sss



19 dezembro 2007

um voo breve II


o que de mais belo soube
sempre o disse,
de repente,

a alguém que não conhecia.
JTM

17 dezembro 2007

the great Porto


enquanto a velocidade anda à solta,
uma outra sofisticação mais serena
define o limites

do que nos engrandece.

O Senso e a Cidade l A prata da casa


aqui na página 7 ou

Porque é a última vez que escrevo antes da passagem de ano partilho o entusiasmo vivido no passado Outubro, com o restauro do relógio do Arco da Rua Augusta. A orientar-nos temporalmente desde 1941, o coração deste ex-líbris público em pleno Terreiro do Paço voltou a bater o coração com as obras de recuperação efectuadas por Luís Manuel Cousinha, neto do fabricante do mecanismo e precursor do avô e do pai. O arranjo custou cerca de 12 mil euros, resultado de uma parceria entre o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), a empresa Torres Distribuição e a relojoeira Jaeger-leCoultre.

Tanta sorte não teve o relógio da hora legal do Cais do Sodré instalado naquele local, para informar os barcos que deixavam o Tejo e precioso para o acerto dos cronómetros marítimos, instrumentos essenciais à navegação.

Depois da descaracterização a que a Praça Duque da Terceira foi sujeita, voltando as costas da cidade ao rio, com a construção dos edifícios para albergar a Agência Europeia de Segurança Marítima e do Observatório da Toxicodependência, a Administração do Porto de Lisboa colocou um novo relógio que no seu entendimento é de "tecnologia digital e design bem mais moderno". O original foi colocado em exposição na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Alcântara, e com esta troca, o marco público da praça passou a ser mais um, pois o mesmo já não está ligado aos cinco relógios atómicos do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL).

Para uma cidade credibilizar a sua história, não faria mais sentido a reposição do mecanismo, mas com a verdadeira prata da casa?

coluna de opinião publicada a 17 de Dezembro no
Meia Hora

14 dezembro 2007

Descobrir l longe dos Colombos deste mundo


aqui nas páginas 12 e 13

13 dezembro 2007

Europe’s West Coast


José Mourinho, Mariza, Cristiano Ronaldo ou a artista Joana Vasconcelos são as caras da campanha promocional da imagem de Portugal no estrangeiro, ontem apresentada no Pavilhão de Portugal.
mais aqui

12 dezembro 2007

on the waterfront with style


Lisboa foi destacada num artigo do New York Times,
The 53 Places to Go in 2008.

10 dezembro 2007

O Senso e a Cidade l Aguardarei atenta


aqui na página 8 ou

Existem moradas que me faltam e o miradouro de São Pedro de Alcântara é uma delas. Mesmo depois de o visitar sem autorização, no passado Julho, e porque era inadmissível não partilha-lo com um amigo viajante do mundo, é urgente a devolução deste marco lisboeta à dinâmica da cidade.

Irmão geográfico do renovado Elevador da Glória, este jardim construído no séc. XIX, também conhecido pelo nome de António Nobre está construído em socalcos, numa das encostas das sete colinas. Um ponto de referência, para quem se move no Bairro Alto e no Príncipe Real, este jardim goza de uma das fotografias mais viciantes do leste da cidade, com a imagem dos bonitos bairros da Graça, São Vicente de Fora e Castelo de São Jorge.

Prometida pelo vereador do ambiente e espaços verdes da Câmara de Lisboa, José Manuel de Sá Fernandes, a devolução está prevista para o início de 2008. Depois de quase um ano de obras paradas, por falta de pagamento da Câmara de Lisboa ao empreiteiro, e como um dos detalhes urgentes a resolver no combate à “Lisboa paralisada” de António Costa, a conclusão dos trabalhos reiniciados em Setembro é fulcral à auto-estima dos lisboetas. As intervenções nos lagos, estátuas, pavimentos, zonas verdes, iluminação pública e mobiliário urbano, com orçamento de 987 mil euros têm ainda previsto (e espero que com bom senso) a construção de um espaço de cafetaria, que será concessionada a uma gestão privada.

