
depois do país de Altair
sobre o cérebro de Deus

num último impulso
libertados do espírito
despojados da carne
nós nos possuiremos.

e morreremos
morreremos alto, imensamente
imensamente alto.

Vinicius de Morais, in os acrobatas
(obrigatório ver a representação
de Camila Morgado
no fime Vinicius
que estreia brevemente)

15 outubro 2006

vietman


no inesperado
surge sempre
o mais merecido
dos perfumes.

la vie en rose


dans le future

la vie en rose.

02 outubro 2006

sono profundo


nos nossos sonhos
adormecidos
guardo com ternura

aquilo que nunca fomos.

01 outubro 2006

the end


na palavra dignidade
habita o mais certo

de todos os sentimentos.

29 setembro 2006

de perto


enquanto me segredas
o teu maior profundo,
engrandeço-me

sempre de perto.

27 setembro 2006

madrid


hoje
moldaste-me
como algodão
forte e macio.

24 setembro 2006

luzboa


de 21 a 30 de Setembro,
Lisboa recebe
a segunda edição
da Bienal Internacional da Luz (Luzboa 2006)
um evento dedicado à luz
e iluminação que leva à rua
várias manifestações
de arte contemporânea.

21 setembro 2006

trinta dias


trinta dias
de vida pura.

peach


nos dias
em que me recordavas
assistia ao teu grande amor.

uma partilha
que nos engrandece
em momentos de reconstrução.

parabéns E. e C.

19 setembro 2006

optimus open air


Lisboa
caminha.

como uma cidade
que se move
feminina.

17 setembro 2006

reconstrução


não sei para onde se caminha,
mas os perseverantes
aceitam sempre
as famílias reconstruídas.

16 setembro 2006

oxigénio


percorro agora
um corredor de
oxigénio.

15 setembro 2006

cop 3


um dia
tenho a certeza.

14 setembro 2006

passadeira


enquanto me procuras

transporto comigo
o brilho helénico.

13 setembro 2006

constelações


somos assim

em constante mutação.

12 setembro 2006

inter


debaixo de água

ainda hoje
visto-me
de verde.

11 setembro 2006

9/11


amanhã
conto-te um segredo,

é a beleza
de estarmos vivas.

in the mood for love


um dia
seremos livres
de tudo o que não merecíamos.

seremos
disponíveis para amar.

09 setembro 2006

a guardiã


enquanto te descobres
o caminho faz-se lento
e reconstrutivo.

hoje lembro-me
e guardo

aquilo que ainda é
o nosso tesouro.

encontro ibérico


não sei para onde vou,
só sei que não vou por aí.

07 setembro 2006

o verbo


nomeámos hoje
a maior sabedoria.

03 setembro 2006

cidade branca


transporto Lisboa
comigo

a cidade eleva-se.

02 setembro 2006

e se


e se uma gaivota viesse
pintar o chão de Lisboa?

01 setembro 2006

de branco


no alcance de quem te encontra
surge uma palavra

a fragilidade.

31 agosto 2006

novis

um filme onde nunca entrei
gerou obcecação.

a paz interior e a liberdade
são muito mais

que tudo isso.

29 agosto 2006

hoje

28 agosto 2006

quebrar o mar


a casa onde habita
a minha e a tua morada
constroi-se sólida

e com tempo.

dizias tu do calor?

os outros


porque " a vida são os outros"
hoje abraça-te o reencontro
dos amigos.

caminhos de Helena


o significado da palavra "relação"
revela-se sempre

com os pés
vincados na terra.

24 agosto 2006

o guarda-amor


os viajantes
recolhem a noite
com nome de alma.

transporta-se assim
o amor
que guardamos

pelas esquinas da cidade.

22 agosto 2006

Constança de Portugal


um Pai que se apaga
uma sobrinha que nos transforma

tivesse ainda tempo
e entregava-te

a beleza do mundo.

21 agosto 2006

sem porta


nos alongamentos
respira-se fundo
porque o caminho faz-se andando.

a vida nunca estagna.

apenas passa.

19 agosto 2006

hoje comigo


na magia de quem te criou
testemunho um amor denso.

abraço as certezas
pelas esquinas da cidade
com o mesmo amor que te partilham

hoje comigo.

Parabéns E. e C.

17 agosto 2006

de branco


hoje reconstruo
de novo

a minha individualidade.

puro


enquanto acreditar
no teu ser mais puro
abraçarei as paredes.

nelas transponho a luz
dos passos
onde hoje me transporto.

16 agosto 2006

la vita dolce


nelle nostre parole
tocco il futuro
tranquillamente.

15 agosto 2006

a fragilidade


no reencontro do que pareces
habita sempre
uma palavra chamada família.

os sorrisos escondidos


poucas imagens
habitam focadas
nesta morada.

esta merece.

12 agosto 2006

no dia em que o céu te recebeu

11 agosto 2006

one


is it getting better
or do you feel the same?

10 agosto 2006

resguardo


enquanto as velas ardem
caminharei sobre a água.

09 agosto 2006

a exploração


a exploração
da cúmplicidade que nos atinge
sulplica-nos a fechar os olhos

sentimos

hoje
a brisa quente da beleza
que nos transporta.

07 agosto 2006

com porta


enquanto reconstruo a minha pele
invades-me de branco

ou de qualquer outra coisa
sem número de contacto.

dizias tu da luz?

02 agosto 2006

the passenger


há pessoas
que vivem em deserto a vida inteira
outras
aceitam a vida tal como ela é.


nesse momento em que me transformava
pela loucura da esperança do que não resta

um momento baço preso ao pó da recusa,
da transparência de uma vida inteira,
onde tudo o que se transporta
passava a estar num único reflexo.

a culpa era das paredes.
a história que renasce
a cada momento por quem lá habita,
por quem lá segredou que está vivo.

mas as paredes já não as sinto.
delas transpiram o odor do passado
que deixei que me passasse por cima.
sinto o que elas transbordaram
durante toda a minha existência
e reconheço agora

só salvarei a minha morte

se passar em frente
como uma criança
e com um coração esgalhado
ao perdão
que nunca esquece.

01 agosto 2006

a entrada


nas minhas mãos
o futuro rasga-se com espera.

tudo o que hoje conquisto
e que nunca imaginei.

29 julho 2006

palavras de caminho


a língua do meu país
alcançou-te

no dia em que resgataste
a Helena
que trago comigo.

na ausência


na transparência
da minha palavra inteira

entreguei-te o meu rosto.