
© Filipe Enes
apenas um destino.





Chegas com um mapa na mão, e na madrugada em que o céu te recebeu registo a imagem de um sagitário viajante. E chegas sem medo, numa noite de verdades mais puras, de verdades que não temem o silêncio ou a profundidade de uma solidão longínqua. Neste preciso momento abraço-te com a ponta dos dedos. E chegas numa noite em que a ousadia das palavras inteiras me confirmam todas as escolhas mais intactas. E mesmo sem sentir o poder puro das tuas mãos, abraço-te com humildade e agradeço o privilégio e o crescimento de uma árvore, que me confirmam a extensão da existência.
Esta noite, agradeço a chegada do viajante e enquanto tudo se inicia, na consciência do que precisas para percorrer o sonho, invoco a luz, a senda, a paixão e o fogo para te darem coragem e de novo em silêncio, ajoelho-me na destreza e peço ao Universo que consigas amar num sítio tão frágil como o Mundo.
(o Henrique nasceu na madrugada de 26 de Novembro de 2009)










to Give Me That Slow Knowing Smile, Lisa Ekdahl vem a Lisboa dia 30 de Novembro à Aula Magna. mais aqui.
curiosamente o video tem cenas deste post que homenageia o Wong Kar Way, uns dos mestres mais visionários de sempre.
Desses dias retive a frase final da entrevista: quando é para agir deve-se mover, quando é para estar quieto deve-se compreender a quietude, quando é para dar a mão deve-se ensinar. E depois, depois perdi-lhe o rasto.
E um dia desta semana, enquanto o trânsito me aprisionava a beleza dos dias e depois de um treino onde a superação dos meus limites aumenta ainda mais a destreza com que me proponho a alcançar os sonhos, atravessava as ruas da cidade. Cansada e pronta para entrar na máquina de lavar com a roupa que se colava à intensidadade da pele e perdida na espera das ruas, olhei para a esquerda e tive a visão: o sonhador estava à porta da sua academia, vestido a rigor, a ensinar dois dos seus alunos, duas crianças que cresciam enquanto os olhos enormes absorviam as palavras do professor, que era olhado como um herói. Congelei o momento.
por vezes basta um segundo de um olhar,
para perceber a grandiosidade do sonho.
mas quando o tocamos na visão mais pura,