Por estas linhas aguardo atenta, uma das varandas onde costumo abraçar a cidade, e como escrevia o poeta que empresta o nome ao jardim, me esperam tardes de sonho em que a poesia escorre.

coluna de opinião publicada a 10 de Dezembro no Meia Hora

09 dezembro 2007

saying nothing

07 dezembro 2007

Descobrir l O meu país é sempre onde estou bem


Ruy Belo escreveu um dia que o meu país é sempre onde estou bem.
As nossas cidades estão a ficar diferentes e é com entusiasmo, que confirmo a invasão de outros viajantes do mundo, a quererem apelidar Portugal de nova morada. Com muita coisa ainda por fazer, estes sorrisos livres apaixonam-se pelos mistérios escondidos, de qualquer coisa que não precisa de nome. Vontade em construir bem e um enorme sentido de oportunidade fazem hoje de Lisboa, um lugar onde as palavras passaram a ser mais universais. Por ser uma estreia, hoje dedico estas sugestões a todos os “bons rapazes” e raparigas, que tanto têm iluminado a nossa cidade. É que Lisboa merece muito. E quem tiver abertura de mente, também.

No cortar de fita da página dupla do Meia Hora, sobre descobrir Lisboa, destaquei o Les Mauvais Garçons. É que a minha cantina especial continua a enaltecer as ruas do Bairro Alto. Com a simpatia contagiante do mauvais garçon, David Garcia Gonzalez, um andaluz que trocou as cidades de Paris, Madrid e Barcelona pela magia de Lisboa, aqui está-se bem a qualquer hora do dia. Depois de se render à lasanha vegetariana, à salada de salmão e chèvre, ou ao tourte au canard, não se vá embora sem provar o moelleux au chocolat ou o original bolo de chocolate branco, acompanhado de qualquer chá da Mariage Frères.
mais aqui (página 12 e 13)

1972


no dia em que o céu te recebeu,
abraço-te sempre

como mereces.

05 dezembro 2007

Lisboa merecia


hoje ouvi isto
nas ruas da minha cidade.

made in heaven ou não

a minha Lisboa merecia
uma interpretação do grande Freddie.

04 dezembro 2007

Waterfront Developments Symposium


a conferência "Sustainable Urbanism for Waterfront Developments"
vai acontecer esta 6ª feira dia 7 de Dezembro.

mais informação sobre Waterfront Developments Symposium Lisbon 2007 aqui

03 dezembro 2007

O Senso e a Cidade l Make it simple


aqui na página 8 ou
Há uma semana que cheira a Natal nas ruas da capital. Com um protocolo assinado em 1996, entre a União dos Comerciantes do Distrito de Lisboa e a Câmara Municipal, o comércio tradicional é inundado de luz com um orçamento que ronda os 406 mil euros.
Além do bairro da Avenida de Roma, da Rua Ferreira Borges em Campo de Ourique, da Baixa Pombalina, do Chiado, da Rua de Belém, da entrada das Amoreiras, Santa Apolónia e Pedrouços, gozamos ainda de iluminações natalícias no Rossio e na Avenida da Liberdade, sendo estas possíveis com o patrocínio de uma instituição privada. O orçamento teve um corte na ordem dos 60%, o que desinquieta sempre os comerciantes de rua, que lutam contra os impessoais centros comerciais.
Sempre fiel ao "less is more" de Mies van der Rohe, não posso deixar de me desiludir ao procurar sentir as luzes de Natal no Chiado. Com um orçamento mais em conta, poderia ter sido feito uma intervenção mais sóbria e mais condizente com a beleza da nossa cidade branca, que é já tão espontaneamente iluminada. Laços rebuscados, muitas cores sortidas e alguns bolos de noiva não me convidam a respirar a espiritualidade possível, nesta época consumista.
Por isso e oferecendo de graça, desde já, os meus serviços de consultadoria estética para o ano de 2008, faço o apelo: da próxima vez make it simple. O Chiado já é tão bonito, que simples luzes brancas em quantidade seriam com certeza suficientes para o enaltecer. É que como escreveu um dia Eugénio de Andrade, Lisboa é uma rapariga descalça e leve e não precisa de muitas cerejas para brilhar. Eu sei e tu sabias?
coluna de opinião publicada a 3 de Dezembro no Meia Hora

nova vaga



e esta estranha paz
era diante dos infortúnios
o seu único poder


José Tolentino Mendonça, in Antígona e a lei dos homens

nouvelle vague


mais aqui

28 novembro 2007

o voo de Teresa


Teresa Salgueiro decidiu sair dos Madredeus para se dedicar aos seus projectos a solo, mas mantém-se disponível para colaborações futuras com o grupo português, afirmou hoje a cantora. ler mais aqui.

25 novembro 2007

O Senso e a Cidade l Ainda



aqui na página 6 ou

O cinema Quarteto foi encerrado na passada semana, pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais, por falta de sistema de prevenção de incêndios e presença de materiais inflamáveis. Esta carismática sala da sétima arte lisboeta tem reabertura prevista para Dezembro.

