sss



19 agosto 2009

ao som de Lykke Li



Dance, dance, dance. Podia ser o nome de uma música da Lykke Li, mas quando escrevo o título de uma das músicas mais tocadas no meu ipod lembro-me da minha sugestão deste querido mês de Agosto. Nomes de filmes à parte, escolho para sugestão do mais dourado guia da cidade: dançar. Dançar e mover-se pelas luzes nocturnas de Lisboa, onde a oferta contrastante se rende às vibrações mais apetecíveis. Muitos são os que partem, mas a cidade reconhece-se consistente com as duas maiores novidades estivais. Na primeira partilha, a mais fashion e fresca bebida do Verão surge como um elogio a um estilo de vida: o Martini Rosato bebe-se de sorriso rasgado, com gelo e hortelã. Ainda no rasto do glamour, a nova praia da capital é a morada mais genial para os que ficam a tomar conta de Lisboa durante o Verão. Rodeada de Tejo por todos os lados e com uma sofisticação que apenas vivi nos bares e esplanadas em terras helénicas, este irmão do conhecido Kubo surge como um elogio ao Tejo: a envolvência é de tirar a respiração. Seja nas pistas de dança a céu aberto, seja no Silk, no Tamariz ou no Lollipop, a ordem é para dançar. Se os tempos quentes o levarem a terras do Sul, a não perder durante o mês de Agosto as festas numa morada que promete: o Faces receberá a tão esperada Jameson Summer Seriously Playful Party no dia 4, a Muum Summer Moon Party no dia 8, a 1001 Noites Beefeater no dia 10 e a Chivas Chivelery Party no dia 18. Por isso: dance, dance, dance.

Lisbon Golden Guide, Agosto 2009

prodigiosas



reponho neste post a imagem que acompanha a segunda pele de Alberto Caeiro.

um dos meus amigos mais queridos está me sempre a lembrar duas frases. a primeira que um ser humano não se avalia pela quantidade de vezes que cai, mas pela maneira com que se levanta. a outra diz que as palavras podem ser muito bonitas, mas será sempre nos actos que se distingue a verdadeira essência dos seres humanos.

estou com a nítida alegria - e não tenho a certeza porque o partilho - que me sinto mais humana na verdade mesmo que a mesma implique desertos mais longos. não sei - enquanto humanidade - no que nos estamos a tornar e pergunto-me muitas vezes como é que a beleza de tantos seres humanos se permitiu a tanta vivência descartável e a tanta "prostituição por migalhas". e quando escrevo esta frase observo-me mergulhada em humildade e silêncio, cúmplice dos que vivem o desafio de falar a mais ousada das linguagens, a da frontalidade com a sua alma.

confesso ainda, que este tipo de exposição no blog me tem surpreendido e por momentos quase que aceito - teaser de um amigo que me conhece bem - escrever a minha versão de um Bilhete de Identidade (testemunho de vida de Maria Filomena Mónica que tanto me ajudou a tomar a decisão mais difícil e vitoriosa do meu percurso de vida). o caminho terá de ser construído em verdade, e detentora de fibra - importante referir que a mesma não é virtual - vou continuar a acreditar na beleza do ser humano.

dizem-me que Plutão em Capricórnio está a mexer nas "estruturas". o que quer que isso signifique, a verticalidade será uma opção vencedora dos homens e mulheres, aos quais ouso chamar de pessoas, pessoas prodigiosas.

na destreza da distância



não me canso de ter a certeza que um dia quando partirmos, levaremos apenas duas coisas: a nossa experiência de vida e as memórias que deixaremos nos outros. nem que seja pela segunda, vale por isso sermos seres humanos inteiros e coerentes ao lado mais puro do que é ser humano mais limpo.
por vezes, não são precisos muitos minutos para a distância nos revelar o que nunca tivémos coragem para aceitar. a imaginação é uma fábrica prodigiosa daquilo que desejamos que seja o Mundo. mas o Mundo, esse legado de acontecimentos mais vezes densos do que leves, oferece-nos tudo de bandeja para optarmos pela dignidade mais fiel à nossa essência. no final fica a leveza de uma alma livre, aquela mesma sensação quando observamos a nossa verticalidade ao espelho: um auto-retrato sem grandes nódoas.

