sss



21 novembro 2007

green destiny


na arcádia grega,
fecha-se o ciclo
e abrem-se as comportas.

20 novembro 2007

encontro


a beleza dos plátanos,
cobriu de dourado a nossa cidade.

a espiritualidade
está em encontros tão simples.

19 novembro 2007

O Senso e a Cidade l E fez-se Luz



aqui na página 6 ou
Ao observar o Aqueduto das Águas Livres, concretamente a Arcaria do Vale de Alcântara, volto a sentir com imensidão a cidade solta nos cabelos.
Com 941 metros de comprimento e 65 metros de altura, os 35 arcos constituídos por 14 ogivais e 21 de volta perfeita são um marco importante da história de Lisboa. Ao contemplar este monumento, do magnânimo reinado de D. João V estendo um sorriso, e desta vez mais iluminado.
Depois de dois anos sem luz, por degradação do anterior dispendioso sistema de iluminação, a magnífica obra de engenharia hidráulica volta a envolver-se com a magia nocturna da capital. Com comparticipação da EPAL, entidade que gere o Aqueduto, a Divisão de Iluminação Pública da CML remodelou os projectores no passado 8 de Novembro, colocados hoje no cimo dos seus pilares. Com a projecção equacionada em linhas de luz, de cima para baixo, os detalhes arquitectónicos estão agora mais realçados. Com uma nova concepção, mais eficiente e económica, o sistema baseia-se em lâmpadas de baixo consumo e de grande durabilidade, poupando muita energia, com uma redução de custos na ordem dos 90%.
Com probabilidade de algum príncipe desta cidade me imaginar de braço dado ao Velho do Restelo, imagem que reconheço sempre com um orgulho justo, não fosse esta coluna também sobre bom senso, hoje a nota é radiosamente positiva.
É que mesmo tropeçando na passividade de não querer ter mais e melhor, estamos sempre a tempo de alcançar a excelência, e numa outra mensagem, amar o património à noite vale sempre a pena, só é preciso que a luz não seja pequena.
coluna de opinião publicada a 19 de Novembro no jornal Meia Hora.

16 novembro 2007

banho de chuva


no dia nacional do Mar,
as cinderelas contemporâneas
já não perdem sapatos de cristal.

mais aqui

15 novembro 2007

0708


todos os dias.

13 novembro 2007

O Senso e a Cidade l O Mata Rato


aqui na página 7 ou

Aprovado em 2005, pela vereadora Eduarda Napoleão, ainda na autarquia presidida por Santana Lopes, e com aprovação do IPPAR (IGESPAR desde Março), o imóvel da autoria de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus, aguarda apenas a aprovação da licença de construção, pela CML. Composto por 7 pisos acima do solo e 5 de estacionamento, com fachadas entre os 19 e os 22 metros, 10.000 metros quadrados em gaveto com apartamentos T0 e T2, o prédio terá lugar entre a Rua Alexandre Herculano, Largo do Rato e Rua do Salitre.

A construção do edifício promete muita polémica entre defensores do enquadramento histórico e adeptos de soluções arquitectónicas de ruptura. Há quem diga que a primeira impressão marca sempre, e a minha tem a percepção de uma volumetria excessiva, para aquele largo que se tem vindo a tornar numa passagem de veículos poluentes.

Os prédios laterais perderão a estrutura e o Chafariz do Rato, do século XVIII, perderá enaltecimento. A construção do edifício obrigará à demolição de imóveis como a centenária Associação Escolar de São Mamede e a Sinagoga de Lisboa ficará ainda mais engasgada. Olhando para as Avenidas próximas, penso que os exemplos de ruptura deixam muito a desejar e o prédio vizinho da Império nem precisa de comentários.

