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13 outubro 2009

a invenção



em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos

nas janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado

por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro

que foi o lar da nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor.

em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia

que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com carácter de urgência
deixando cair dos ombros

o fardo incómodo da monotonia quotidiana.

um homem e uma mulher que tinham olhos e coração

e fome de ternura
e souberam entender-se sem palavras inúteis.

apenas o silêncio
a descoberta
a estranheza


de um sorriso natural e inesperado.



a invenção do amor, de Daniel Filipe
to be continued

próxima estação l na senda da criatividade



Mais uma prova que Lisboa se move visionária. Com uma qualidade de nível internacional, a certeza que esta primeira Lisbon ID será um pau de fósforo para o milagre do fogo. E é com a poesia de José Tolentino Mendonça que não ficam dúvidas, para o imenso trabalho desta edição, que promete continuar a divulgar a identidade criativa de Lisboa. Ainda na senda do design uma escapadela a um dos hotéis mais cool da cidade luz.

12 outubro 2009

to arrive



e depois da subida de uma das mais bonitas colinas da cidade
abri a porta.
e com Lisboa a meus pés,
tive a certeza

da imensidão das palavras,
e de tudo aquilo a que um dia ousaste chamar de futuro.

frases de rua

a subir a rua das Flores,
eleva-se a voz de uma viajante da cidade,

é preciso não deixar a espera matar a esperança.

11 outubro 2009

to Lisbon walkers

estamos em Outubro, janta-se na Travessa com temperaturas helénicas e hoje está um dia de praia extasiante. porque a luz da nossa capital merece, ainda a partilha do filtro solar para trazer na mala dos viajantes da cidade.

enquanto caiem os panos



Lisboa inunda-se de Sol. O brunch no renovado Miradouro e o abraço ao Chiado viajando da Misericórdia ao fim da Rua do Alecrim. Ainda tempo para o café austíaco e a mais deliciosa feira alfarrabista da cidade com Rilke a olhar-me nos olhos. E com a imensidão do silêncio e enquanto caiem os panos - o Teatro da Trindade ficou lindo - confirmo a minha Lisboa extraordinária.


10 outubro 2009

PersonalTime Newsletter | Out 2009



o Outono nos ergue o caminho aos tapetes dourados da cidade e enquanto o tempo não espera, mais uma newsletter para iluminar a beleza dos dias. Uma escapadela à magia do Alentejo na Herdade do Sobroso pela sublime Atmopshere Hotels ou o lançamento da tão esperada edição da Absolut Vodka Rock. Porque um terço da nossa vida acontece a dormir ainda as soberbas camas Hästens e no reconhecimento da voz e das palavras, ainda um elogio à diva do fado a quem David Mourão Ferreira nomeou como o heterónimo de Portugal. Haja ainda tempo para a poesia do escritor que dizia que tudo quanto é velocidade não será mais do que passado, porque só aquilo que demora nos inicia.

mais aqui.

08 outubro 2009

Lisboa, o Tejo e tudo


depois de algumas horas de design Português, nem mesmo a água que limpava a cidade me impediu de conhecer ums dos apartamentos da nossa querida Rua Dom Pedro V. sempre tive este vício, andar por Lisboa de cabeça virara ao céu, para me deslumbrar com os edifícios da cidade. por isso quando os descubro também por dentro fico ainda mais iluminada, quando testemunho a boa recuperação e outras vistas da ponte e do Cristo.
o registo que me apanhou em exploração ficou catalogado como vintage, para homenagear a dona da casa, uma pessoa que tem feito muito por Lisboa e a quem baptizei de diva do Príncipe Real. No mínimo, infinito.

07 outubro 2009

let it rain



entre um almoço na Avenida mais livre da cidade e uma tarde de e-mails a finalizar no LisbonID, consegui finalmente tempo para ir à Feira do Livro Manuseado na Assírio & Alvim. chego com os braços abertos de tantos tesouros encontrados ao preço da chuva. entre os novos amigos silenciosos, alguns cartazes dos meus queridos poetas malditos e o pequeno, mas muito precioso livro que estende a obra prima de Miguel Gonçalves Mendes - a Autografia de Cesariny.

e enquanto a cidade nos molha,
apenas me lembro das palavras de Al Berto,

a chuva limpa a morte dos dias.

06 outubro 2009

A cidade na ponta dos dedos l No elogio da criatividade


clique na imagem ou se é assinante aqui.

