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21 novembro 2009

próxima estação III



na beleza da morada imaginada
e no silêncio da noite,

se hoje me puderes ouvir
recomeça, medita numa viagem longa

ou num amor
talvez o mais belo.


20 novembro 2009

miss shelf


Ainda a flutuar pela homenagem de ontem, este livro saltou-me à vista na livraria da Gulbenkian. Mas o malabarismo nos saltos altos para mergulhar nas páginas repletas de livrarias do Mundo davam-me além de uns olhos maiores, uma busca frustada ao tentar encontrar a nossa surpreendente Lello no Porto.
Discípula de Bernd Becher, a autora é hoje uma das mais conceituadas artistas alemãs contemporâneas. Na leitura da biografia fiquei também a saber que a fotógrafa precisa de visitar novamente Portugal.
The Sunday Telegraph, considera o livro, breathtaking... brings out the scale and beauty of these temples of learning, o que é de facto verdade, mas na ignorância dos dias - e nem o prefácio de Umberto Eco a salva - não resisti a enviar a sugestão, por e-mail, à autora Candida Höfer.
Logo vos digo a resposta.

19 novembro 2009

não sei que tempo duram as frésias


Ainda esmagada pela intensidade do dia sei que, tal como os livros de Almada, não teria palavras para conseguir deixar nestas linhas a emoção da homenagem.

Cresci no meio dos livros e das histórias mais inteiras. E na visão do cenário imaginado, um homem. Um homem que gerou a minha vida e que até ao fim dos meus dias imagino, com a ajuda de um poema de Herberto Helder, com um cenário de uma biblioteca a arder por trás.

Mais do que um legado de palavras, mais do que o homem que descobriu o primeiro livro impresso em Portugal (e com o qual iniciou a sua história de amor), mais do que uma biblioteca dedicada à Ordem de Cister (e que me deu o privilégio de um nome histórico), hoje, todos os amigos e pessoas que testemunharam a história de uma vida que terá continuidade no menino dourado.

E na memória de mais um dia claro, uma frase do poeta que escreveu o viajante sem sono,

afinal,
não sei que tempo duram as frésias
a rendição de um corpo
é sempre tão inesperada.



18 novembro 2009

"I love dreamers"

a Arte Lisboa provocou a minha maior parede, a parede branca onde todos os dias me refugio da poluição visual da cidade. Na senda do desejo, Joana Pimentel, Geles Mit, João Penalva, Pilar Béltran, Sodedad Códoba, a poderosa Helena Almeida, Jorge Molder e Duarte Amaral Netto.



song no.6


Descobri Ane Brun numa das minhas casas de jantar do Porto. O último álbum da cantora norueguesa, Changing of the Seasons já está disponível em Portugal e terá continuidade ao vivo e a cores, pela primeira vez em Portugal a 6 de Março 2010. amazing music girl.

17 novembro 2009

na senda do sonho III



ou o inconformismo como estilo de vida.

A Primeira Fronteira é um documentário que partilha como três jovens portugueses emigraram para Madrid, Bilbau e Barcelona, em busca dos seus sonhos. Porque estive envolvida numa parte do projecto fico feliz de o ver finalmente partilhado com a sociedade adormecida.

E não poderia deixar de agradecer, em especial, o testemunho do Zé Filipe, com quem tive há uns anos, num dos cafés mais enigmáticos de Madrid, uma conversa em direcção ao sonho. Nesse dia trazia as mãos protegidas por umas luvas da Luvaria Ulisses, de uma cor intensa. A mesma cor com que a partir desse dia, decidi incendiar as mãos, pela minha cidade.

No documentário, um empresário (Zé Filipe) que criou uma empresa a nível global, um dos melhores bodyboarders portugueses que procura ser o melhor do mundo, e um artista plástico que ao desenvolver um estilo contracultura vê os seus trabalhos serem expostos em todo o mundo como exemplo das novas tendências urbanas.

estreia a 5 de Dezembro na RTP2. explore aqui.