Sem tempo certo de recuperação continua AINDA o nº 30 da Rua Domingos Sequeira, o Cinema Paris. Da autoria do Arquitecto Victor Manuel Carvalho Piloto, esta sala de cinema inaugurada em 1931 foi encerrada nos finais da década de setenta e encontra-se hoje em lamentável avançado estado de deterioração. Depois do abandono e de várias possibilidades de recuperação, como um Lidl, uma possível morada da Academia Coral Lisboa Cantat, uma demolição em 2003 travada por contestação dos viajantes da cidade, o edifício acabaria por ser expropriado em 2004.

Burocracias e jurisdições à parte, sei que por trás da fachada em mau estado, existe um potencial pé direito a ser mais um pólo cultural da capital. Para lisboetas e turistas, o sonho desta recuperação envolveria a carreira do eléctrico 28 com a tão visitada Estrela e os bairros de Campo de Ourique, Lapa, Rato e São Bento. Com a basílica ao fundo e as árvores como moldura, não existirão dúvidas que nos encontramos perante um dos postais de excelência da cidade.

Se por uma infeliz passividade sem perdão, um dia esta casa vier a baixo, recordarei para sempre o Cinema Paris, no imortal Lisbon Story do Wim Wenders. Com o Ainda dos Madredeus como música de fundo, por estas linhas vou dizendo certas coisas. São verdades, são procuras sempre com a certeza de quem alcança, mora longe.

coluna de opinião publicada a 26 de Novembro no jornal Meia Hora.


la vieille grotte


à volta,
com os amigos,
"si le livre est ton corps,
mes mains seront ta bouche". DMM

24 novembro 2007

um dia


serei.
quando for grande.

21 novembro 2007

eléctrico 24


excelente notícia

green destiny


na arcádia grega,
fecha-se o ciclo
e abrem-se as comportas.

20 novembro 2007

encontro


a beleza dos plátanos,
cobriu de dourado a nossa cidade.

a espiritualidade
está em encontros tão simples.

19 novembro 2007

O Senso e a Cidade l E fez-se Luz



aqui na página 6 ou
Ao observar o Aqueduto das Águas Livres, concretamente a Arcaria do Vale de Alcântara, volto a sentir com imensidão a cidade solta nos cabelos.
Com 941 metros de comprimento e 65 metros de altura, os 35 arcos constituídos por 14 ogivais e 21 de volta perfeita são um marco importante da história de Lisboa. Ao contemplar este monumento, do magnânimo reinado de D. João V estendo um sorriso, e desta vez mais iluminado.
Depois de dois anos sem luz, por degradação do anterior dispendioso sistema de iluminação, a magnífica obra de engenharia hidráulica volta a envolver-se com a magia nocturna da capital. Com comparticipação da EPAL, entidade que gere o Aqueduto, a Divisão de Iluminação Pública da CML remodelou os projectores no passado 8 de Novembro, colocados hoje no cimo dos seus pilares. Com a projecção equacionada em linhas de luz, de cima para baixo, os detalhes arquitectónicos estão agora mais realçados. Com uma nova concepção, mais eficiente e económica, o sistema baseia-se em lâmpadas de baixo consumo e de grande durabilidade, poupando muita energia, com uma redução de custos na ordem dos 90%.
Com probabilidade de algum príncipe desta cidade me imaginar de braço dado ao Velho do Restelo, imagem que reconheço sempre com um orgulho justo, não fosse esta coluna também sobre bom senso, hoje a nota é radiosamente positiva.
É que mesmo tropeçando na passividade de não querer ter mais e melhor, estamos sempre a tempo de alcançar a excelência, e numa outra mensagem, amar o património à noite vale sempre a pena, só é preciso que a luz não seja pequena.
coluna de opinião publicada a 19 de Novembro no jornal Meia Hora.

16 novembro 2007

banho de chuva


no dia nacional do Mar,
as cinderelas contemporâneas
já não perdem sapatos de cristal.

mais aqui

15 novembro 2007

0708


todos os dias.

13 novembro 2007

O Senso e a Cidade l O Mata Rato


aqui na página 7 ou

Aprovado em 2005, pela vereadora Eduarda Napoleão, ainda na autarquia presidida por Santana Lopes, e com aprovação do IPPAR (IGESPAR desde Março), o imóvel da autoria de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus, aguarda apenas a aprovação da licença de construção, pela CML. Composto por 7 pisos acima do solo e 5 de estacionamento, com fachadas entre os 19 e os 22 metros, 10.000 metros quadrados em gaveto com apartamentos T0 e T2, o prédio terá lugar entre a Rua Alexandre Herculano, Largo do Rato e Rua do Salitre.

