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12 agosto 2009

andanças



quatro dias com os pés muito sujos, um calor que se cola à pele e que é confirmado pela noite húmida da serra, bebidas servidas em copo marmita de metal, a dita marmita pendurada no gancho, os talheres de madeira, os pratos ecológicos, a comida vegetariana, as intensas tartes de gengibre, mergulhos em lagoas de água pura, cascatas apetecíveis, as costeletas maiores do que o permitido, a broa de milho como nunca antes vista, o vinho escolhido por dois deuses, os trilhos de pedra, o mel caseiro do pequeno almoço da D. Maria do Céu, tendas de muitas cores, as redes penduradas, filas para tomar banho, curvas e contra curvas, poços negros, poços azuis, as sombras das árvores, os livros lidos ao som da natureza, as pulseiras de cores fortes, as intervenções murais, as pulseiras no pé, a certeza da tenda seis, o Tango Novo, o Juan e a Graciana, a Kizomba, o Funáná, a Salsa o Meregue, as danças do mundo e outras tantas. Os malabaristas do fogo, a terapia do abraço, o acordeão do João Gentil, o workshop do sexo tântrico, os imensos rostos com quem tanto dançamos e já nos esquecemos do nome, portugueses a estudar na minha Amesterdão, suecos fascinados pela língua portuguesa, ou filipinos com um sorriso do tamanho do Mundo. Dançarinos de todas as idades e feitios, as calças largas, as ricas, as havainas e outras primas, os fatos macacos e a flexibilidade, e ainda a ausência de um encontro com um livro que atravessou o Atlântico.

em nome da dança e para repetir muitas vezes. mais aqui



















10 agosto 2009

PersonalTime Newsletter nº 4 | Agosto



Muito sal na pele, muito peixe fresco, fins de tarde inadiáveis, intemporais. Mesmo de férias, a PersonalTime vai acompanhá-lo, onde quer que esteja, onde quer que precise. Ideias para quem fica a tomar conta da cidade, um bilhete esgotado, farmácia a altas horas da noite, uma ida ao supermercado ou um presente de última hora. Tudo para não sacrificar o mais sagrado da praia: a hora da luz dourada. Sem muitas palavras neste mês do descanso, o tempo é todo seu. Vá de férias e esqueça-se de tudo. Nós tratamos do resto.
mais aqui

05 agosto 2009

A cidade na ponta dos dedos l No rasto de uma diva


clique na imagem ou se é assinante aqui.

Com uma identidade plena de glamour o Martini Rosato é a bebida mais expansiva deste Verão. Inspirada na frescura dos vinhos Rosé, a sua sensualidade eleva-se pelos sabores intensos do cravinho, da canela e da noz-moscada combinados com a frescura dos aromas da framboesa e do limão. Com ingredientes naturais é perfeito servido com muito gelo, sempre na companhia de folhas de hortelã. Perfeita para o europeu drink after business, a minha escolha elege a esplanada sobre o Tejo do novo bar do Altis Belém, ou a varanda do Shis, na Foz do Porto.