16 novembro 2009

give me that slow knowing smile



to Give Me That Slow Knowing Smile, Lisa Ekdahl vem a Lisboa dia 30 de Novembro à Aula Magna. mais aqui.

curiosamente o video tem cenas deste post que homenageia o Wong Kar Way, uns dos mestres mais visionários de sempre.

15 novembro 2009

someday



este post fez-me lembrar os surpreendentes pacotes de açucar,
que andam a rasgar sorrisos nos viajantes da cidade.

um dia,
um dia ainda me proponho (ao cinema italiano)
com uma frase do Al Berto.

13 novembro 2009

na senda do sonho II



No privilégio de escrever este post de olhos fixos no Atlântico e pela quantidade de piscinas que hoje rasguei enquanto me fundi com o sublime poder da água, partilho hoje, a beleza de uma visão.

Quando conheci o sonhador, num jantar de amigos, a intuição confirmou-me qualquer dúvida da chegada ao topo da montanha.
Pela luz, pela consistência, o sonhador movia-se ultrapassando a beleza exterior, com qualquer energia mais elevada, como quem sabe que um dia teria de se por a caminho. E lembro-me quando preparei uma entrevista sobre um estagiário de advocacia num dos melhores escritórios de Lisboa, com uma carreira promissora, aos olhos dos outros. Felizmente bastava-lhe apenas a palavra felicidade, ou o transcendente e irrecusável significado de uma vida abraçada à palavra inteira. Das dúvidas partilhadas lembro-me ainda das minhas palavras: sem medo. Quando um ser humano tem a ousadia de ser feliz no trajecto, o resto (sim será sempre preciso pagar contas deliciosas no final do mês) vem sempre.

Falámos ainda algumas vezes a descobrir tentativas de artigos sobre o taekwondo songahm, ou o que fosse, para não se aprisionar num caminho que não seria o da libertação. E lembro-me de absorver com acolhimento, os nove valores da arte marcial: a lealdade, a perseverança, a cortesia, o auto-controlo, a atitude, a honra, o respeito, as metas e a integridade (e aproveito para reviver a brutalidade deste post). A resposta estava na arte: "taekwondo" é uma arte marcial de origem Coreana que desenvolve as pessoas física e mentalmente e “songahm” significa templo em honra do pinheiro. Na Coreia, o pinheiro tem um simbolismo fortíssimo, representa a lealdade humana e a perseverança. A evolução do cinto branco ao cinto preto é metaforicamente comparada ao crescimento de um pinheiro ao longo de um dia, sendo que o cinto branco é uma semente plantada que começa a sua aprendizagem com a mente pura e limpa e o cinto preto representa o primeiro anoitecer do pinheiro já formado.

Desses dias retive a frase final da entrevista: quando é para agir deve-se mover, quando é para estar quieto deve-se compreender a quietude, quando é para dar a mão deve-se ensinar. E depois, depois perdi-lhe o rasto.

E um dia desta semana, enquanto o trânsito me aprisionava a beleza dos dias e depois de um treino onde a superação dos meus limites aumenta ainda mais a destreza com que me proponho a alcançar os sonhos, atravessava as ruas da cidade. Cansada e pronta para entrar na máquina de lavar com a roupa que se colava à intensidadade da pele e perdida na espera das ruas, olhei para a esquerda e tive a visão: o sonhador estava à porta da sua academia, vestido a rigor, a ensinar dois dos seus alunos, duas crianças que cresciam enquanto os olhos enormes absorviam as palavras do professor, que era olhado como um herói. Congelei o momento.

por vezes basta um segundo de um olhar,
para perceber a grandiosidade do sonho.

mas quando o tocamos na visão mais pura,

a palavra vida
é honrada pelo seu significado.

Porto cool II



Ainda não tinha partilhado a minha ida ao Porto no fim de semana de todos os Santos e já que é sexta-feira 13, parece-me o dia ideal para partilhar estas imagens e agradecer este post e ao Porto por ser tão cool, num projecto indispensável nas minhas visitas à cidade romântica.