É certo que as cidades tem de crescer, mudar e evoluir. A diferença está em transformarem-se com qualidade e coerência urbanística. Não duvido da qualidade arquitectónica do edifício, mas será este o lugar certo para o colocar? Na dúvida e para não continuar a descaracterizar a nossa cidade, melhor que fazerem mal, é não fazerem nada.

coluna de opinião publicada a 13 de Novembro no jornal Meia Hora.

entre aqui para votar neste projecto.

obrigatório ler

este post do Henrique Burnay

11 novembro 2007

mais Um dia por Lisboa



Um dia por Lisboa, o Tejo e tudo, Teatro S.Luiz, 12 Novembro, das 18h às 23h
«O que fazer e não fazer com a Frente Ribeirinha de Lisboa

Numa iniciativa do grupo “Um dia Por Lisboa”, dia 12 de Novembro, das 18 às 24h, no Teatro S. Luís, no Jardim de Inverno, estarão presentes várias personalidades, especialistas e opinion makers, que vão intervir sobre os seguintes temas:

Tejo ­– usos do Rio e das suas margens
A Margem Ribeirinha, Planos e Projectos
A Administração da Frente de Rio

O cidadãos residentes e utentes de Lisboa, além de serem convidados a estar presentes, terão também um papel activo nesta discussão, nos “Speakers Corner”, cabines com sistema de gravação, onde poderão deixar os seus depoimentos e opiniões sobre os temas em discussão

Programa:
18h às 21h00- Intervenções de, entre outros :
António Câmara, Nuno Portas, Gonçalo Ribeiro Telles; Raquel Henriques da Silva; Nuno Teotónio Pereira; Jorge Gaspar; Augusto Mateus ; Paulo Saragoça da Matta, José António Pinto Ribeiro

21h30 – Debate com os responsáveis decisores da zona ribeirinha e da cidade de Lisboa: Presidente da CML António Costa*, Manuell Salgado, Vereador do Planeamento Urbano da CML, Manuel Frasquilho ­‑ APL, Fonseca Ferreira ­‑CCDR de Lisboa, José Miguel Júdice, e Rolando Borges Martins ­‑ Parque Expo

08 novembro 2007

para quem merece



a pele é o órgão de revestimento externo do corpo, sendo o maior do corpo humano e o mais pesado, responsável pela proteção do organismo.

07 novembro 2007

baliza


la realidad hay que sobrevivirla.
los sueños hay que perseguirlos y vivirlos.

06 novembro 2007

obrigatório ver


"roubado" aqui

linie 24


curioso este artigo de um blog alemão que considera a campanha pelo regresso da Linha 24 de eléctrico clássico como um projecto "importantíssimo para o desenvolvimento do turismo de qualidade em Lisboa". Ainda convida os alemães a assinarem a petição. Nós agradecemos.

05 novembro 2007

O Senso e a Cidade l A devolução do 24


aqui na página 7 ou

No passado dia 2 de Novembro, comemorou-se o centenário do nascimento da carreira do eléctrico 24. Nascida em 1907, esta linha percorria bairros como o Carmo, o Príncipe Real, o Rato, as Amoreiras ou Campolide, unindo o Cais do Sodré ao Alto de São João.

Suspensa temporariamente desde 28 de Agosto de 1995, devido às obras de construção do parque de estacionamento de Campolide, a falta desta linha deixou Lisboa carismaticamente mais pobre. Existe um protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Carris, para activar o percurso de Campolide ao Largo do Carmo, após conclusão das obras do passadiço do Elevador de Santa Justa, sendo que as mesmas já terminaram.

Representando uma espinha dorsal, para pontos de atracção de excelência da cidade, como o Chiado e o Bairro Alto, não faria todo o sentido, devolver o 24, não só aos lisboetas, mas também aos nossos turistas?

Numa altura em que as grandes cidades mundiais, repensam a utilização dos meios de transporte, preferencialmente amigos do ambiente, evitando o automóvel nos centros históricos, não será fulcral repensar a rede de eléctricos da capital?

Porque acredito que o 24 poderá tornar-se num novo ícone lisboeta, relembro com cumplicidade as palavras de Fernando Namora. Os donos desta cidade não são furiosos automóveis, de garganta estridente, que aos poucos, foram aterrando a peonagem até chamar a si monopólio da via publica. Os eléctricos são os donos da cidade. Neles, os citadinos têm a sua última oportunidade de saber onde vivem e com quem vivem. Nos eléctricos enfim, as pessoas humanizam-se e a cidade desenruga-se.
coluna de opinião publicada a 5 de Novembro no jornal Meia Hora.
entre aqui para assinar a petição.

01 novembro 2007

corte de cabelo


por hoje
a existência molda-se assim.

transmissão


enquanto me descobres
redefino os contornos.
somos ainda maiores
quando não nos perdemos.