publicado a 1 de Agosto na revista Única do Expresso

19:08


19:18

13:48


29 julho 2009

Lisboa revisitada



Enquanto caminho livre pelas ruas da cidade, abraço a palavra cumplicidade. O sentido de pertença molda-se em silêncios puros, que não já não precisam de nome. Ontem menina e moça, hoje mulher és a minha Lisboa, uma amante por quem vivo uma paixão compulsiva. Desejando-te uma feminilidade balzaquiana, procuro-te ainda um mais digno Terreiro do Paço, a recuperação dos edifícios devolutos, a substituição das inexplicáveis esplanadas de plástico, uma Baixa Pombalina com sorrisos nocturnos, ou mesmo uma perseverança e uma vontade mais sentida. Mas foi nos dias em que te troquei pela justa e rigorosa Amesterdão ou pela alegre e caótica Atenas, que realizei numa certeza mais limpa, a bênção de um Tejo que nos abraça. Talvez por isso, e apesar do que te falta, não ousei trocar-te pela movida de Madrid. Sonhos e futuros à parte, sempre misteriosa, a minha cidade branca continua a atrair viajantes, sejam eles descobridores por tempo certo, ou vidas livres que passaram a chamar pátria à nossa capital. E perante a energia presente, onde se vive a ideia de mundo, os alternativos pontos de encontro fazem-me trocar pensamentos e palavras mais europeias. Por isso agradeço os novos lugares que hoje habito. Lisboa está, sem dúvida, mais iluminada e se muitos acusam ainda o ”tanto por fazer”, apenas me revejo na palavra oportunidade. Entre as esquinas escondidas e os tapetes de folhas de plátanos que testemunham o Outono futuro, sei que Lisboa é insubstituível. E se o caminho é longo, para nunca deixar de a sonhar, nas suas sete colinas me enaltecerei. Sempre.

(re)publicado na Revista de Turismo de Lisboa

27 julho 2009

e por falar em refrescos


estão lá todos: o capilé, a gasosa, a ginja, o pirolito e até a castanheira.
o quiosque fica na praça mais bonita e mais maltratada da cidade, a Praça de São Paulo.
Catarina e João, para quando mais uma recuperação a juntar aos vossos feitos estóicos por Lisboa?


refresco sobre a cidade



O Verão reconhece os viajantes que percorrem as colinas, enquanto a cidade flutua com a brisa atlântica a arejar as esquinas da cidade. “Mas e o refresco, onde está o refresco?” Os quiosques devolvidos à cidade - nas Praças do Camões, Praça das Flores e Praça do Príncipe Real - marcam ponto de encontro com bebidas inspiradas em receitas centenárias. Confeccionadas com menos açúcar, a limonada chic, a famosa orchata, o chá gelado com jasmim ou o capilé são escolhas geniais para quem deambula pelas calçadas portuguesas. Mas a imagem cénica de Lisboa merece bem que observemos o Tejo de frente: a companhia do granizado de melão servido pelo Tiago na varanda do Hotel do Bairro Alto, o esfusiante Porto Tónico do Luís Baiena ou na recém inaugurada varanda do terraço do Tivoli Lisboa, a abençoada Morangosca dos meninos do Rio ou qualquer vinho fresco no Deli Delux. Ainda o chá de Verão com figos secos na Carpacceria Infinita, o chá gelado de canela do Casanova ou a enigmática Pussy Royal na Bica do Sapato. A cereja no fim do bolo será a mais cúmplice bebida do Verão, o Hendrick’s com rodelas de pepino, que na varanda do Lux ou nas ruas da Bica, no Baliza é servido nas taças originais. Mas o Tejo é sempre Atlântico por isso num abraço consumado a um poderoso pôr-do-sol, a varanda do Albatroz com a carta dos vinhos brancos gelados e o Farol Design Hotel na companhia de uma sangria de pepino, com gengibre e sake rematam a cidade na sua extensão de Tejo.

Lisbon Golden Guide, Julho 2009

24 julho 2009

elegy



e era entre quatro paredes às escuras que pela companhia de um cinema agendado, que tinha coragem de reabrir a pasta de arquivo. sempre foi mais fácil acreditar na palavra cobardia, do que cair na escuridão das saudades do que não tinha sido vivido.

o autor é idolatrado pelos homens. mas é afastado pelas mulheres: é menos duro iludirmo-nos da verdadeira natureza do sexo masculino, por isso - tal como viver a jogar com as fichas todas - é preciso coragem para ler as despudoradas palavras de Philip Roth. nas suas páginas compulsivas, os homens são desenhados na sua mais pura realidade. incómoda, decerto a qualquer ilusão suave de quem gosta de acreditar na consistência do amor.

fiquei mais sábia na companhia das páginas deste autor. e para quem me conhece: sou romântica sim, mas prefiro uma verdade (mesmo indesejada) do que uma ilusão que me transformará num animal moribundo.