A construção do edifício promete muita polémica entre defensores do enquadramento histórico e adeptos de soluções arquitectónicas de ruptura. Há quem diga que a primeira impressão marca sempre, e a minha tem a percepção de uma volumetria excessiva, para aquele largo que se tem vindo a tornar numa passagem de veículos poluentes.

Os prédios laterais perderão a estrutura e o Chafariz do Rato, do século XVIII, perderá enaltecimento. A construção do edifício obrigará à demolição de imóveis como a centenária Associação Escolar de São Mamede e a Sinagoga de Lisboa ficará ainda mais engasgada. Olhando para as Avenidas próximas, penso que os exemplos de ruptura deixam muito a desejar e o prédio vizinho da Império nem precisa de comentários.

É certo que as cidades tem de crescer, mudar e evoluir. A diferença está em transformarem-se com qualidade e coerência urbanística. Não duvido da qualidade arquitectónica do edifício, mas será este o lugar certo para o colocar? Na dúvida e para não continuar a descaracterizar a nossa cidade, melhor que fazerem mal, é não fazerem nada.

coluna de opinião publicada a 13 de Novembro no jornal Meia Hora.

entre aqui para votar neste projecto.

obrigatório ler

este post do Henrique Burnay

11 novembro 2007

mais Um dia por Lisboa



Um dia por Lisboa, o Tejo e tudo, Teatro S.Luiz, 12 Novembro, das 18h às 23h
«O que fazer e não fazer com a Frente Ribeirinha de Lisboa

Numa iniciativa do grupo “Um dia Por Lisboa”, dia 12 de Novembro, das 18 às 24h, no Teatro S. Luís, no Jardim de Inverno, estarão presentes várias personalidades, especialistas e opinion makers, que vão intervir sobre os seguintes temas:

Tejo ­– usos do Rio e das suas margens
A Margem Ribeirinha, Planos e Projectos
A Administração da Frente de Rio

O cidadãos residentes e utentes de Lisboa, além de serem convidados a estar presentes, terão também um papel activo nesta discussão, nos “Speakers Corner”, cabines com sistema de gravação, onde poderão deixar os seus depoimentos e opiniões sobre os temas em discussão

Programa:
18h às 21h00- Intervenções de, entre outros :
António Câmara, Nuno Portas, Gonçalo Ribeiro Telles; Raquel Henriques da Silva; Nuno Teotónio Pereira; Jorge Gaspar; Augusto Mateus ; Paulo Saragoça da Matta, José António Pinto Ribeiro

21h30 – Debate com os responsáveis decisores da zona ribeirinha e da cidade de Lisboa: Presidente da CML António Costa*, Manuell Salgado, Vereador do Planeamento Urbano da CML, Manuel Frasquilho ­‑ APL, Fonseca Ferreira ­‑CCDR de Lisboa, José Miguel Júdice, e Rolando Borges Martins ­‑ Parque Expo

08 novembro 2007

para quem merece



a pele é o órgão de revestimento externo do corpo, sendo o maior do corpo humano e o mais pesado, responsável pela proteção do organismo.

07 novembro 2007

baliza


la realidad hay que sobrevivirla.
los sueños hay que perseguirlos y vivirlos.

06 novembro 2007

obrigatório ver


"roubado" aqui

linie 24


curioso este artigo de um blog alemão que considera a campanha pelo regresso da Linha 24 de eléctrico clássico como um projecto "importantíssimo para o desenvolvimento do turismo de qualidade em Lisboa". Ainda convida os alemães a assinarem a petição. Nós agradecemos.

05 novembro 2007

O Senso e a Cidade l A devolução do 24


aqui na página 7 ou

No passado dia 2 de Novembro, comemorou-se o centenário do nascimento da carreira do eléctrico 24. Nascida em 1907, esta linha percorria bairros como o Carmo, o Príncipe Real, o Rato, as Amoreiras ou Campolide, unindo o Cais do Sodré ao Alto de São João.

Suspensa temporariamente desde 28 de Agosto de 1995, devido às obras de construção do parque de estacionamento de Campolide, a falta desta linha deixou Lisboa carismaticamente mais pobre. Existe um protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Carris, para activar o percurso de Campolide ao Largo do Carmo, após conclusão das obras do passadiço do Elevador de Santa Justa, sendo que as mesmas já terminaram.

Representando uma espinha dorsal, para pontos de atracção de excelência da cidade, como o Chiado e o Bairro Alto, não faria todo o sentido, devolver o 24, não só aos lisboetas, mas também aos nossos turistas?