Os registos são da festa Halloween organizada pela Fox no Jardim Botânico. E se o dia 13 a uma sexta-feira pode assustar alguns viajantes da cidade, a mim ofereceu-me de mão beijada uma frente de Smart nova: com agenda marcada para arranjar, um camião fez-me o favor de me beijar de frente e lá está, a energia positiva, a que muitas pessoas insistem chamar de sorte bateu-me à porta no dia em que vos partilho estas imagens.

sobre mesa



na importância dos detalhes,

a certeza de mais um sorriso rasgado,
quando encontrei o número zero disto,
numa das minhas casas de jantar da cidade.

cais 24



Desde os meus quinze anos que sempre gostei de me perder nas ruas da cidade, de cabeça elevada ao céu, a admirar os edifícios de Lisboa. Perseguida pela ideia de uma cidade imaginada gosto de ir coleccionando os bem recuperados, um a um. E talvez por isso, um happening como este alcança a minha curiosidade na exploração dos interiores, ou numa visão mais lírica, a vantagem de explorar o outro lado de uma porta.

Mais do que qualquer avaliação urbanística na minha cidade (gosto do projecto, não gosto da inserção), rendo-me à quantidade de iniciativas que têm acontecido em Lisboa e abrir as portas do Cais 24 a vários eventos e participantes (fui arrastada pela fascinante Fora de Série) confirma-me que a nossa capital tem acontecido mais vezes.

Na apreciação da morada e por melhor comodidade que tenha, jamais morreria de amores por um apartamento que de janela aberta me transporte em termos de barulho, à ideia de uma circular e os mais silenciosos, virados a Norte seriam impossíveis, pois a luz do Sol é-me absolutamente fundamental na eleição de uma casa. Os interiores são de facto inquestionáveis, principalmente a arrumação e as cozinhas brancamente escandinavas, não fosse uma obra do Arquitecto Aires Mateus.

Apaixonada pelas mais-valias de viver sobre o Atlântico, coloco a luz em primeiro lugar, a vista em segundo (felizmente é raro não ter a segunda sem a primeira), o terraço ou o jardim e os acabamentos. E mesmo no ecletismo da cidade, morada que para ser inteira deve existir sem guetos, ou condomínios fechados, aceito no pacote delicioso todos os defeitos: os vizinhos transversais e a variedade da fauna, que tantas vezes nos trabalha a tolerância.

Entre uma garagem e uns estuques antigos, escolho os estuques e se algum dia tenho dúvidas do esforço que é habitar um prédio com mais história, apenas me lembro da minha casa do século XVII na antiga Batávia: todas as inundações traziam-me canalizadores que além de serem uma homenagem à espécie humana, falavam sem excepção, um inglês britânico.

Em Lisboa não há canalizadores destes, mas há uma cidade cheia de casas com alma, cénicamente fascinantes e que na minha exclusiva e poética opinião estão longe de ser estas.




"ha detto impressionante?"


e com esta está decidido,
uns destes dias, ainda largo tudo
e aventuro-me no cinema italiano.

11 novembro 2009

to float



Já não bastava o Alfaiate Lisboeta, o The Lisbon Stylist e o Diário de Lisboa, a minha amiga Laurinda resolveu-me surpreender com o post de hoje.
A verdade é que esta cidade está cheia de lufadas de ar fresco e para homeagear quem não fica retido na miséria de uma noite gerada por um dia igual, uma das imagens iluminadas a que o Blog da Laurinda sempre me habituou. Ainda um agradecimento pelas inigualáveis entrevistas do Jornal I. Obrigada pela generosidade, obrigada pela existência.

A cidade na ponta dos dedos l Quando a reciclagem é visionária


clique na imagem ou se é assinante do Expresso aqui.

Um café que parece uma segunda casa, uma loja no Chiado que promete surpreender a visão e ainda uma ideia genial da marca que elogia as cidades.

publicado a 6 de Novembro na Revista Única do Expresso.