depois da passagem do tempo é Consuela que dá o passo de voltar a sentir a presença de um coração que não se esqueceu. a raridade das mulheres inteiras valem por isso, uma imensidão neste mundo incerto dos afectos. e se há alguém com conduta para uma vida em verdade, considere-se esse homem um privilegiado: nada tem a ver com a dureza do envelhecer, mas antes com a capacidade de amadurecimento.

no final, a certeza: a vida é para se viver sim, mas não se pode perder tempo. e nas quedas indesejadas ou nos longos desertos, a resistência num caminho que se faz sozinho desenhará no nosso corpo um perfil mais luminoso. como diz um dos meus irmãos de vida, ser sensível é também ser lúcido.

a tela alivia a brutalidade das páginas originais. mas não deixa por isso de valer a pena. e muito.
a ver aqui

21 julho 2009

pied de poule


sobre o poder lunar
e com a verdade tingida na pele.

correio virtual


na excepção do irreconhecível
um roubo, pelas ruas da cidade.

obrigada ao viajante.

17 julho 2009

Descobrir l como se mais nada existisse


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

Agora que é tempo de descobrir o que existe para lá do sonho, o Verão aparece como um fim de tarde sem instantes. Alarga-se então o tempo para nos encontrarmos, para nos descobrirmos. Porque a cidade abraça sempre os que ficam, duas moradas para viver o Verão com a intensidade que todos os devaneios merecem.

15 julho 2009

GQ l Pelas ruas da cidade



O raro toque de Midas
Quem conhece a energia feminina e contagiante de Marcela Brunken sabe que o seu toque de Midas transforma ideias simples em acontecimentos irrepetíveis. Uma galeria, um espaço para homenagear o design, mobiliário e objectos reciclados, acessórios, livros, discos, a imensa ideia de mundo e agora uma carpacceria infinita. Rendida à poesia do seu bonito projecto, nesta fábrica de sonhos não existem duas árvores iguais, dois pássaros iguais, duas gotas de chuva iguais ou dois beijos iguais. Talvez por isso a nova carpacceria tenha nascido como mais um irrepetível projecto de amor, desta viajante atlântica pela nossa cidade. Tudo neste templo do bairro do Príncipe Real é construído com uma enorme dedicação, que com detalhes apaixonantes fazem do Fabrico Infinito um testemunho onde de se põe tudo o que se é naquilo que se faz. Da experiência, nomeio o carpaccio de bresaola e abacate ou o de salmão, a acompanhar com o chá gelado infinito com frutos secos. Mas o ponto alto vai para o couvert servido com gengibre, pesto e um extraordinário balsâmico de figo. Ainda para se render a um carpaccio de morango ou desfrutar de um Hendrick's no final do dia, neste terraço e retendo mais uma vez as palavras do nosso mais notável poeta, há ainda o dever de sonhar. De sonhar sempre.

Venham as estrelas
Há anos que me debato com a questão: porque não existem mais restaurantes portugueses com mais estrelas Michelin? Sabemos receber como ninguém, temos umas das melhores gastronomias do mundo e na doçaria temos o privilégio de contemplar tesouros conventuais únicos no planeta. Poderia ter em conta que a doação de estrelas fosse empacotada numa delimitação Ibérica, e que os membros de quem as atribui em Portugal serem os nossos vizinhos galegos. Mas sobra ainda a tão difícil consistência, qualidade importante para se adquirir qualquer estrela Michelin. Na nomeação das estrelas da minha cidade, o Bocca surge como um beijo. Com um nome que nada tem de italiano, este restaurante apresenta uma das mais apetecíveis cartas da cidade e sim merecia mais estrelas do que as que acompanham os passos da equipa fora de série (quem nos serve, move-se sobre uns All Star verdes bandeira). Com a recente mudança de carta não poderia deixar de partilhar as novas sugestões e o carinho com que Pedro Freitas faz desta morada uma das mais consistentes da oferta da capital. Ainda no rasto dos astros, a minha escolha elege o camarão tigre salteado com arroz cremoso de algas wakame, com telha de parmesão e nori com emulsão de mariscos. Sobre a atribuição das merecidas Michelin, quero continuar a acreditar – acreditar sempre -no trampolim de estrelas que Carlos Drummond de Andrade tanto transpirava nos seus poemas do além.