30 outubro 2007

the brave one

in the burning of uncertainty.
obrigada pela devolução.

365 dias


o caminho
persegue exigente.

obrigada a todos os que andaram por aí.

28 outubro 2007

O Senso e a Cidade l Mais ingredientes para a Marca Portugal


aqui, aqui ou

Para bem dos nossos pecados, já está on-line o site do Fabrico Próprio, um projecto dedicado à Pastelaria Semi-Industrial Portuguesa e à sua relação com o design. Com autoria dos designers portugueses Rita João, Pedro Ferreira e Frederico Duarte, os nossos bolos estão a ser inventariados como “objectos de design de pleno direito, como o resultado de um processo de natureza projectual que caracteriza esta disciplina, onde forma, ingredientes, materiais, método e instrumentos de fabrico, se conjugam para chegar a um produto final.”

Na morada fabricoproprio.net, podemos acompanhar a concepção do futuro livro bilingue (português e inglês), com mais de 250 páginas, e que registará a nível fotográfico e enciclopédico, todos os bolos que identificamos em Portugal como Pastelaria Semi-Industrial Portuguesa.

Com um subsídio da Direcção Geral das Artes do Ministério da Cultura Português, e com o apoio institucional da AICEP - Portugal Global, do Centro Português de Design, da Embaixada de Portugal em Tóquio e do Centro Cultural Português no Japão, procuram-se ainda potenciais parceiros e patrocinadores para o projecto.

Sempre difíceis de repetir em casa, as receitas secretas, mas com acesso a todos, em qualquer balcão de café das cidades portuguesas, não deixam dúvida que a nossa pastelaria quotidiana é única no mundo. Nota vinte para esta iniciativa, fundamental para melhor conhecer esta fatia da nossa cultura, componente do nosso património gastronómico e que tanto contribui para a desejada marca Portugal. Relembrando um poema de Cesariny, numa alegria orgulhosa, mas que nada tem de surrealista, à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo, no riso admirável de quem sabe e gosta.

coluna de opinião publicada a 29 de Outubro no jornal Meia Hora.

evening


na expectativa,
ou em qualquer erro inexistente
a certeza,


de uma serenidade
sempre livre.

24 outubro 2007

um lux às quartas




Lisboa está ainda mais única aqui.

23 outubro 2007

a nona



quem já conseguiu o maior tesouro
de ser o amigo de um amigo,
quem já conquistou uma mulher amável
(...)
ela nos deu beijos e vinho e
um amigo leal até a morte.

22 outubro 2007

Mariza no David Letterman's Show

estado de insegurança


K., correu para a frente, agarrou-a, beijo-a na boca e depois em todo o rosto, como se fosse um animal sedento, lambendo desenfreadamente a superfície da água da fonte
finalmente encontrada.

O Senso e a Cidade l O Abraço de Prata


Lisboa convida-nos mais uma vez à palavra envolvência. No passado dia 12 de Outubro, na antiga Fábrica de Armas do Braço de Prata, aconteceu a Festa do Festival do Cinema Francês em conjunto com a Festa Lomo. Quem lá esteve confirma que a nossa cidade está a ficar diferente.

Num piso térreo com setecentos metros quadrados, num edifício de 1908, José Pinho da carismática livraria Ler Devagar e Nuno Nabais da Eterno Retorno surpreenderam os lisboetas com um projecto alternativo, a Fábrica do Braço de Prata. Aqui respiram-se livros, sentem-se exposições, conhecemos pessoas, tornamo-nos mais humanos e mais felizes por viver em Lisboa. Com nomes que nos convidam a descobrir segredos escondidos, as várias salas Kafka, Nietzche, Arendt, Deleuze, Virginia Woolf, Turing, Artaud, Tcekov, Visconti, Marguerite Duras e Beauvoir fazem deste espaço com ambiente minimalista, um lugar urgente a descobrir.

Uma livraria, uma sala dedicada à sétima arte com sessões de Quinta a Domingo, um café onde se pode petiscar fora de horas, um bar de jazz ao vivo com concertos todas as Sextas, uma sala para teatro (ensaios e espectáculos), uma loja de discos, uma loja de roupa em segunda-mão, uma galeria de arte, vários espaços para exposições temporárias, tertúlias e lançamentos e ainda uma esplanada constituem esta nova casa da cultura lisboeta. Para o futuro está previsto um cinema ao ar livre, há muito esperado pelo excelente clima da nossa capital.