10 novembro 2009

PersonalTime 7 l Novembro 2009



Novembro abriu com a inauguração do Príncipe Real Live que animou as ruas de um dos bairros mais desejados da capital. Na senda das cidades contínuas, momentos imperdíveis com o fascinante bailado Amaramália, o concerto dos Massive Attack , a estreia do novo filme de Meryl Strip, Julie & Julia, a exposição Beatles to Bowie, na Nacional Portrait Gallery e a exposição de Guy Bourdin, na Phillips de Pury & Company’s, ambas em Londres. Ainda o testemunho iluminado de Manuel Alves e Alves Gonçalves Beauty, a nova terrazze Martini, a inauguração da Marc Jacobs no Chiado ou uma viagem a Nova Iorque.
Sempre sem nunca esquecer todos os serviços PersonalTime, onde no tempo pessoal lhe sugerimos que sobre a poesia a ser colhida nas longas estradas, será sempre fundamental ser feliz na imobilidade.

descubra a PersonalTime,
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e leia as newsletters aqui.

são rosas senhores, são rosas


Jamais me cansarei de repetir, as cidades serão sempre as pessoas.
As pessoas e os caminhos percorridos atrás dos sonhos.
Quem me segue o rasto, no privilégio de divulgar cidades, sabe bem que jamais escreverei sobre qualquer morada que habite qualquer centro comercial. E por mais que admire o tamanho do império que um homem trabalhador do Norte construiu, é mais forte que eu: Jamais lhe perdoarei o que fez ao comércio de rua.
E enquanto vos escrevo estas linhas, recordo-me dos dias em que vivi em Amesterdão, dos dias em que pedalava com doze graus negativos até ao mercado Albert Cuyp, para comprar fréseas brancas e inundar a minha casa de Primavera. Lanço então pétalas a este país que apesar do tempo inaceitável para uma latina como eu, nunca investiu em centros comerciais, tem das lojas mais criativas do Mundo e ruas molhadas inundadas de viajantes em bicicletas esvoaçantes.
Hoje homenageio neste blog, um homem que enaltece a nossa Lisboa, com uma das lojas mais dignas das mais bonitas capitais do Mundo (como a nossa). O Maurício do Em Nome da Rosa, permitiu que o meu escritório vivo acontecesse na montra mais famosa da cidade, cenário sempre elevado de genealidade.
E emocionada, agradeço a beleza dos dias, a ópera na rua, (que me transportou por momentos à presença de um fantasma), agradeço a disponibilidade do Maurício, do Miguel e do João, a alegria, a criatividade e generosidade que vi acontecer nesta morada, onde o perfume me fundiu com a cidade que me move.
Ainda um agradecimento a todos os parceiros, que por enorme cúmplicidade escolhi a dedo:
Arquiloja da Mercedes Seco l secretária vintage
BCBG Max Arzia l vestido esvoaçante do dia da estreia
Domo l candeeiro Ingo Mauer
M.A.C. l make up
Max & Co l looks de 6ª, Sábado e Domingo
MontBlanc l caneta com que foram escritos todos os poemas
Nespresso l a marca que amo por enaltecer as cidades contínuas
O Epicurista l vela da Diptique de fréseas
Paris-Sete l cadeira Charles & Ray Eames, 1950 da Vitra
Perrier Jouët l o Champagne mais poético do Mundo
Rouge l hair by Domy
Sistemas Rafael l impressão digital
e claro, a toda a equipa Em Nome da Rosa.

09 novembro 2009

na extensão da eternidade



surpreendo-me por abrir a excepção de colocar pessoas - e falo também de mim - nesta morada. mas elevo-me na distância, com a responsabilidade de conseguir partilhar a experiência de um escritório com vista sobre a cidade.

agendado já um exclusivo, a publicar daqui a um mês no meio que tinha como o mais desejado, deixo-vos alguns dos viajantes que na beleza da transversalidade e no movimento, enaltecem ainda a minha memória.

no final das imagens, o agradecimento do privilégio,
uma homenagem a esta cidade que me move
e ainda a dúvida do poeta que me ilumina,
todos os dias.






















e na invenção dos dias claros,
em que cidade fechámos as pálpebras para nos amarmos?