As melhores do mundo
Com a minha pouca admiração de qualquer franchising na minha cidade, abro uma excepção merecida a estas pequenas bolachas artesanais. Da catalã Demasié, estão disponíveis na Xocoa, o novo paraíso de chocolate da Baixa Pombalina. Defendidas pelos seus criadores como “exageradamente boas”, eu atrevo-me a adjectiva-las como surpreendentes ou mesmo as melhores do mundo. Fica a provocação.

Personal Time 3 l Julho 2009



É-nos muito fácil acompanhar o seu tempo pessoal e continuar a ajudá-lo nas suas férias, mesmo se as suas fugas forem para fora do país. Na primeira newsletter deste Verão, a partilha de um dos mais familiares e charmosos hotéis de Portugal, com tempo ainda para o novo cocktail da Hendrick’s, a descoberta da mala mais visionária do design português, uma dança com a Lykke Li, uma inesquecível viagem de barco pela beleza do Adriático ou uma elevação à poesia. Sejam quais forem as suas opções, o que é preciso é ter tempo. Como escreveu um dia o nosso poeta mais presente, ter tempo para sentir tudo de todas as maneiras. Viver tudo de todos os lados, ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo, realizar em si toda a humanidade de todos os momentos, num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
Estamos cá para tudo isso.

mais aqui e aqui

14 julho 2009

"enquanto houver Sol"


uma Lisboa abençoada
por um viajante que tanto agradeço na minha vida e na minha cidade

10 julho 2009

A cidade na ponta dos dedos l quase como um poema


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De frente para o Atlântico, no Farol Design Hotel, em Cascais, ou no Hotel Tivoli, em Lisboa, sugerem-se sofisticados refrescos para quentes finais de tarde. Ainda, coloridos livros de notas com capa dura para registar encontros com viajantes da cidade.

publicado na revista Única do Expresso a 6 de Julho de 2009

Descobrir l quando as cidades me falam de amor


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

Hoje, apenas escrevo, quando as cidades me falam de amor. Um amor pessoal e transmissível que relata fielmente, o que ele dita dentro de mim. Sentada por momentos em Florença e folheando o amor apaixonado de Dante por Beatriz, nas páginas de uma Vida Nova, observo ainda os encontros perdidos na ponte Vecchio. Hoje, confirmo mais uma vez as palavras do poeta onde a comédia é divina: afinal, o amor e o coração nobre são uma única coisa.

Descobrir l na importância do que somos


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

Na velocidade dos dias sobra-me ainda tempo para a consciência de que só vale a pena viver em comunhão com a pureza do Mundo. Sejam quais forem as nomeações, haja ainda espaço para o tempo do coração de David Mourão Ferreira tanto falava: a importância do que somos transporta-se hoje pela minha e pela tua pele.

arrivato


em breve
algumas congelações das estações onde parei.

29 junho 2009

"conteggio diminuente" VII


ao sétimo dia,
finalmente a carruagem.

voltarei em breve.

28 junho 2009

"conteggio diminuente" VI



"instabilità, ricerca e ritorno"

27 junho 2009

"conteggio diminuente" V

não fique nem com saudades nem com remorsos.
destruir é melhor que criar,
quando não se criam as poucas coisas necessárias.

hoje é um dia importante para si.
é melhor deixar cair tudo e espalhar o sal,
como faziam os antigos para purificar os campos de batalha.

"conteggio diminuente" IV

não colocando a cena final do Bianca, que cobre o meu fascínio pelos viajantes da cidade, agradeço a sugestão da Catarina.