Numa altura em que as grandes cidades mundiais, repensam a utilização dos meios de transporte, preferencialmente amigos do ambiente, evitando o automóvel nos centros históricos, não será fulcral repensar a rede de eléctricos da capital?

Porque acredito que o 24 poderá tornar-se num novo ícone lisboeta, relembro com cumplicidade as palavras de Fernando Namora. Os donos desta cidade não são furiosos automóveis, de garganta estridente, que aos poucos, foram aterrando a peonagem até chamar a si monopólio da via publica. Os eléctricos são os donos da cidade. Neles, os citadinos têm a sua última oportunidade de saber onde vivem e com quem vivem. Nos eléctricos enfim, as pessoas humanizam-se e a cidade desenruga-se.
coluna de opinião publicada a 5 de Novembro no jornal Meia Hora.
entre aqui para assinar a petição.

01 novembro 2007

corte de cabelo


por hoje
a existência molda-se assim.

transmissão


enquanto me descobres
redefino os contornos.
somos ainda maiores
quando não nos perdemos.

30 outubro 2007

the brave one

in the burning of uncertainty.
obrigada pela devolução.

365 dias


o caminho
persegue exigente.

obrigada a todos os que andaram por aí.

28 outubro 2007

O Senso e a Cidade l Mais ingredientes para a Marca Portugal


aqui, aqui ou

Para bem dos nossos pecados, já está on-line o site do Fabrico Próprio, um projecto dedicado à Pastelaria Semi-Industrial Portuguesa e à sua relação com o design. Com autoria dos designers portugueses Rita João, Pedro Ferreira e Frederico Duarte, os nossos bolos estão a ser inventariados como “objectos de design de pleno direito, como o resultado de um processo de natureza projectual que caracteriza esta disciplina, onde forma, ingredientes, materiais, método e instrumentos de fabrico, se conjugam para chegar a um produto final.”

Na morada fabricoproprio.net, podemos acompanhar a concepção do futuro livro bilingue (português e inglês), com mais de 250 páginas, e que registará a nível fotográfico e enciclopédico, todos os bolos que identificamos em Portugal como Pastelaria Semi-Industrial Portuguesa.

Com um subsídio da Direcção Geral das Artes do Ministério da Cultura Português, e com o apoio institucional da AICEP - Portugal Global, do Centro Português de Design, da Embaixada de Portugal em Tóquio e do Centro Cultural Português no Japão, procuram-se ainda potenciais parceiros e patrocinadores para o projecto.

Sempre difíceis de repetir em casa, as receitas secretas, mas com acesso a todos, em qualquer balcão de café das cidades portuguesas, não deixam dúvida que a nossa pastelaria quotidiana é única no mundo. Nota vinte para esta iniciativa, fundamental para melhor conhecer esta fatia da nossa cultura, componente do nosso património gastronómico e que tanto contribui para a desejada marca Portugal. Relembrando um poema de Cesariny, numa alegria orgulhosa, mas que nada tem de surrealista, à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo, no riso admirável de quem sabe e gosta.

coluna de opinião publicada a 29 de Outubro no jornal Meia Hora.

evening


na expectativa,
ou em qualquer erro inexistente
a certeza,


de uma serenidade
sempre livre.

24 outubro 2007

um lux às quartas




Lisboa está ainda mais única aqui.

23 outubro 2007

a nona



quem já conseguiu o maior tesouro
de ser o amigo de um amigo,
quem já conquistou uma mulher amável
(...)
ela nos deu beijos e vinho e
um amigo leal até a morte.

22 outubro 2007

Mariza no David Letterman's Show

estado de insegurança


K., correu para a frente, agarrou-a, beijo-a na boca e depois em todo o rosto, como se fosse um animal sedento, lambendo desenfreadamente a superfície da água da fonte
finalmente encontrada.

O Senso e a Cidade l O Abraço de Prata


Lisboa convida-nos mais uma vez à palavra envolvência. No passado dia 12 de Outubro, na antiga Fábrica de Armas do Braço de Prata, aconteceu a Festa do Festival do Cinema Francês em conjunto com a Festa Lomo. Quem lá esteve confirma que a nossa cidade está a ficar diferente.

Num piso térreo com setecentos metros quadrados, num edifício de 1908, José Pinho da carismática livraria Ler Devagar e Nuno Nabais da Eterno Retorno surpreenderam os lisboetas com um projecto alternativo, a Fábrica do Braço de Prata. Aqui respiram-se livros, sentem-se exposições, conhecemos pessoas, tornamo-nos mais humanos e mais felizes por viver em Lisboa. Com nomes que nos convidam a descobrir segredos escondidos, as várias salas Kafka, Nietzche, Arendt, Deleuze, Virginia Woolf, Turing, Artaud, Tcekov, Visconti, Marguerite Duras e Beauvoir fazem deste espaço com ambiente minimalista, um lugar urgente a descobrir.