18 agosto 2009

a menina dança



a menina dança e sem interrogação.

tive o privilégio de o dançar durante quase duas horas. o par foi um sueco do qual não me lembro do nome e que provavelmente não voltarei a ver (a não ser que estejamos lá caídos para o ano).
é assim o andanças, um palco livre onde se chega para dançar com o desconhecido.
uma das noites a tenda dois quase ruiu, com a Musette, a Polka, o Tango, a Bossa Nova, o Jazz. Astor Piazzolla, Richard Galliano ou Tom Jobim. tudo pelos som de um acordeão em mãos lusitanas. se não imaginaria um escandinavo a acompanhar tão bem os meus ritmos latinos, o talento do João Gentil acompanhado do Luís Formiga foi sem dúvida - na minha experiência - o momento mais alto do andanças.



negócios de família



a actividade leiloeira em Portugal é pesada e pouco fresca, e que há coisas que podem ter cotação" fora dos mercados mais tradicionais.

A P4 vai leiloar o espólio pessoal do cantor, 25 anos após a sua morte. Objectos, fotografias, roupas, correspondência. É a primeira vez que a memorabilia de um músico pop vai a leilão em Portugal. Em Novembro, saberemos se estava na altura de coleccionar António Variações

António Variações era um coleccionador - de santinhos, de bonecos de plástico nus e carecas como bebés, de faiança portuguesa, o que confirma o "folclorista" que ele era (era assim que se definia musicalmente). Tudo isso está registado em fotografias tiradas em casa de Variações (as paredes são verdes, não há que enganar) e tudo isso, incluindo as fotografias, irá a leilão em Novembro.

A P4, a casa que no ano passado leiloou o conteúdo da mítica arca de Fernando Pessoa, chegou a acordo com a família do cantor - oito irmãos, a viver entre Braga e Londres - para leiloar o espólio pessoal de António Variações, que inclui manuscritos, correspondência, objectos pessoais, guarda-roupa, fotografias inéditas. Polaróides tiradas em Nova Iorque. António antes de ser Variações, a preto e branco, um mancebo sem barba rija, em tronco nu no meio do mato. Com os pais, ou na tropa em Angola. As sessões de fotografias na Fonte da Telha, com pulseiras feitas de dobradiças, tesoura a fazer de óculos e traje minimal.
Um programa de concerto de Amália Rodrigues, autografado pela própria: "Para o António, tão bonito que parece estrangeiro...". O casaco xadrez Pierre Cardin. Os brincos. Um esboço da capa do primeiro álbum, Anjo da Guarda.

mais aqui

16 agosto 2009

as três vidas



um viajante da cidade imagina-me a desfrutar alegremente de momentos com o qual até poderia ter muito pouco a ver. mas essa – confessa-me – parecia-lhe ser precisamente uma das minhas grandes qualidades: apreciar pessoas e coisas tão diferentes de mim. e chama-lhe de qualidade rara.

foi preciso tempo para amadurecer. o crescimento e o meu esclarecimento sobre o funcionamento do Mundo levou-me a uma intenção transversal, onde me revejo nas muitas vidas que paralelas seguem um caminho. lado a lado. e se uns dias sinto também o peso sobre os ombros, ou a intensidade das camadas da solidão, hoje rasgo o sorriso quando caminho pelas ruas da cidade. o edifício já abanou, mas nunca ruiu.

jamais me sentirei pronta para o Mundo e são muitos os dias em que admiro sem partilha, o testemunho do homem de braços largos, que apenas fala no meu silêncio mais puro. e com a certeza de me sentir protegida no espectáculo enfadonho e miserável da existência, aceito os desertos sem água, muitos deles sem resposta, muitos deles sem verdade.

num destes dias cruzei-me finalmente com o autor deste livro. um amigo comum já me tinha falado muito dele, com a descrição de que era um companheiro de desafios sempre superados e com quem se poderia contar em caso de vida ou de morte. pouco sabia sobre ele, a não ser um livro de capa a preto e branco com um titulo a néon cor-de-rosa, com o qual muitas vezes me cruzava nos cúmplices corredores da FNAC do Chiado.