Michele: Porque vieste?
Bianca: Não devia?
(...)
Bianca: morango, limão, amêndoa e nata.
Michele: não ligam bem juntos.
Bianca: eu acho que sim. já provaste?
Michele: não.
Bianca: então como é que sabes?
Michele: não preciso provar para saber se as coisas ligam bem ou não. pode-se prever e assim… não se cometem erros.
Bianca : experimenta em vez de falares.

26 junho 2009

Descobrir l ao longo da muralha


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

É ao longo da muralha que habito, que me escondo nas palavras. Nas palavras, nos poemas que me devolvem a beleza entre os sons e os sentidos. Chego de mãos vazias, e com a pele dourada tento recolher o fugitivo ouro dos dias. Escrevo no muro me acompanha a frase de Gabriel Celaya, a poesia é uma arma carregada de futuro.
As promessas esperam por mim, frágeis, acesas e as palavras de hoje, partilho-as na estação do cio, como um segredo. O mais puro.

O mapa do amor
O Futuro é sempre próximo. Da ponte sobre o Tejo vejo que a sofreguidão pela frescura do mar flui sem espera, mas não hesito: a selecção de António Pinto Ribeiro merece que a brisa do mais vivo jardim da cidade, me roube um mergulho no Atlântico. Ao longo de 80 metros, os poderosos jardins da Fundação Gulbenkian erguem-me à visão da refulgente poesia. A iniciativa do programa Próximo Futuro que se dedica às novas gerações criativas da Europa, América Latina (e Caraíbas) e África, deita-me num dos almofadões de cores rasgantes que se espalham pelo percurso. Por instantes oiço as estrelas a dizerem tsau, e recomponho o mapa do amor, nos corpos desconsagrados. Deixo-me reconquistar pelas árvores de Manuel de Barros, rendo-me à doçura da vida de Sophia. E porque estamos na estação do cio, deixo-me atravessar o limiar de olhos fechados. Hoje a cidade está aqui para mim.

Acende-te poesia
Lisboa invade-se pelo silêncio. O silêncio das palavras eloquentes, no sentido de promover novas tendências artísticas e urbanas. Tornando ainda mais cúmplices a música e as sentenças, dos debates, das conferências e das leituras encenadas do Festival do Silêncio, reflicto o audio-livro. Desde que me elevo a ouvir o “queria de ti um país” de Mário Cesariny no cd da Assírio “os poetas, entre nós e as palavras” não questiono a distância das aromáticas e sublinháveis páginas dos amigos puros. Substituir a vastidão palpável do meu “Anjo Mudo” de Al Berto num mp3, não estará nos meus planos mais próximos. Mas porque me rendi ainda mais a Cesariny com o testemunho da Autografia – obrigada Miguel Gonçalves Mendes – tenho já biblioteca atlântica os 34 poemas gravados por Vasco Pimentel, lançado na passada sexta-feira no Goethe Institut. Também a não perder esta sexta, na caixa de música mais poderosa de Lisboa, o Concurso Poetry Slam. Uma tendência das mais excêntricas capitais do mundo, onde em três minutos de palco, os mais destemidos poetas da cidade declamam as suas poesias mais acesas.

Na mais límpida realidade do tempo
Usada também para concertos, o edifício mais antigo de Amesterdão - Oude Kerk – mostrava-me sempre a inauguração da fundação fotográfica holandesa fundada em 1955. Num edifício igualmente admirável e à beira do nosso Tejo, a 52ª edição do World Press Photo mostra-se em Lisboa, no Museu da Electricidade. A minha partilha nestas páginas – e opto por não partilhar as imagens violentas - elege as mais sublimes congelações: “Model” do italiano Giulio Di Sturco, “The Raw File” da americana Brenda Ann Kenneally, e “Noor for Positive Lives” do espanhol Pep Bonet. Muito mais que qualquer locução, uma exposição que me envolve e resgata à mais límpida realidade do tempo.

24 junho 2009

"conteggio diminuente" III

Morre lentamente quem não viaja,

Morre lentamente quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.