Seja pela irreverência de um espaço de beleza, no coração do Chiado, ou pela nova loja do bairro do design da capital, haja ainda tempo para rasgar um sorriso debaixo de chuva.

publicado na Revista Única do Expresso a 3 Outubro 2009

05 outubro 2009

to return



E quando regressei, regressei com o eterno viajante dentro de mim. Hoje sei que o viajante ideal é aquele que, no decorrer da vida, se despojou das coisas materiais e das tarefas quotidianas. Aprendeu a viver sem possuir nada, sem um modo de vida.
Caminha assim, com a leveza de quem abandonou tudo. Deixa o coração apaixonar-se pelas paisagens enquanto a alma, no puro sopro da madrugada, se recompões das aflições da cidade.

A pouco e pouco, aprendi que nenhum viajante vê o que os outros viajantes, ao passarem pelos mesmos lugares vêem. O olhar de cada um, sobre as coisas do mundo, é único, não se confude com nenhum outro.

O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas e a treva, os peixes, os pássaros e as plantas. Aprendeu a nomear o Mundo.


ainda abraçada às palavras de Al Berto, cidades com que se pode aprender a ver aquilo que dentro de nós existe e não sabíamos.

04 outubro 2009

próxima estação II


ou na nobreza da espera.

tudo quanto é velocidade não será mais do que passado,
porque só aquilo que demora nos inicia.


Rilke, mais uma vez

01 outubro 2009

próxima estação



Can Lisbon be Europe's new capital of cool?
The words "new" and "cool" haven't really been associated with this city since the 16th century when it ruled over the world's first global empire, extending from Brazil to India. Vasco da Gama's expedition to the East brought it cultures and a touch of the exotic that Europe had never seen before - spices (cinnamon, pepper, ginger), foods (potatoes, pineapples, tea) and animals such as the elephant and rhinoceros that paraded by the city's waterfront.

When the glory days of trade and discovery were over, Lisbon fell victim to one of the most destructive earthquakes ever recorded, and remained dormant ever since. The kiss that awoke the "princess by the Tagus" came during Expo 98, the last world fair of the 20th century. The Expo site became a new neighborhood with futuristic architecture, riverfront warehouses were converted into clubs and restaurants, its narrow cobbled lanes were invaded by caipirinha-holding young crowds enjoying a typically-warm night out, new boutique hotels and contemporary-design hostels opened in renovated old buildings, and an energized artistic scene brought it a renewed sense of confidence.
Culture vultures have also welcomed a new world-class collection of modern art (the Berardo Museum), and await the opening of the forthcoming Design and Fashion Museum - an experience that may then be complemented by a visit to the shops in the designated "Design District" of Santos.

But what hasn't changed are the breathtaking views from its hills which arguably make Lisbon Europe's most scenic capital. Add its trademark mosaic pavements, dilapidated pastel-colored or tile-covered buildings, iconic turn-of-the-century trams, melancholic Fado music, and you also have one of the world's most soulful cities. In fact, Lisbon's unpolished appearance actually provides a seductive atmosphere all of its own, and prevents it from ever being just another bland old city.
continue aqui

e mergulhe ainda nas opiniões do The New York Times, da Yahoo Travel, Telegraph e ainda da Virtuoso Life Magazine.

será que ainda há dúvidas, que Lisboa merece a próxima estação?

29 setembro 2009

o amor puro



sendo a coragem uma das qualidades que mais admiro no ser humano, não posso deixar de estender a exigência do amor puro, com o testemunho de um dos monólogos mais sublimes da história do cinema. Mesmo numa língua que não resgata o meu lado mais alado, nas Asas do Desejo de Wim Wenders, as imagens testemunham que só não cai quem não vive. A praça está cheia de gente que deseja o mesmo que nós, mas no final da história apenas a não "prostituição por migalhas" e a nobreza da espera, elogiam o amor. o mais puro.

'Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso”dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também'.

O Elogio do Amor, Miguel Esteves Cardoso

próxima estação l ali onde acaba a terra


Um título que homenageia um poema de Garrett, mas também o agradecimento à casa das histórias de Paula Rego, com um Museu que orgulha o caminho da pintura portuguesa. Ainda um sushi muito familiar e a oportunidade de dormir em cima de uma árvore, num dos jardins mais desejados da cidade.

28 setembro 2009

message in a bottle or time to drop

26 setembro 2009

na pura congelação do tempo







na pura congelação do tempo,
habito o Palácio Belmonte.

escolhido para o segunto aniversário da TimeOut Lisboa,
a emoção do regresso a um dos cenários,
do Lisbon Story de Wim Wenders
e o agradecimento a uma edição
que tanto tem feito pela energia da minha cidade.

ainda a genialidade do algodão doce
e a vontade de te partilhar tudo isto.