Depois de uma noite, onde observei um sonho implementado, imagens presentes e sorrisos livres, partilho este enorme e profundo abraço de prata, que me faz acreditar que Lisboa está de facto a acontecer.
coluna de opinião publicada a 22 de Outubro no jornal Meia Hora

17 outubro 2007

to move

a vida

é perfeita.

16 outubro 2007

abraços de prata


em cada ferida que sara escondida do mundo
tu és igual a mim.

15 outubro 2007

quero-te bem


nos dias em que vens do nada,
as ambivalências curam o voo livre
das asas sem medo.

hoje
e sem amanhã,

não quero adormecer.

09 outubro 2007

ambivalência


o que de mais belo soube,
sempre o disse de repente
a alguém que não conhecia.

O Senso e a Cidade l Decadência no Conservatório



Inaugurado em 1881 e situado no antigo Convento dos Caetanos, no Bairro Alto, o Salão Nobre do Conservatório Nacional, da autoria do arquitecto Eugénio Cotrim, precisa urgentemente de obras de recuperação.
Além do magnífico tecto pintado por José Malhoa, o salão dispõe de uma acústica de excelência, a qual tem permitido preferência a gravação de discos e grandes elogios de vários artistas internacionais: Karl Leister (clarinetista solista da Orquestra Filarmónica de Berlim), Anthony Pey (solista inglês de grande nomeada), e de cantores como Peter Schreier, Sarah Walker e Mara Zampieri.
Desde a década de quarenta que não se efectuaram obras de manutenção, originando a degradação desta emblemática sala oitocentista. Paredes e tectos esburacados, um balcão lateral suportado por varões de ferro por estar em risco de ruir, um número considerável de cadeiras totalmente destruídas, cortinas rasgadas, camarins em precárias condições, alcatifas gastas e fios eléctricos visíveis, são alguns dos registos que denunciam uma intervenção de preservação urgente.
Em 2005 foi publicado um concurso público (DR - 3ª Série nº 239 de 15/12/2005 – Recuperação do Salão Nobre, galeria, palco, sub-palco, salas de apoio e cobertura-1ª fase - empreitada 135/05), o qual foi cancelado sem justificação. Tratando-se de um equipamento cultural indispensável, não só às actividades do Conservatório Nacional, mas também como pólo dinamizador do Bairro Alto e da nossa Lisboa, apelo mais uma vez e por estas linhas, ao bom senso das Ministras da Cultura e da Educação, de não permitir o ponto do não retorno.
coluna de opinião publicada a 8 de Outubro no jornal Meia Hora

03 outubro 2007

O Senso e a Cidade l Terminal de Cruzeiros



aqui ou

Para evitar mais um virar de costas da cidade ao rio, o Fórum Cidadania Lisboa e a Associação do Património e da População de Alfama debateram na passada 5ª feira, a construção do terminal de cruzeiros, em Santa Apolónia, uma obra da Administração do Porto de Lisboa. Com conclusão prevista para 2010, prevê-se a construção de um muro com seis metros de altura e cerca de 600 metros de comprimento.

Apesar de convidada, a APL não se fez representar no debate, o que me deixou bastante preocupada. A obra dispensa licenciamento camarário, por ser da responsabilidade da APL, entidade tutelada pelo Ministério das Obras Públicas, a qual tem jurisdição sobre a frente ribeirinha da cidade. O advogado José Miguel Júdice, que poderá vir a coordenar três sociedades para a reabilitação da frente Tejo, e o vereador dos espaços verdes da cidade, José de Sá Fernandes, asseguraram-nos a palavra “descanso” contra esta inacreditável parede, entre o bairro de Alfama e o Tejo. Como gata escaldada tenho receio de mais um balde de água fria, e não meus senhores, não dormirei descansada.