P.N.

chorai, chorai poetas do meu país

depois das sardinhas fumantes e muitos brindes com o Martins, no Pateo 13 em Alfama, o Clube Lusitano e as ruas de Sé enchem-se de alegria e suor muito válido para chorar, mas de outra maneira. obrigatório e imperdível, todas as terças.



mais aqui e aqui

"conteggio diminuente" II

entre mim e o meu silêncio
há gritos de cores estrondosas

P.N.

22 junho 2009

"conteggio diminuente"


prometo não tocar às campainhas
com a história do pasteleiro trotskista.

21 junho 2009

coming soon



mais aqui.

19 junho 2009

Descobrir l quando a cidade tem sentido


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.
Na partilha de uma Lisboa de hoje, de uma Lisboa de sempre, estendo-me num abraço ao céu por viver os testemunhos de uma cidade com sentido. O depoimento de duas salas de jantar onde me inundo das minhas mais profundas raízes e a certeza de que não preciso de viajar na genialidade das páginas de Eça de Queiroz para imaginar o sabor de uma orchata.
Esta semana “vai de refresco”, e vai muito bem.

18 junho 2009

amor cachorro



quando admiro de longe,
tenho sempre receio de chegar mais perto.

mas numa das esplanadas mais douradas da cidade,
e com o poder fulgurante das palavras
confirmo a beleza,

a genialidade.

do Jordi,
quase tudo aqui.

17 junho 2009

num feixe de luz



É como uma pele especial que escrevo sobre Amesterdão. Com morada nesta pequena grande cidade durante três anos, partilho com conhecimento de causa a genuína energia da capital holandesa. Longe das atracções mais básicas dos coffe shops ou do red light district está uma cidade consistente. Detentora de muitos dos melhores arquitectos do mundo e com um planeamento urbano notável a preservação de Amesterdão é um exemplo de cidade. Fruto duma herança calvinista, o rigor e o orgulho andam sempre de braços dados a um prático e conciso sentido de vida. Mas Amesterdão, mais do que uma romântica cidade de canais e casas intocáveis é uma cidade de constastes, não fosse um dos países mais criativos da Europa do Norte. Habituados a construir a sua morada aliada a um sentido de mundo, reminiscente ao período das descobertas, Amesterdão divide-se num feixe de luz entre uma morada de holandeses e estrangeiros. Com uma estética perfeita, sempre entre o que já existe e o que se constrói de novo, a cidade estende-se ao som das bicicletas e a uma dinâmica que funciona sustentada na simplicidade. Janelas sem cortinas, casas repletas de livros, jantares à beira da magia que invade a noite nos canais, tornam singular a sua realidade sobre água. Se não tenho saudades de uma cidade onde o tempo não conquista nenhum coração latino, recordo com carinho a frontalidade de um povo transparente, o fim de tarde a patinar no Vondelpark, a excelência museológica, os passeios de bicicleta, as cores perfumadas que invadem Keuknoof em Abril, as livrarias e lojas criativas, as incontornáveis sopas de tomate ou tartes de maçã do Café De Jaren, ou os ousados minutos de Sol que iluminavam a cidade. Sempre por momentos.

Lisbon Golden Guide, Junho 2009

expulsão



andava com peso na consciência de não acompanhar a transversalidade do que se passa à minha volta. depois de expulsar a televisão do andar atlântico, apareceu o twitter em meu auxílio: é o mesmo que enfiar o Rossio na Betesga. Tudo em proveito da minha sabedoria. Estou rendida.

16 junho 2009

"digam-me como é uma árvore"


a poesia é uma arma carregada de futuro G.C.

15 junho 2009

eros

mesmo sem a sublimação que sempre me habituou, a história de Wong Kar Way, habitada de ego frágil e sublime perserverança, destaca-se grandemente das histórias de Michelangelo Antonioni ou Steven Soderbergh.

14 junho 2009

cama algodão


esta imagem sempre foi uma das minha preferidas dos registos de Yann Arthus-Bertrand.
para quem não teve oportunidade de ver o Home, e porque o Mundo que habitamos precisa e merece, mergulhe aqui.