24 setembro 2009

Wallpaper Atenas l jornal i


hoje nas bancas, online aqui.

23 setembro 2009

GQ l Pelas ruas da cidade



A segunda casa
Em descanso numa das chaise longues da Malhadinha e com o poderoso silêncio do campo, memorizo as palavras de um dos divãs de Goethe: as palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade. A morada é inspiradora e foi uma das boas surpresas deste Verão. A pouco tempo de Beja, o paraíso alentejano é um testemunho vivo de um sonho. A perseverança da família Soares - proprietária da herdade - é conhecida por colocar toda a paixão nos mais pequenos detalhes, como se pode comprovar nos rótulos dos vinhos da herdade, todos desenhados pelas crianças da família. A juntar aos apetecíveis vinhos da Malhadinha, o hotel que é uma casa de campo, explora o conceito country chic, onde candeeiros Mariano Fortuny ou Philipe Starck contrastam com o azul anil e os vários tons de branco. Mas o melhor de tudo, o silêncio e as pessoas. A serenidade da Cláudia, a energia da Catarina, a disponibilidade do chefe Vítor Claro que com a ajuda de André Pires e da D. Vitalina Santos – para os petiscos mais regionais - nos conquista pela qualidade espantosa do restaurante instalado na Adega. Mais do que um hotel muito apetecível, uma casa onde somos recebidos como amigos. Os de sempre.

Para além de um nome
O nome do restaurante num dos bairros mais emblemáticos da cidade não me atraía, confesso. Mas caprichos pessoais à parte – por ser uma amante da língua portuguesa e também decepcionada pelos muitos Residense’s e Palace’s que inundaram o nosso país - sempre que descia a São João da Mata observava mas não entrava. Hoje reconheço que além do nome, a primeira sala do restaurante me intimidava. E hoje peço-me desculpa por não ter elevado a curiosidade. É que por trás da primeira sala existem mais duas: uma segunda mais acolhedora e uma terceira que me conquistou pela parede de ardósia. A fama da melhor focaccia de pêra da cidade compensou em medidas largas o meu preconceito. A cozinha, está a cargo de Alessio Carrer, um italiano nascido em Caorle - na província de Veneza – um chef que trabalhou num restaurante em Nova Iorque com os proprietários, André Cristóvão e Liana Pinto. A carta tem uma base puramente italiana, de estilo mediterrâneo, mas com raízes que elevam a tradição e costumes da província veneziana. Nas conquistas: o couvert, pela variedade do pão com destaque para o de centeio, as pizzas cozidas em forno a lenha, finas e estaladiças. Na categoria das massas e dos rissotos a originalidade é palavra de ordem, mas a minha rendição partilha os Gamberoni alla Triestina, umas gambas descascadas, salteadas em azeite aromatizado com manjericão e flamejadas com conhaque e vinho branco. O prosecco pode ser servido a copo e nas sobremesas destaco o Tiramisú. O serviço é perfeito. Aceitando o Sofisticato, como um restaurante do Mundo na minha cidade, ainda as palavras de Voltaire: os homens erram, mas os grandes homens confessam que erraram.

Do Norte da Sumatra
Com um aroma refrescante de groselhas negras com toranja e suaves notas amadeiradas que recordam alcaçuz e plantas coníferas, o Singatoba, rico e encorpado com um leve toque de acidez é o tão esperado Special Club deste ano. Pertencente à linha dos Grands Crus de qualidade premium, a variedade da safra limitada Arábica Blue Batak é oriunda da região do Lago Toba do norte da Sumatra, na Indonésia. Mais uma dádiva Nespresso para a energia dos viajantes da cidade.

luxing green ray







22 setembro 2009

o beijo perdido



quando abraço a obra de Almodóvar, elevo-me na sublimação das composições de Alberto Iglesias. Da banda sonora de los abrazos rotos, a partilha do tema del amor ciego e ainda werewolf da poderosa Cat Power.





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20 setembro 2009

190909



este é o paradoxo do amor entre o homem e a mulher: dois infinitos encontram-se com dois limites. dois infinitamente necessitados de ser amados, encontram-se com duas frágeis e limitadas capacidades de amar. e é só no horizonte de um amor maior que não se devoram em pretensão, nem se resignam, antes caminham juntos até uma plenitude da qual o outro é sinal.