Quid Pro Quo e troco uma segunda pele da criarte com o último dos seus romances. um negócio injusto depois da intensidade das palavras que me iluminaram nos últimos dias. Ruy Belo será sempre um dos meus autores poderosos, mas sei reconhecer que há confirmações nas palavras dos outros que nem às paredes confessamos.

as verdades tropeçam pela noite dentro.
num conjunto de viajantes há sempre um que tem um brilho maior. hoje reconheço a diferença pela verdade: só sei viver assim e faço-o por conta e risco. e nesses minutos revejo-me numa das linhas mais poderosas destas páginas: se procurarmos a verdade, não devemos fazer pequenas concessões que, mais cedo ou mais tarde, acabam por se transformar em monstros de egoísmo que pedem incessantemente por mais.

nas palavras do autor observo-me no brilho incandescente, uma resposta a muitas das questões partilhadas. é desafiante viver o presente: o passado molda-nos, o futuro oferece-nos a ansiedade e o sonho. (renderei-me sempre à ansiedade como a última opção. darei primazia ao sonho). e confesso ainda que me revejo na esperança, mas descarto o temor para resolver os mistérios do Mundo.

a grande resposta estava afinal na última página. por isso recolho todas as palavras - as do livro e as outras - com um imenso abraço.

e hoje, enquanto os caminhos não recomeçam,
construo um corpo iluminado por dentro.
e imagino-me
por momentos, debaixo de uma árvore a fechar os olhos.

to trust

15 agosto 2009

a mancha humana

emprestado pelo irmão de sangue, mais uma adaptação do autor isolado que se foca na inteligência, na consciência. sempre "com palavras despudoradas", a fragilidade na complexidade das emoções.

-Tenho uma ligação, Nathan. tenho uma ligação com uma mulher de 34 anos. nem lhe sei explicar o bem que me fez.
Durante quarenta anos fez o que era necessário fazer. Andou atarefado, e a natureza, que é a besta, mudou-se para uma caixa. Agora essa caixa está aberta. Ser reitor, ser pai, ser marido, ser intelectual, professor, ler livros, dar lições, corrigir textos, dar notas, tudo isso acabou. Evidentemente que já não é a vigorosa besta lúbrica que foi. Mas o que resta da besta, o que resta dessa coisa natural, é com isso que ele está agora em contacto, com o que resta. E sente-se feliz por isso, sente-se grato por estar em contacto com o que resta. Sente-se mais do que feliz: sente-se emocionado, e já está ligado, profundamente ligado a ela, por causa dessa emoção. Não é de família que se trata, a biologia já não lhe serve para nada. Não é família, não é responsabilidade, não é dever, não é dinheiro, não é uma filosofia partilhada ou o amor à literatura, não são grandes discussões de ideias. Não, o que o liga a ela é a emoção. Amanhã descobrem-lhe um cancro e acabou-se.

Mas hoje, agora, tem essa emoção.

14 agosto 2009

a nova


"vou ali e já venho".