12 junho 2009

o sagrado

ou uma espécie de grito do homem que sonhava voar.


acredita que se pode morrer de amor?
também se pode morrer de falta de amor.


é a única coisa que há para acreditar

os excertos são da Autobiografia de Miguel Gonçalves Mendes, sobre Mário Cesariny
(para quem ainda não viu: é obrigatório este enorme testemunho de beleza)

"liberdade"




o amor

08 junho 2009

A cidade na ponta dos dedos l A cidade transportável



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A permissão de um franchising de chocolates artesanais, uma loja irreverente que nos orgulha de viver em Lisboa e ainda a mais cúmplice mala da cidade, elege uma capital que se constrói cada vez mais solta e consistente.

publicado na Revista Única do Expresso, a 6 de Junho 2009

a verdade

Vou-vos dizer a verdade: Eu minto.

Não quero ser derrotado, quero render-me.
Quando os corações velhos aprendem amores novos, o mundo recebe na cara cínica que tem, uma escarreta de esperança.
É bonito e corajoso, isto de amar outra vez.

Durante muito tempo pensei que o amor era um exercício de equilibrismo – bonito pelo desastre iminente, difícil por ser impossível o dar ser igual ao receber. Mudaram a minha ideia e a minha experiência. Não estou a aprender a amar de novo, estou a perceber outro amor. Desta vez não é dois contra o mundo, nem um a salvar o outro. Desta vez estou ligado, sem tratados e mesmo assim unido. Não estamos, somos juntos. E percebi agora que nenhum inglês poderia dizer assim este amor.

Já vos disse que sou Outro Romântico e que acredito que o amor se deve espalhar como manteiga. Ser um pinga-amor é mil vezes melhor do que ser um pinga-na-cueca. De que vale um amor guardado? O amor não vale mais por ser vintage, ou estar em mint condition. Ama tudo muito, ama tudo o que conseguires, sempre de peito escancarado. E isto é o que tenho vindo a perceber e a insistir em acreditar. Mas depois há o medo.

O medo de encontrar para voltar a perder. O medo de magoar e ser magoado. O medo de, mesmo juntos, nos sentirmos sozinhos. O medo de não querer a mesma coisa. O medo de descobrirmos que é tudo uma ilusão boa. As cicatrizes são como os elefantes, têm muito boa memória e ocupam demasiado espaço numa sala. Por isso é que uma das partes mais bonitas e determinantes de um amor novo é o showcase das cicatrizes (ou dos elefantes, como queiram). Mostrar ao outro onde e como fomos magoados, aproxima ou afasta. “Olha, este é o meu elefante gostava que o respeitasses e se conseguires, que o percebesses. Ele eventualmente há-de ir à sua vida. Obrigado.” Depois, é o vai-ou–racha.

Amar outra vez vale o esforço.

E é um esforço, não digam que não. Voltar a arranjar espaço e força, para deixar entrar alguém novo. Conseguir estar consciente para não repetir padrões antigos, aqueles responsáveis pela tua parte nos desastres anteriores. Controlares-te para não pedires demais nem dares de menos. Uma canseira. E isto tudo perde toda sua desgraçada importância quando um abraço sabe a casa e o cheiro do pescoço dela é inacreditavelmente familiar.

Primeiro amor há um, a partir daí os sonhos indoutrinados Disney já não fazem tanto sentido, pois não? Tem-se cuidado, demora até mais tempo a inventares um nome para o teu novo amor: não é logo o baptismo, aquela alcunha íntima não aparece com tanta facilidade e quando aparece não é tão cootchy como das outras vezes. Escaldados, não conseguimos ter tantas certezas. E aqui é que se dá o volte-face: Não sei, e estou confortável com isso. Não há necessidade de promessas nem de fantasias de para sempre. Não faço a mínima ideia para onde vamos, mas quero ir. Não sei e sinto-me bem.