Rainer Maria Rilke

na morada onde habita o desejo do beijo lento e ainda abraçada à poesia de Auden,
ou amamos ou morremos.

16 setembro 2009

μετά από την Αθήνα



depois do abandono da morada, amo secretamente
os silêncios puros.
a consistência de um reconhecimento, hoje mais livre,

enquanto a cidade arde lá fora.

14 setembro 2009

gosto disto


Imagine uma estrada feita de painéis solares, que se adapta às condições do trânsito e onde as pinturas são substituídas por pequenas lâmpadas led, que têm a vantagem de manter a estrada iluminada durante a noite. Ainda a permissão da estrada derreter neve e gelo, para tornar a condução mais segura e a possibilidade de os veículos eléctricos se auto-recarregarem à medida que viajam nestas estradas, reduzindo assim a necessidade de grandes baterias e permitindo uma autonomia muito maior.
continue aqui

manafon

fanático com vários anos de adoração, o meu irmão de sangue - um alfarrabista habituado a correr em busca de "obras primas" - encomendou o kit completo da nova obra, de David Sylvian.

libertado hoje para as ruas partilho a minha "expectância" e a excepção do video.

PersonalTime | Edição 5 | Set 2009



De volta à cidade, uma newsletter num formato melhorado, para que também ao nos ler não perca tanto tempo. Usando as palavras da ExperimentaDesign, um dos destaques da nossa agenda de Setembro, afinal it’s all about time. Como é que pensamos o tempo hoje em dia? Como uma experiência subjectiva ou um conceito socialmente definido? Um bem de luxo ou uma moeda de troca básica? De certa forma, tudo nas nossas vidas se prende com o tempo, trata-se de um recurso essencial para qualquer pessoa ou actividade. Valorizamos o tempo, poupamo-lo, gerimo-lo, combatemo-lo. Para uns o tempo parece nunca chegar, para outros o tempo sobra.
para continuar a ler aqui.

mais sobre a PersonalTime aqui.

10 setembro 2009

experimenta II



amo devagar os amigos que são tristes
com cinco dedos de cada lado.
os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.

não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.

temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
de paixão.


Herberto Helder

experimenta















08 setembro 2009

A cidade na ponta dos dedos l na extensão das palavras



clique na imagem ou se é assinante aqui.

Experiências pelos sentidos onde os fins de tarde inspiram à poderosa reflexão das palavras e ainda um objecto de design inovador, que elogia a beleza da escrita.

Florença sedutora
O Hotel Continentale tem uma localização espantosa. Literalmente a dez passos da Ponte Vecchio, apresenta um estilo muito jovem e sedutor, com pequenos detalhes dos anos cinquenta, e contempla uma suite de tirar a respiração. O último andar é favorecido por um terraço, onde se pode gozar uma das mais fascinantes vistas sobre a cidade, privilegiado com uma luz que apenas existe nos mais poéticos fins de tarde.

O génio e a cidade
A pensar nos mais ousados viajantes da cidade, o chefe Henrique Sá Pessoa criou um conceito original e que mais uma vez testemunha a sua criatividade. A experiência dos cinco sentidos elogia as melhores vistas da capital: na mesma noite e em privado, uma vista deslumbrante com um drink after business no último andar do Ritz Four Seasons, um jantar no Alma — o seu restaurante de assinatura — com final feliz na varanda do Hotel do Bairro Alto. Sempre em lugares fora do habitual, e enaltecendo não apenas os cheiros e as fragrâncias, mas também as sensações, a experiência revela-se espontânea e vivida em rara intimidade. Genial para uma data especial em família, com amigos, ou para eventos corporativos.

Carbono Zero
A nova linha Móvelpartes da Sonae Indústria merece aplausos. Com criação dos portugueses Miguel Vieira Baptista, Atelier Pedrita e dos espanhóis Lagranja, a parceria com CarbonoZero contou com a direcção estratégica de Guta Moura Guedes. Fabricados em aglomerado de madeira e reaproveitando o subproduto de outros processos produtivos, os kits Make it Better utilizam embalagens especialmente concebidas para minimizar o espaço ocupado e optimizar o transporte. Não têm desperdício de matéria-prima na fase de produção e são montados pelo próprio cliente. O design é inovador e a funcionalidade aliada à sustentabilidade são concebidos a preços convidativos, com um reconhecido efeito nulo no clima.

publicado na Revista Única do Expresso a 5 de Setembro 2009

table book


a montagem não tem a melhor escolha sonora do Mundo,

mas os registos de Franscesca Woodman são soberbos.