Concordo que Lisboa precisa de um porto e de um terminal de cruzeiros, a questão será “onde”. Nos cerca de 13 Km de Frente Tejo, não haverá um lugar menos prejudicial à vida dos que cá moram? Enquanto cidadã activa, penso ser urgente o governo colocar o projecto em discussão pública. É que antes de ser dos turistas, Lisboa é dos lisboetas e a energia de uma cidade está também nos sorrisos de quem a habita. Usando a boa expressão “matinal” de quem não dorme, se não formos nós a gostar da nossa cidade, quem gostará?

coluna de opinião publicada a 1 de Outubro no jornal Meia Hora
boa novidade e depois da data deste artigo aqui.

02 outubro 2007

homenagem


a unica verdadeira prisão é o medo
e a unica verdadeira liberdade nasce da libertação do medo.
Aung San Suu Kyi
(com especial agradecimento ao ao meu amigo JM)

29 setembro 2007

al femme


tant que tu me montres ta Lisbonne,
la ville partage les oportunitées.

26 setembro 2007

número um


Sabem aqueles dias em que nos prendem o carro logo pela amanhã, deixamos cair o telemóvel num chão de mármore, pingamos as calças brancas de molho de salada (quando temos a inauguração da Kiehl’s, no Chiado ao fim da tarde e já não vamos a casa) e ainda vamos à Pizzaria Casanova tirar uma fotografia, para um artigo sobre Lisboa e está um barco a tapar a vista do rio? Hoje foi um destes dias, mas já me formatei há algum tempo, para não dar confiança aos pequenos “desafios” da vida.
Não há o Tejo na fotografia, mas há chá frio com canela e a Time Out Lisboa número um para me acompanhar ao almoço. Não bastaram mais de dois minutos, para meio restaurante olhar para a minha gargalhada solitária. A culpa é da página dez e da "mentira para contar aos turistas", sobre o Elevador da Glória.
Apetece-me desligar o som da cidade, enquanto a devoro egoisticamente sozinha. Agora é só mergulhar na nossa Lisboa, tão única, que pela mão deste projecto deliciosamente ambicioso, está ainda mais apetecível. É mesmo caso para dizer que a nossa cidade nunca mais será a mesma. Parabéns e queremos mais.

24 setembro 2007

O Senso e a Cidade l Cinema Odéon



aqui ou

Fará sentido festejarmos os anos de vida de um morto? No caso do Cinema Odéon, indiscutivelmente que sim.

Situado na Rua dos Condes, em frente ao Olympia e de mão dada à Avenida da Liberdade, sobrevive hoje um ex-líbris do cinema de outrora da cidade de Lisboa, projectado por Guilherme A. Soares.

Oitenta anos depois do dia 21 de Setembro de 1927, a Cinemateca em colaboração com o Forúm Cidadania Lisboa, prestou homenagem a esta magnífica sala de cinema, que tanto preencheu o circuito cultural da nossa cidade branca. Na passada sexta-feira e projectado ao som de piano, foi relembrado o filme mudo A Viúva Alegre de Erich von Stroheim, o mesmo com que o Odéon se estreou há oito décadas atrás.

Sem voz permaneço eu também, cada vez que observo os vidros estilhaçados, sempre que me passeio nas Portas de Santo Antão. E em vez de ocupar o silêncio com as teclas de um instrumento de cauda, prefiro escrever sobre estas linhas, o barulho da minha indignação.

Um palco de frontão Art Déco, uma magnânima plateia e dois balcões, camarotes sumptuosos, um tecto em pau do Brasil com a forma de quilha de navio, um lustre central decorado com néon, um mecanismo que permite iluminar a sala com luz natural, um pé direito invulgar e uma fachada revestida de vidros de várias cores, são mais do que suficientes para não aceitar a degradação deste edifício, que aumenta de dia para dia.

Em vias de classificação, apelo ao Ippar e à Câmara Municipal de Lisboa, a ressuscitação do maltratado Cinema Odéon, com o exercício do direito de preferência para recuperação integral, não fosse uma cidade precisar de detalhes vivos, para ser única e orgulhosamente nossa.

coluna de opinião publicada a 24 Setembro no jornal Meia Hora

23 setembro 2007

debate


17 setembro 2007

O Senso e a Cidade l Time Out Lisboa



No dia em que tropecei na Invenção do Amor de Daniel Filipe o meu conceito de futuro nunca mais foi o mesmo. Não basta encher de sonhos a mala de viagem. É preciso sorrir, encher a escuridão de árvores sem nome.