Uma livraria, uma sala dedicada à sétima arte com sessões de Quinta a Domingo, um café onde se pode petiscar fora de horas, um bar de jazz ao vivo com concertos todas as Sextas, uma sala para teatro (ensaios e espectáculos), uma loja de discos, uma loja de roupa em segunda-mão, uma galeria de arte, vários espaços para exposições temporárias, tertúlias e lançamentos e ainda uma esplanada constituem esta nova casa da cultura lisboeta. Para o futuro está previsto um cinema ao ar livre, há muito esperado pelo excelente clima da nossa capital.

Depois de uma noite, onde observei um sonho implementado, imagens presentes e sorrisos livres, partilho este enorme e profundo abraço de prata, que me faz acreditar que Lisboa está de facto a acontecer.
coluna de opinião publicada a 22 de Outubro no jornal Meia Hora

17 outubro 2007

to move

a vida

é perfeita.

16 outubro 2007

abraços de prata


em cada ferida que sara escondida do mundo
tu és igual a mim.

15 outubro 2007

quero-te bem


nos dias em que vens do nada,
as ambivalências curam o voo livre
das asas sem medo.

hoje
e sem amanhã,

não quero adormecer.

09 outubro 2007

ambivalência


o que de mais belo soube,
sempre o disse de repente
a alguém que não conhecia.

O Senso e a Cidade l Decadência no Conservatório



Inaugurado em 1881 e situado no antigo Convento dos Caetanos, no Bairro Alto, o Salão Nobre do Conservatório Nacional, da autoria do arquitecto Eugénio Cotrim, precisa urgentemente de obras de recuperação.
Além do magnífico tecto pintado por José Malhoa, o salão dispõe de uma acústica de excelência, a qual tem permitido preferência a gravação de discos e grandes elogios de vários artistas internacionais: Karl Leister (clarinetista solista da Orquestra Filarmónica de Berlim), Anthony Pey (solista inglês de grande nomeada), e de cantores como Peter Schreier, Sarah Walker e Mara Zampieri.
Desde a década de quarenta que não se efectuaram obras de manutenção, originando a degradação desta emblemática sala oitocentista. Paredes e tectos esburacados, um balcão lateral suportado por varões de ferro por estar em risco de ruir, um número considerável de cadeiras totalmente destruídas, cortinas rasgadas, camarins em precárias condições, alcatifas gastas e fios eléctricos visíveis, são alguns dos registos que denunciam uma intervenção de preservação urgente.
Em 2005 foi publicado um concurso público (DR - 3ª Série nº 239 de 15/12/2005 – Recuperação do Salão Nobre, galeria, palco, sub-palco, salas de apoio e cobertura-1ª fase - empreitada 135/05), o qual foi cancelado sem justificação. Tratando-se de um equipamento cultural indispensável, não só às actividades do Conservatório Nacional, mas também como pólo dinamizador do Bairro Alto e da nossa Lisboa, apelo mais uma vez e por estas linhas, ao bom senso das Ministras da Cultura e da Educação, de não permitir o ponto do não retorno.
coluna de opinião publicada a 8 de Outubro no jornal Meia Hora

03 outubro 2007

O Senso e a Cidade l Terminal de Cruzeiros



aqui ou

Para evitar mais um virar de costas da cidade ao rio, o Fórum Cidadania Lisboa e a Associação do Património e da População de Alfama debateram na passada 5ª feira, a construção do terminal de cruzeiros, em Santa Apolónia, uma obra da Administração do Porto de Lisboa. Com conclusão prevista para 2010, prevê-se a construção de um muro com seis metros de altura e cerca de 600 metros de comprimento.

Apesar de convidada, a APL não se fez representar no debate, o que me deixou bastante preocupada. A obra dispensa licenciamento camarário, por ser da responsabilidade da APL, entidade tutelada pelo Ministério das Obras Públicas, a qual tem jurisdição sobre a frente ribeirinha da cidade. O advogado José Miguel Júdice, que poderá vir a coordenar três sociedades para a reabilitação da frente Tejo, e o vereador dos espaços verdes da cidade, José de Sá Fernandes, asseguraram-nos a palavra “descanso” contra esta inacreditável parede, entre o bairro de Alfama e o Tejo. Como gata escaldada tenho receio de mais um balde de água fria, e não meus senhores, não dormirei descansada.