07 setembro 2009

pintura habitada

ando em círculos, os ciclos voltam.
o trabalho nunca está completo, tem que se voltar a fazer. o que me interesa é sempre o mesmo: o espaço, a casa, o tecto, o canto, o chão; depois o espaço físico da tela, mas o que eu quero é tratar emoções.
são maneiras de contar uma história.

Helena Almeida

04 setembro 2009

cidade maravilhosa

eu que escrevo sobre cidades, depois de tantos países transporto este pecado (confesso enquanto me chibato) no meu Passaporte.
hoje, rendida também às palavras que tanto vendem a sua fama, deixo nestas linha a certeza da próxima paragem.

A mais bonita do Mundo? Logo vos direi.

01 setembro 2009

tram station, o recomeço



as mudanças servem para evoluir.
e por momentos encontro-me numa estação de Lisboa
à espera de mais uma viagem.

para homenagear a melhor meia hora semanal dos últimos dois anos,
a partilha de um dos momentos luminosos, na descoberta de Lisboa.
(ainda a tempo de visitar até 30 de Setembro. mais aqui)

Ao longo da muralha
É ao longo da muralha que habito, que me escondo nas palavras. Nas palavras, nos poemas que me devolvem a beleza entre os sons e os sentidos. Chego de mãos vazias, e com a pele dourada tento recolher o fugitivo ouro dos dias. Escrevo no muro me acompanha a frase de Gabriel Celaya, a poesia é uma arma carregada de futuro.
As promessas esperam por mim, frágeis, acesas e as palavras de hoje, partilho-as na estação do cio, como um segredo. O mais puro.

O mapa do amor
O Futuro é sempre próximo. Da ponte sobre o Tejo vejo que a sofreguidão pela frescura do mar flui sem espera, mas não hesito: a selecção de António Pinto Ribeiro merece que a brisa do mais vivo jardim da cidade, me roube um mergulho no Atlântico. Ao longo de 80 metros, os poderosos jardins da Fundação Gulbenkian erguem-me à visão da refulgente poesia. A iniciativa do programa Próximo Futuro que se dedica às novas gerações criativas da Europa, América Latina (e Caraíbas) e África, deita-me num dos almofadões de cores rasgantes que se espalham pelo percurso. Por instantes oiço as estrelas a dizerem tsau, e recomponho o mapa do amor, nos corpos desconsagrados. Deixo-me reconquistar pelas árvores de Manuel de Barros, rendo-me à doçura da vida de Sophia. E porque estamos na estação do cio, deixo-me atravessar o limiar de olhos fechados. Hoje a cidade está aqui para mim.

Acende-te poesia
Lisboa invade-se pelo silêncio. O silêncio das palavras eloquentes, no sentido de promover novas tendências artísticas e urbanas. Tornando ainda mais cúmplices a música e as sentenças, dos debates, das conferências e das leituras encenadas do Festival do Silêncio, reflicto o audio-livro. Desde que me elevo a ouvir o “queria de ti um país” de Mário Cesariny no cd da Assírio “os poetas, entre nós e as palavras” não questiono a distância das aromáticas e sublinháveis páginas dos amigos puros. Substituir a vastidão palpável do meu “Anjo Mudo” de Al Berto num mp3, não estará nos meus planos mais próximos. Mas porque me rendi ainda mais a Cesariny com o testemunho da Autografia – obrigada Miguel Gonçalves Mendes – tenho já biblioteca atlântica os 34 poemas gravados por Vasco Pimentel, lançado na passada sexta-feira no Goethe Institut. Também a não perder esta sexta, na caixa de música mais poderosa de Lisboa, o Concurso Poetry Slam. Uma tendência das mais excêntricas capitais do mundo, onde em três minutos de palco, os mais destemidos poetas da cidade declamam as suas poesias mais acesas.

Na mais límpida realidade do tempo
Usada também para concertos, o edifício mais antigo de Amesterdão - Oude Kerk – mostrava-me sempre a inauguração da fundação fotográfica holandesa fundada em 1955. Num edifício igualmente admirável e à beira do nosso Tejo, a 52ª edição do World Press Photo mostra-se em Lisboa, no Museu da Electricidade. A minha partilha nestas páginas – e opto por não partilhar as imagens violentas - elege as mais sublimes congelações: “Model” do italiano Giulio Di Sturco, “The Raw File” da americana Brenda Ann Kenneally, e “Noor for Positive Lives” do espanhol Pep Bonet. Muito mais que qualquer locução, uma exposição que me envolve e resgata à mais límpida realidade do tempo.