Cais da Pedra em Santa Apolónia, Lux, 23H58 do dia 13 de Setembro de 2007 nasce o número zero da Time Out Lisboa. Não para turistas mas para nós lisboetas, a promessa de uma revista irreverente e criativa com edição semanal, à semelhança das revistas de Nova York, Londres ou Chicago. Ambicioso? Saborosamente e decerto que sim.

Depois de quatro anos em Londres como correspondente da Lusa e da TSF, João Cepeda e o ex- editor da secção "Sociedade" do Diário de Notícias, João Miguel Tavares resolvem bater no ombro de Tony Elliot propondo Lisboa a uma das mais fortes marcas de guias a nível mundial nascida em Londres em 1968. A partir de 26 de Setembro, uma equipa com rasgo na casa dos trinta anos propõe todas as quartas-feiras e pelo valor de € 2, cem páginas de divulgação de cultura e lazer. Um projecto onde o fado em vez de triste e saudosista tem lugar como um sentimento convictamente cool. Guia del Ocio em Madrid, Pariscope em Paris e finalmente Time Out Lisboa. Passo-me a sentir mais alinhada às medidas europeias.

A disponibilidade a nós mesmos, as nossas prioridades e interesses, a alegria de viver o presente, acreditar nos sonhos e a grande capacidade de os tentar construir fazem a diferença no nosso contributo à vida de uma cidade. Talvez hoje não estivesse a escrever estas linhas sobre estas páginas se três empreendedores recém-licenciados não tivessem também conseguido implementar um projecto de que muitos duvidaram à partida. Tenho a certeza que todos estes viajantes se cruzaram com as palavras “complicado” e “impossível” mas souberam sempre correr atrás.

Isso prova que o maior património de uma Lisboa mais rica são as pessoas e como dizia o nosso querido Ruy Belo, o que é preciso é dar lugar aos pássaros nas ruas da cidade.

coluna de opinião publicada a 17 Setembro no jornal Meia Hora

11 setembro 2007

O Senso e a Cidade l Os pisos térreos do Terreiro do Paço


aqui ou
Filha de um alfarrabista e com uma infância entre livros e palavras lembro-me muitas vezes da limitação de espaço de Almada Negreiros que numa Invenção de um Dia Claro não teria vida suficiente para ler todos os livros de uma livraria. Esse sonho dispensaria as pessoas, essa grande riqueza que mais me move quando penso na ideia de uma cidade. A minha angústia será sempre outra… a de não ter anos de vida suficientes para ver o Terreiro do Paço como sempre o imaginei. Mesmo ainda não tendo realizado o sonho de chegar a São Petersburgo de barco defenderei para sempre a nossa praça como a mais bonita e com mais potencial da Europa.

Desde o mês passado que aos Domingos a Praça do Comércio passou a ser das Pessoas. A iniciativa implica o encerramento ao tráfego automóvel das laterais do Terreiro do Paço e o troço da Ribeira das Naus entre o Largo do Corpo Santo e o Campo das Cebolas. Uma exposição de fotografia, aulas de Yoga, venda de flores, aluguer de bicicletas, venda de livros, uma biblioteca itinerante, um ciclo de cinema documental sobre Lisboa ou mesmo um Quarteto de Jazz do Hot Clube passaram a dar mais vida a esta jóia da coroa lisboeta. Está melhor, mas não chega.

Numa semana em que António Costa, Manuel Salgado, José Sócrates, José Miguel Júdice, Nunes Correia e Paula Vitorino reorganizaram ideias para a reabilitação da frente ribeirinha e em que Maria José Nogueira Pinto volta a estar à frente do projecto Baixa-Chiado quero continuar a desejar muito mais da nossa cidade branca. Retirem sim as lojas dos chineses do comércio tradicional da Baixa em decadência, mas libertem os pisos térreos do Terreiro do Paço e tragam mais Martinhos da Arcada, para nós “Pessoas” nacionais e estrangeiras vivermos uma cidade dignificantemente europeia.