12 agosto 2009

andanças



quatro dias com os pés muito sujos, um calor que se cola à pele e que é confirmado pela noite húmida da serra, bebidas servidas em copo marmita de metal, a dita marmita pendurada no gancho, os talheres de madeira, os pratos ecológicos, a comida vegetariana, as intensas tartes de gengibre, mergulhos em lagoas de água pura, cascatas apetecíveis, as costeletas maiores do que o permitido, a broa de milho como nunca antes vista, o vinho escolhido por dois deuses, os trilhos de pedra, o mel caseiro do pequeno almoço da D. Maria do Céu, tendas de muitas cores, as redes penduradas, filas para tomar banho, curvas e contra curvas, poços negros, poços azuis, as sombras das árvores, os livros lidos ao som da natureza, as pulseiras de cores fortes, as intervenções murais, as pulseiras no pé, a certeza da tenda seis, o Tango Novo, o Juan e a Graciana, a Kizomba, o Funáná, a Salsa o Meregue, as danças do mundo e outras tantas. Os malabaristas do fogo, a terapia do abraço, o acordeão do João Gentil, o workshop do sexo tântrico, os imensos rostos com quem tanto dançamos e já nos esquecemos do nome, portugueses a estudar na minha Amesterdão, suecos fascinados pela língua portuguesa, ou filipinos com um sorriso do tamanho do Mundo. Dançarinos de todas as idades e feitios, as calças largas, as ricas, as havainas e outras primas, os fatos macacos e a flexibilidade, e ainda a ausência de um encontro com um livro que atravessou o Atlântico.

em nome da dança e para repetir muitas vezes. mais aqui



















10 agosto 2009

PersonalTime Newsletter nº 4 | Agosto



Muito sal na pele, muito peixe fresco, fins de tarde inadiáveis, intemporais. Mesmo de férias, a PersonalTime vai acompanhá-lo, onde quer que esteja, onde quer que precise. Ideias para quem fica a tomar conta da cidade, um bilhete esgotado, farmácia a altas horas da noite, uma ida ao supermercado ou um presente de última hora. Tudo para não sacrificar o mais sagrado da praia: a hora da luz dourada. Sem muitas palavras neste mês do descanso, o tempo é todo seu. Vá de férias e esqueça-se de tudo. Nós tratamos do resto.
mais aqui

05 agosto 2009

A cidade na ponta dos dedos l No rasto de uma diva


clique na imagem ou se é assinante aqui.

Com uma identidade plena de glamour o Martini Rosato é a bebida mais expansiva deste Verão. Inspirada na frescura dos vinhos Rosé, a sua sensualidade eleva-se pelos sabores intensos do cravinho, da canela e da noz-moscada combinados com a frescura dos aromas da framboesa e do limão. Com ingredientes naturais é perfeito servido com muito gelo, sempre na companhia de folhas de hortelã. Perfeita para o europeu drink after business, a minha escolha elege a esplanada sobre o Tejo do novo bar do Altis Belém, ou a varanda do Shis, na Foz do Porto.

publicado a 1 de Agosto na revista Única do Expresso

19:08


19:18

13:48


29 julho 2009

Lisboa revisitada



Enquanto caminho livre pelas ruas da cidade, abraço a palavra cumplicidade. O sentido de pertença molda-se em silêncios puros, que não já não precisam de nome. Ontem menina e moça, hoje mulher és a minha Lisboa, uma amante por quem vivo uma paixão compulsiva. Desejando-te uma feminilidade balzaquiana, procuro-te ainda um mais digno Terreiro do Paço, a recuperação dos edifícios devolutos, a substituição das inexplicáveis esplanadas de plástico, uma Baixa Pombalina com sorrisos nocturnos, ou mesmo uma perseverança e uma vontade mais sentida. Mas foi nos dias em que te troquei pela justa e rigorosa Amesterdão ou pela alegre e caótica Atenas, que realizei numa certeza mais limpa, a bênção de um Tejo que nos abraça. Talvez por isso, e apesar do que te falta, não ousei trocar-te pela movida de Madrid. Sonhos e futuros à parte, sempre misteriosa, a minha cidade branca continua a atrair viajantes, sejam eles descobridores por tempo certo, ou vidas livres que passaram a chamar pátria à nossa capital. E perante a energia presente, onde se vive a ideia de mundo, os alternativos pontos de encontro fazem-me trocar pensamentos e palavras mais europeias. Por isso agradeço os novos lugares que hoje habito. Lisboa está, sem dúvida, mais iluminada e se muitos acusam ainda o ”tanto por fazer”, apenas me revejo na palavra oportunidade. Entre as esquinas escondidas e os tapetes de folhas de plátanos que testemunham o Outono futuro, sei que Lisboa é insubstituível. E se o caminho é longo, para nunca deixar de a sonhar, nas suas sete colinas me enaltecerei. Sempre.