Concordo que Lisboa precisa de um porto e de um terminal de cruzeiros, a questão será “onde”. Nos cerca de 13 Km de Frente Tejo, não haverá um lugar menos prejudicial à vida dos que cá moram? Enquanto cidadã activa, penso ser urgente o governo colocar o projecto em discussão pública. É que antes de ser dos turistas, Lisboa é dos lisboetas e a energia de uma cidade está também nos sorrisos de quem a habita. Usando a boa expressão “matinal” de quem não dorme, se não formos nós a gostar da nossa cidade, quem gostará?

coluna de opinião publicada a 1 de Outubro no jornal Meia Hora
boa novidade e depois da data deste artigo aqui.

02 outubro 2007

homenagem


a unica verdadeira prisão é o medo
e a unica verdadeira liberdade nasce da libertação do medo.
Aung San Suu Kyi
(com especial agradecimento ao ao meu amigo JM)

29 setembro 2007

al femme


tant que tu me montres ta Lisbonne,
la ville partage les oportunitées.

26 setembro 2007

número um


Sabem aqueles dias em que nos prendem o carro logo pela amanhã, deixamos cair o telemóvel num chão de mármore, pingamos as calças brancas de molho de salada (quando temos a inauguração da Kiehl’s, no Chiado ao fim da tarde e já não vamos a casa) e ainda vamos à Pizzaria Casanova tirar uma fotografia, para um artigo sobre Lisboa e está um barco a tapar a vista do rio? Hoje foi um destes dias, mas já me formatei há algum tempo, para não dar confiança aos pequenos “desafios” da vida.
Não há o Tejo na fotografia, mas há chá frio com canela e a Time Out Lisboa número um para me acompanhar ao almoço. Não bastaram mais de dois minutos, para meio restaurante olhar para a minha gargalhada solitária. A culpa é da página dez e da "mentira para contar aos turistas", sobre o Elevador da Glória.
Apetece-me desligar o som da cidade, enquanto a devoro egoisticamente sozinha. Agora é só mergulhar na nossa Lisboa, tão única, que pela mão deste projecto deliciosamente ambicioso, está ainda mais apetecível. É mesmo caso para dizer que a nossa cidade nunca mais será a mesma. Parabéns e queremos mais.

24 setembro 2007

O Senso e a Cidade l Cinema Odéon



aqui ou

Fará sentido festejarmos os anos de vida de um morto? No caso do Cinema Odéon, indiscutivelmente que sim.

Situado na Rua dos Condes, em frente ao Olympia e de mão dada à Avenida da Liberdade, sobrevive hoje um ex-líbris do cinema de outrora da cidade de Lisboa, projectado por Guilherme A. Soares.

Oitenta anos depois do dia 21 de Setembro de 1927, a Cinemateca em colaboração com o Forúm Cidadania Lisboa, prestou homenagem a esta magnífica sala de cinema, que tanto preencheu o circuito cultural da nossa cidade branca. Na passada sexta-feira e projectado ao som de piano, foi relembrado o filme mudo A Viúva Alegre de Erich von Stroheim, o mesmo com que o Odéon se estreou há oito décadas atrás.

Sem voz permaneço eu também, cada vez que observo os vidros estilhaçados, sempre que me passeio nas Portas de Santo Antão. E em vez de ocupar o silêncio com as teclas de um instrumento de cauda, prefiro escrever sobre estas linhas, o barulho da minha indignação.

Um palco de frontão Art Déco, uma magnânima plateia e dois balcões, camarotes sumptuosos, um tecto em pau do Brasil com a forma de quilha de navio, um lustre central decorado com néon, um mecanismo que permite iluminar a sala com luz natural, um pé direito invulgar e uma fachada revestida de vidros de várias cores, são mais do que suficientes para não aceitar a degradação deste edifício, que aumenta de dia para dia.

Em vias de classificação, apelo ao Ippar e à Câmara Municipal de Lisboa, a ressuscitação do maltratado Cinema Odéon, com o exercício do direito de preferência para recuperação integral, não fosse uma cidade precisar de detalhes vivos, para ser única e orgulhosamente nossa.

coluna de opinião publicada a 24 Setembro no jornal Meia Hora

23 setembro 2007

debate


17 setembro 2007

O Senso e a Cidade l Time Out Lisboa



No dia em que tropecei na Invenção do Amor de Daniel Filipe o meu conceito de futuro nunca mais foi o mesmo. Não basta encher de sonhos a mala de viagem. É preciso sorrir, encher a escuridão de árvores sem nome.