Enquanto espero pela devolução do Cais das Colunas ao remetente desejarei semanalmente e por estas linhas uma cidade viva e preservada que tudo tem de mão beijada. Uma cidade que afinal apenas precisa de pessoas e do seu bom senso.
coluna de opinião publicada a 11 Setembro no jornal Meia Hora

08 setembro 2007

secouent


hoje agarramos a beleza,
como a areia que esvoaça.

sempre livre.

07 setembro 2007

1970 - 2007


hoje debaixo da terra
a atmosfera liberta-se
até ao reencontro.

21 agosto 2007

o Terreiro do Paço é nosso


A Câmara de Lisboa apresenta esta terça-feira a iniciativa "Aos domingos o Terreiro do Paço é das pessoas", que inclui o encerramento ao trânsito das vias laterais daquela grande praça da capital.
O encerramento ao tráfego automóvel arranca no próximo domingo, dia 26. Afectadas serão, além das laterais do Terreiro do Paço, o troço da Ribeira das Naus entre o Largo do Corpo Santo e o Campo das Cebolas.A iniciativa, apresentada em conferência de imprensa às 17h00, foi uma das dez medidas prioritárias anunciadas pelo novo presidente da Câmara, António Costa, para o início do mandato.O pagamento da dívida, a limpeza da cidade e o combate ao estacionamento ilegal foram outras acções anunciadas, bem como a recuperação de quase 200 passadeiras junto às escolas, operação que começou hoje.
fonte aqui

15 agosto 2007

na cidade branca


se a cidade do amor fosse a cidade luz,
não saberíamos desvendar os tesouros
na cidade branca.

e tudo isto
com os cabelos ao vento.

09 agosto 2007

Luzboa


hoje
e por momentos,
tive a cidade só para mim.

08 agosto 2007

JT


hoje relembro esta imagem que alcançaste com o telemóvel numas das noites de Lisboa. não é Madrid mas a tua presença projectava sempre uma movida especial.
do pouco que me mostraste sempre senti que vivias de uma maneira diferente. a luz, a disponibilidade aos outros, os passeios pelas calles madrilenas com a cidade na ponta dos cabelos, as famosas festas com casas desmontadas ficam como testemunho de que vale sempre a pena viver.

o Dubai não esperou por ti, mas de certo estás num sítio mais bonito. levas as boas recordações que nos deixas e a experiencia de vida sempre com rasgo. onde quer que estejas agora, não queria deixar de te dizer que foi uma dádiva conhecer alguém assim.

e se alguém me voltar a transportar de cabelos ao vento
lembrarei sempre a tua célebre frase do small world,
life is a two day journey, carnival is three days... enjoy life.

20 julho 2007

com um pouco de Helena


este blog está de férias... :-)

carte postal


dizem os viajantes raros
que na intensidade da beleza
existe ainda a vontade
de ser inteiro.

17 julho 2007

"Lisboa se hace vieja"


aqui partilho
o texto de Miguel Mora no El Pays.

16 julho 2007

les racines


enquanto te atreves
pelo meu país,
simplifico as raízes
com a cor da trasnformação.

15 julho 2007

no mundo das mulheres


os caminhos
são intemporais.

12 julho 2007

Estoril Sol


Aqui se apresenta o filme do atentado à marginal do Estoril.
Ninguém duvida que os apartamentos serão excelentes para alguns....mas e a marginal para todos? A petição aqui.
Já o mau gosto do filme não me atrevo a comentar...e vale a pena ver até ao fim porque a frase final é qualquer coisa...

10 julho 2007

um dia a casa vem abaixo



ao fazer o novo guia ConVida para Campo de Ourique descobri mais este malicioso plano autárquico. mais uma casa que não será preservada.
uma cidade é feita de detalhes... a morada na Rua Tomás da Anunciação, 120 dará lugar a mais um prédio abrupto e sem carisma. e depois é só dizerem que Paris é que é bonito...





09 julho 2007

pastelaria


no dia em que o céu te recebeu,
o registo do que nos une
em camadas.

sempre
sem prazo de validade.

27 junho 2007

Lisboa abençoada


o primeiro número da Time Out Lisboa sai em Setembro
e passadas algumas semanas
estreia-se também a Time Out Barcelona.
afinal mais alguém acredita no meu sonho edílico
de Lisboa se vir a tornar a nova pequena Barcelona da Europa.

26 junho 2007

berardo em dois sentidos