(re)publicado na Revista de Turismo de Lisboa

27 julho 2009

e por falar em refrescos


estão lá todos: o capilé, a gasosa, a ginja, o pirolito e até a castanheira.
o quiosque fica na praça mais bonita e mais maltratada da cidade, a Praça de São Paulo.
Catarina e João, para quando mais uma recuperação a juntar aos vossos feitos estóicos por Lisboa?


refresco sobre a cidade



O Verão reconhece os viajantes que percorrem as colinas, enquanto a cidade flutua com a brisa atlântica a arejar as esquinas da cidade. “Mas e o refresco, onde está o refresco?” Os quiosques devolvidos à cidade - nas Praças do Camões, Praça das Flores e Praça do Príncipe Real - marcam ponto de encontro com bebidas inspiradas em receitas centenárias. Confeccionadas com menos açúcar, a limonada chic, a famosa orchata, o chá gelado com jasmim ou o capilé são escolhas geniais para quem deambula pelas calçadas portuguesas. Mas a imagem cénica de Lisboa merece bem que observemos o Tejo de frente: a companhia do granizado de melão servido pelo Tiago na varanda do Hotel do Bairro Alto, o esfusiante Porto Tónico do Luís Baiena ou na recém inaugurada varanda do terraço do Tivoli Lisboa, a abençoada Morangosca dos meninos do Rio ou qualquer vinho fresco no Deli Delux. Ainda o chá de Verão com figos secos na Carpacceria Infinita, o chá gelado de canela do Casanova ou a enigmática Pussy Royal na Bica do Sapato. A cereja no fim do bolo será a mais cúmplice bebida do Verão, o Hendrick’s com rodelas de pepino, que na varanda do Lux ou nas ruas da Bica, no Baliza é servido nas taças originais. Mas o Tejo é sempre Atlântico por isso num abraço consumado a um poderoso pôr-do-sol, a varanda do Albatroz com a carta dos vinhos brancos gelados e o Farol Design Hotel na companhia de uma sangria de pepino, com gengibre e sake rematam a cidade na sua extensão de Tejo.

Lisbon Golden Guide, Julho 2009

24 julho 2009

elegy



e era entre quatro paredes às escuras que pela companhia de um cinema agendado, que tinha coragem de reabrir a pasta de arquivo. sempre foi mais fácil acreditar na palavra cobardia, do que cair na escuridão das saudades do que não tinha sido vivido.

o autor é idolatrado pelos homens. mas é afastado pelas mulheres: é menos duro iludirmo-nos da verdadeira natureza do sexo masculino, por isso - tal como viver a jogar com as fichas todas - é preciso coragem para ler as despudoradas palavras de Philip Roth. nas suas páginas compulsivas, os homens são desenhados na sua mais pura realidade. incómoda, decerto a qualquer ilusão suave de quem gosta de acreditar na consistência do amor.

fiquei mais sábia na companhia das páginas deste autor. e para quem me conhece: sou romântica sim, mas prefiro uma verdade (mesmo indesejada) do que uma ilusão que me transformará num animal moribundo.

depois da passagem do tempo é Consuela que dá o passo de voltar a sentir a presença de um coração que não se esqueceu. a raridade das mulheres inteiras valem por isso, uma imensidão neste mundo incerto dos afectos. e se há alguém com conduta para uma vida em verdade, considere-se esse homem um privilegiado: nada tem a ver com a dureza do envelhecer, mas antes com a capacidade de amadurecimento.

no final, a certeza: a vida é para se viver sim, mas não se pode perder tempo. e nas quedas indesejadas ou nos longos desertos, a resistência num caminho que se faz sozinho desenhará no nosso corpo um perfil mais luminoso. como diz um dos meus irmãos de vida, ser sensível é também ser lúcido.

a tela alivia a brutalidade das páginas originais. mas não deixa por isso de valer a pena. e muito.
a ver aqui

21 julho 2009

pied de poule


sobre o poder lunar
e com a verdade tingida na pele.

correio virtual


na excepção do irreconhecível
um roubo, pelas ruas da cidade.

obrigada ao viajante.