30 agosto 2009

adiccted to

uma série perfeita. mais aqui e aqui.





28 agosto 2009

cinematógrafo portátil


numa extensão de futuro,
existem dias em que temos a certeza que a nossa vida dava um filme.

27 agosto 2009

a má emenda


Esperem lá...não sei se percebi bem. Querem retirar as marquises e sugerem estores para disfarçar?! Pior a emenda do que o soneto.
Marquises arrancadas claro que sim, mas na impossibilidade desse feito estóico - na minha cabeça possível - remenda-se " a coisa" com estores?

Por vezes sinto-me a viver num país de bimbos. Estores, paralelamente às marquises são dos piores detalhes urbanísticos de Lisboa.

marquises sim. e estores também...marchava tudo.

26 agosto 2009

sliding doors III



na vida não há decisões erradas. apenas opções - que aceites com coragem - nos transformam em seres humanos mais sábios. mais inteiros.

hoje, novamente numa estação de comboio, escolho a maneira mais digna de proseguir,

life is foward.

24 agosto 2009

GQ l Pelas ruas da cidade


A vida em rosa
Na memória guardava uma deusa de patins que atravessava a cidade pelo prazer de um Martini. Mas na experiência apaixonante da mais carismática terrazza de Milão, ou de cabelos ao vento a bordo de um Porsche pelas deslumbrantes curvas do Laco di Como, reconstruí a imagem de uma marca que se eleva pela alegria de viver. Na história desta bebida que tanto elogia as cidades apetecíveis, recolho duas fotografias intemporais. E se alguns anos separam um dos casais mais inesquecíveis da história do cinema, na sensualidade do Dolce Vita de Frederico Fellini, ou na exclusividade de um evento à porta fechada na Terrazza Martini de Milão, Anita Ekberg e Marcello Mastroianni representam bem a elegância desta bebida intemporal. Hoje com terrazze itinerantes em acontecimentos surpreendentes, como o festival de Cannes, o Grande Prémio do Mónaco, ou o Festival de Veneza, o conceito elogia não apenas uma deslumbrante vista sobre a cidade, mas também um fim de tarde que nos enaltece enquanto viajantes do mundo. Permanente em Milão desde 1958 e com passado nas cidades de Amesterdão, Sevilha, Roterdão, Montreal, Colorado, Atenas, Londres, o privilégio das terrazze é único: um imenso sentido estético, aliado a um imenso glamour vivido em intimidade. Adorada por ícones como Andy Warol, Sean Connery ou George Clooney, pelas cidades mais trendy do momento, ainda uma homenagem a uma vida celebrada em rosa, com o lançamento de uma bebida que está a engrandecer a luz das mais apaixonantes cidades do Mundo.

A praia urbana
Sempre que viajo transporto comigo um dos mais sublimes pensamentos da literatura portuguesa: viajamos para confirmar a existência do mundo. Se a viagem é apenas com a nossa companhia, a confirmação da ousadia traduz-se na liberdade de observamos melhor o que nos rodeia. Na sequência dessa experiência e ainda mal aterrada de uma viagem à beleza dourada da Toscânia, conheci o Urban Beach pelas palavras de um italiano, com quem me cruzei num dos terraços de Lisboa. Habituado a viver em várias cidades do mundo, o viajante elegeu a nossa cidade para a sua morada mais firme e foi com a qualidade de genuína que elevou o nosso potencial enquanto cidade Europeia. Sem qualquer tentativa de comparação, continuo a acreditar numa Lisboa mais rasgada, numa cidade que se consiga estender, depois das horas menos pessoais do dia. E se a praia urbana chegou até mim por um rendido viajante do mundo à nossa cidade, é num elogio ao Tejo que partilho a importância de um templo de fim de tarde, privilegiado como apenas vivi nos meus dias em terras helénicas.

Fresco, fashion e com glamour
Numa das tardes onde o tempo não se atreveu a viver mais depressa demais, tropecei num texto de um dos meus escritores de sempre. Na Avenida de excelência da cidade - a Avenida da Liberdade – Al Berto pede um Martini. E revejo-me quando escreve que é uma bebida “fatal”, inadiável. E mesmo não atravessando a Avenida para apanhar o elevador, elevo-me em glória, pelos sabores naturais e intensos da canela, da noz-moscada, do cravinho, do limão e da framboesa. Sempre de sorriso rasgado com hortelã e muito gelo.