Cais da Pedra em Santa Apolónia, Lux, 23H58 do dia 13 de Setembro de 2007 nasce o número zero da Time Out Lisboa. Não para turistas mas para nós lisboetas, a promessa de uma revista irreverente e criativa com edição semanal, à semelhança das revistas de Nova York, Londres ou Chicago. Ambicioso? Saborosamente e decerto que sim.

Depois de quatro anos em Londres como correspondente da Lusa e da TSF, João Cepeda e o ex- editor da secção "Sociedade" do Diário de Notícias, João Miguel Tavares resolvem bater no ombro de Tony Elliot propondo Lisboa a uma das mais fortes marcas de guias a nível mundial nascida em Londres em 1968. A partir de 26 de Setembro, uma equipa com rasgo na casa dos trinta anos propõe todas as quartas-feiras e pelo valor de € 2, cem páginas de divulgação de cultura e lazer. Um projecto onde o fado em vez de triste e saudosista tem lugar como um sentimento convictamente cool. Guia del Ocio em Madrid, Pariscope em Paris e finalmente Time Out Lisboa. Passo-me a sentir mais alinhada às medidas europeias.

A disponibilidade a nós mesmos, as nossas prioridades e interesses, a alegria de viver o presente, acreditar nos sonhos e a grande capacidade de os tentar construir fazem a diferença no nosso contributo à vida de uma cidade. Talvez hoje não estivesse a escrever estas linhas sobre estas páginas se três empreendedores recém-licenciados não tivessem também conseguido implementar um projecto de que muitos duvidaram à partida. Tenho a certeza que todos estes viajantes se cruzaram com as palavras “complicado” e “impossível” mas souberam sempre correr atrás.

Isso prova que o maior património de uma Lisboa mais rica são as pessoas e como dizia o nosso querido Ruy Belo, o que é preciso é dar lugar aos pássaros nas ruas da cidade.

coluna de opinião publicada a 17 Setembro no jornal Meia Hora

11 setembro 2007

O Senso e a Cidade l Os pisos térreos do Terreiro do Paço


aqui ou
Filha de um alfarrabista e com uma infância entre livros e palavras lembro-me muitas vezes da limitação de espaço de Almada Negreiros que numa Invenção de um Dia Claro não teria vida suficiente para ler todos os livros de uma livraria. Esse sonho dispensaria as pessoas, essa grande riqueza que mais me move quando penso na ideia de uma cidade. A minha angústia será sempre outra… a de não ter anos de vida suficientes para ver o Terreiro do Paço como sempre o imaginei. Mesmo ainda não tendo realizado o sonho de chegar a São Petersburgo de barco defenderei para sempre a nossa praça como a mais bonita e com mais potencial da Europa.

Desde o mês passado que aos Domingos a Praça do Comércio passou a ser das Pessoas. A iniciativa implica o encerramento ao tráfego automóvel das laterais do Terreiro do Paço e o troço da Ribeira das Naus entre o Largo do Corpo Santo e o Campo das Cebolas. Uma exposição de fotografia, aulas de Yoga, venda de flores, aluguer de bicicletas, venda de livros, uma biblioteca itinerante, um ciclo de cinema documental sobre Lisboa ou mesmo um Quarteto de Jazz do Hot Clube passaram a dar mais vida a esta jóia da coroa lisboeta. Está melhor, mas não chega.

Numa semana em que António Costa, Manuel Salgado, José Sócrates, José Miguel Júdice, Nunes Correia e Paula Vitorino reorganizaram ideias para a reabilitação da frente ribeirinha e em que Maria José Nogueira Pinto volta a estar à frente do projecto Baixa-Chiado quero continuar a desejar muito mais da nossa cidade branca. Retirem sim as lojas dos chineses do comércio tradicional da Baixa em decadência, mas libertem os pisos térreos do Terreiro do Paço e tragam mais Martinhos da Arcada, para nós “Pessoas” nacionais e estrangeiras vivermos uma cidade dignificantemente europeia.

Enquanto espero pela devolução do Cais das Colunas ao remetente desejarei semanalmente e por estas linhas uma cidade viva e preservada que tudo tem de mão beijada. Uma cidade que afinal apenas precisa de pessoas e do seu bom senso.
coluna de opinião publicada a 11 Setembro no jornal Meia Hora

08 setembro 2007

secouent


hoje agarramos a beleza,
como a areia que esvoaça.

sempre livre.

07 setembro 2007

1970 - 2007


hoje debaixo da terra
a atmosfera liberta-se
até ao reencontro.