17 julho 2009

Descobrir l como se mais nada existisse


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

Agora que é tempo de descobrir o que existe para lá do sonho, o Verão aparece como um fim de tarde sem instantes. Alarga-se então o tempo para nos encontrarmos, para nos descobrirmos. Porque a cidade abraça sempre os que ficam, duas moradas para viver o Verão com a intensidade que todos os devaneios merecem.

15 julho 2009

GQ l Pelas ruas da cidade



O raro toque de Midas
Quem conhece a energia feminina e contagiante de Marcela Brunken sabe que o seu toque de Midas transforma ideias simples em acontecimentos irrepetíveis. Uma galeria, um espaço para homenagear o design, mobiliário e objectos reciclados, acessórios, livros, discos, a imensa ideia de mundo e agora uma carpacceria infinita. Rendida à poesia do seu bonito projecto, nesta fábrica de sonhos não existem duas árvores iguais, dois pássaros iguais, duas gotas de chuva iguais ou dois beijos iguais. Talvez por isso a nova carpacceria tenha nascido como mais um irrepetível projecto de amor, desta viajante atlântica pela nossa cidade. Tudo neste templo do bairro do Príncipe Real é construído com uma enorme dedicação, que com detalhes apaixonantes fazem do Fabrico Infinito um testemunho onde de se põe tudo o que se é naquilo que se faz. Da experiência, nomeio o carpaccio de bresaola e abacate ou o de salmão, a acompanhar com o chá gelado infinito com frutos secos. Mas o ponto alto vai para o couvert servido com gengibre, pesto e um extraordinário balsâmico de figo. Ainda para se render a um carpaccio de morango ou desfrutar de um Hendrick's no final do dia, neste terraço e retendo mais uma vez as palavras do nosso mais notável poeta, há ainda o dever de sonhar. De sonhar sempre.

Venham as estrelas
Há anos que me debato com a questão: porque não existem mais restaurantes portugueses com mais estrelas Michelin? Sabemos receber como ninguém, temos umas das melhores gastronomias do mundo e na doçaria temos o privilégio de contemplar tesouros conventuais únicos no planeta. Poderia ter em conta que a doação de estrelas fosse empacotada numa delimitação Ibérica, e que os membros de quem as atribui em Portugal serem os nossos vizinhos galegos. Mas sobra ainda a tão difícil consistência, qualidade importante para se adquirir qualquer estrela Michelin. Na nomeação das estrelas da minha cidade, o Bocca surge como um beijo. Com um nome que nada tem de italiano, este restaurante apresenta uma das mais apetecíveis cartas da cidade e sim merecia mais estrelas do que as que acompanham os passos da equipa fora de série (quem nos serve, move-se sobre uns All Star verdes bandeira). Com a recente mudança de carta não poderia deixar de partilhar as novas sugestões e o carinho com que Pedro Freitas faz desta morada uma das mais consistentes da oferta da capital. Ainda no rasto dos astros, a minha escolha elege o camarão tigre salteado com arroz cremoso de algas wakame, com telha de parmesão e nori com emulsão de mariscos. Sobre a atribuição das merecidas Michelin, quero continuar a acreditar – acreditar sempre -no trampolim de estrelas que Carlos Drummond de Andrade tanto transpirava nos seus poemas do além.

As melhores do mundo
Com a minha pouca admiração de qualquer franchising na minha cidade, abro uma excepção merecida a estas pequenas bolachas artesanais. Da catalã Demasié, estão disponíveis na Xocoa, o novo paraíso de chocolate da Baixa Pombalina. Defendidas pelos seus criadores como “exageradamente boas”, eu atrevo-me a adjectiva-las como surpreendentes ou mesmo as melhores do mundo. Fica a provocação.

Personal Time 3 l Julho 2009



É-nos muito fácil acompanhar o seu tempo pessoal e continuar a ajudá-lo nas suas férias, mesmo se as suas fugas forem para fora do país. Na primeira newsletter deste Verão, a partilha de um dos mais familiares e charmosos hotéis de Portugal, com tempo ainda para o novo cocktail da Hendrick’s, a descoberta da mala mais visionária do design português, uma dança com a Lykke Li, uma inesquecível viagem de barco pela beleza do Adriático ou uma elevação à poesia. Sejam quais forem as suas opções, o que é preciso é ter tempo. Como escreveu um dia o nosso poeta mais presente, ter tempo para sentir tudo de todas as maneiras. Viver tudo de todos os lados, ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo, realizar em si toda a humanidade de todos os momentos, num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
Estamos cá para tudo isso.

mais aqui e aqui

14 julho 2009

"enquanto houver Sol"


uma Lisboa abençoada
por um viajante que tanto agradeço na minha vida e na minha cidade

10 julho 2009

A cidade na ponta dos dedos l quase como um poema


clique na imagem ou se é assinante aqui.

De frente para o Atlântico, no Farol Design Hotel, em Cascais, ou no Hotel Tivoli, em Lisboa, sugerem-se sofisticados refrescos para quentes finais de tarde. Ainda, coloridos livros de notas com capa dura para registar encontros com viajantes da cidade.

publicado na revista Única do Expresso a 6 de Julho de 2009

Descobrir l quando as cidades me falam de amor


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

Hoje, apenas escrevo, quando as cidades me falam de amor. Um amor pessoal e transmissível que relata fielmente, o que ele dita dentro de mim. Sentada por momentos em Florença e folheando o amor apaixonado de Dante por Beatriz, nas páginas de uma Vida Nova, observo ainda os encontros perdidos na ponte Vecchio. Hoje, confirmo mais uma vez as palavras do poeta onde a comédia é divina: afinal, o amor e o coração nobre são uma única coisa.

Descobrir l na importância do que somos


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

Na velocidade dos dias sobra-me ainda tempo para a consciência de que só vale a pena viver em comunhão com a pureza do Mundo. Sejam quais forem as nomeações, haja ainda espaço para o tempo do coração de David Mourão Ferreira tanto falava: a importância do que somos transporta-se hoje pela minha e pela tua pele.

arrivato


em breve
algumas congelações das estações onde parei.

29 junho 2009

"conteggio diminuente" VII


ao sétimo dia,
finalmente a carruagem.

voltarei em breve.

28 junho 2009

"conteggio diminuente" VI



"instabilità, ricerca e ritorno"

27 junho 2009

"conteggio diminuente" V

não fique nem com saudades nem com remorsos.
destruir é melhor que criar,
quando não se criam as poucas coisas necessárias.

hoje é um dia importante para si.
é melhor deixar cair tudo e espalhar o sal,
como faziam os antigos para purificar os campos de batalha.

"conteggio diminuente" IV

não colocando a cena final do Bianca, que cobre o meu fascínio pelos viajantes da cidade, agradeço a sugestão da Catarina.

Michele: Porque vieste?
Bianca: Não devia?
(...)
Bianca: morango, limão, amêndoa e nata.
Michele: não ligam bem juntos.
Bianca: eu acho que sim. já provaste?
Michele: não.
Bianca: então como é que sabes?
Michele: não preciso provar para saber se as coisas ligam bem ou não. pode-se prever e assim… não se cometem erros.
Bianca : experimenta em vez de falares.

26 junho 2009

Descobrir l ao longo da muralha


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

É ao longo da muralha que habito, que me escondo nas palavras. Nas palavras, nos poemas que me devolvem a beleza entre os sons e os sentidos. Chego de mãos vazias, e com a pele dourada tento recolher o fugitivo ouro dos dias. Escrevo no muro me acompanha a frase de Gabriel Celaya, a poesia é uma arma carregada de futuro.
As promessas esperam por mim, frágeis, acesas e as palavras de hoje, partilho-as na estação do cio, como um segredo. O mais puro.

O mapa do amor
O Futuro é sempre próximo. Da ponte sobre o Tejo vejo que a sofreguidão pela frescura do mar flui sem espera, mas não hesito: a selecção de António Pinto Ribeiro merece que a brisa do mais vivo jardim da cidade, me roube um mergulho no Atlântico. Ao longo de 80 metros, os poderosos jardins da Fundação Gulbenkian erguem-me à visão da refulgente poesia. A iniciativa do programa Próximo Futuro que se dedica às novas gerações criativas da Europa, América Latina (e Caraíbas) e África, deita-me num dos almofadões de cores rasgantes que se espalham pelo percurso. Por instantes oiço as estrelas a dizerem tsau, e recomponho o mapa do amor, nos corpos desconsagrados. Deixo-me reconquistar pelas árvores de Manuel de Barros, rendo-me à doçura da vida de Sophia. E porque estamos na estação do cio, deixo-me atravessar o limiar de olhos fechados. Hoje a cidade está aqui para mim.

Acende-te poesia
Lisboa invade-se pelo silêncio. O silêncio das palavras eloquentes, no sentido de promover novas tendências artísticas e urbanas. Tornando ainda mais cúmplices a música e as sentenças, dos debates, das conferências e das leituras encenadas do Festival do Silêncio, reflicto o audio-livro. Desde que me elevo a ouvir o “queria de ti um país” de Mário Cesariny no cd da Assírio “os poetas, entre nós e as palavras” não questiono a distância das aromáticas e sublinháveis páginas dos amigos puros. Substituir a vastidão palpável do meu “Anjo Mudo” de Al Berto num mp3, não estará nos meus planos mais próximos. Mas porque me rendi ainda mais a Cesariny com o testemunho da Autografia – obrigada Miguel Gonçalves Mendes – tenho já biblioteca atlântica os 34 poemas gravados por Vasco Pimentel, lançado na passada sexta-feira no Goethe Institut. Também a não perder esta sexta, na caixa de música mais poderosa de Lisboa, o Concurso Poetry Slam. Uma tendência das mais excêntricas capitais do mundo, onde em três minutos de palco, os mais destemidos poetas da cidade declamam as suas poesias mais acesas.

Na mais límpida realidade do tempo
Usada também para concertos, o edifício mais antigo de Amesterdão - Oude Kerk – mostrava-me sempre a inauguração da fundação fotográfica holandesa fundada em 1955. Num edifício igualmente admirável e à beira do nosso Tejo, a 52ª edição do World Press Photo mostra-se em Lisboa, no Museu da Electricidade. A minha partilha nestas páginas – e opto por não partilhar as imagens violentas - elege as mais sublimes congelações: “Model” do italiano Giulio Di Sturco, “The Raw File” da americana Brenda Ann Kenneally, e “Noor for Positive Lives” do espanhol Pep Bonet. Muito mais que qualquer locução, uma exposição que me envolve e resgata à mais límpida realidade do tempo.

24 junho 2009

"conteggio diminuente" III

Morre lentamente quem não viaja,

Morre lentamente quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.

P.N.

chorai, chorai poetas do meu país

depois das sardinhas fumantes e muitos brindes com o Martins, no Pateo 13 em Alfama, o Clube Lusitano e as ruas de Sé enchem-se de alegria e suor muito válido para chorar, mas de outra maneira. obrigatório e imperdível, todas as terças.



mais aqui e aqui

"conteggio diminuente" II

entre mim e o meu silêncio
há gritos de cores estrondosas

P.N.

22 junho 2009

"conteggio diminuente"


prometo não tocar às campainhas
com a história do pasteleiro trotskista.

21 junho 2009

coming soon



mais aqui.

19 junho 2009

Descobrir l quando a cidade tem sentido


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.
Na partilha de uma Lisboa de hoje, de uma Lisboa de sempre, estendo-me num abraço ao céu por viver os testemunhos de uma cidade com sentido. O depoimento de duas salas de jantar onde me inundo das minhas mais profundas raízes e a certeza de que não preciso de viajar na genialidade das páginas de Eça de Queiroz para imaginar o sabor de uma orchata.
Esta semana “vai de refresco”, e vai muito bem.