Não tenho medo porque já aprendi que não se põem as fichas todas no mesmo número. A pessoa que amas não deve, nem consegue, ser ao mesmo tempo amiga, amante, confidente, terapeuta, colega, parceira de copos e inspiração – é perigoso para ti e extenuante para ela. Não tenho medo porque, desde que eu continue a sentir que ela está comigo porque quer estar comigo, está tudo bem. Não tenho medo porque o que estou a sentir, mesmo sem ter lógica nenhuma, faz todo o sentido. Não tenho medo porque tenho-vos falado das nossas invenções para sobreviver, tenho pensado nas minhas e nas nossas mentiras e agora sinto e sei que isto é verdade. Não tenho medo e não consigo parar de pensar nela.

Eu já era, mas agora estou apaixonado. Queria só que soubessem isso.


Quimpostor no blog do Lux

it just happened



porque é que os holandeses ficam mais luminosos
na senda da calçada portuguesa?

06 junho 2009

blue velvet


(mesmo sem perceber porque tenho de ver filmes na Cinemateca com legendas em castelhano)

no limbo
e na redenção ao blinding light of love,
a persistência do outro lado da margem.
it's a very strange world.

no final,
as túlipas abrem-se a amarelo.


05 junho 2009

Descobrir l Quando Lisboa se incendeia


clique na imagem ou aqui páginas 36 e 37.

Com a energia consistente de quem constrói a melhor meia hora do dia e numa alegria serena, de quem se surpreende todas as semanas por ver acontecer a minha Lisboa, não poderia deixar de partilhar a mais importante fábrica da cidade, o Lx Factory. Quem lá passou no open day sabe do que estou a falar. Lisboa acende-se perseverante nesta morada e, olhos nos olhos, testemunho um lugar onde me revejo na poesia de Herberto Helder: não há fogo sem incêndio. Porque é ainda tempo de conhecer outros lugares sagrados, ainda uma morada, onde o apaixonante T.S. Eliot um dia me segredou que os saborosos mares de silêncio jamais permitirão as crises do instante.

o redentor

enquanto me ensinas a olhar para as coisas,
agradeço e aceito,
sempre no abraço largo.


(obrigada R. pela partilha)

04 junho 2009

Personal Time 2 l Junho 2009



O Verão tem coisas que não precisam de nome é uma frase do poeta José Tolentino Mendonça que me acompanha sempre que vivo a estação azul. Porque queremos que cada vez mais alcance a mais valia do projecto Personal Time, este mês tivemos a ousadia de escrever esta newsletter mais perto do seu tempo pessoal. Seja com a partilha do novo projecto do chef Henrique Sá Pessoa, seja com o restaurante mais aquático do Porto, seja num fim-de-semana onde a terra acaba e o mar começa ou numa viagem de sonho à mais romântica das ilhas em terras de Helena, as escolhas erguem o seu espaço mais limpo. Porque é preciso tempo para conhecermos melhor a verdadeira essência dos rostos da cidade, uma conversa com um homem que terá um papel fundamental na revitalização do Largo de Santos, um verdadeiro testemunho de perseverança na implementação dos seus sonhos. E porque gostamos de desafios, ainda nesta edição de Junho, uma pergunta pertinente: será que o tempo nos constrói?
mais aqui

to dive



talvez pela cumplicidade perdida,
num sitio tão frágil como o mundo,

talvez pelo inconformismo
dos sorrisos tantas vezes negados
da terra que hoje habito,
talvez
pela linguagem dos poetas,
na margem de Ruy Belo,
na imensidão de Pessoa,
ou nos incêndios de Herberto Helder,

quis o destino que eu tropeçasse
onde tudo começa.

03 junho 2009

de vagar


a imagem foi roubada na Vu Mag, na Ler Devagar do Lx Factory.
jamais saberemos como nasceu o desejo do poema.
quando as mãos encontrarem as mãos, e os olhos de um cegarem no fundo dos olhos do outro - recomeçaremos tudo.
lá fora é outra vez verão.
A.B.

02 junho 2009

chacun son cinéma

de la déclaration d' amour à la salle du cinéma, nomeio
Abbas Kiarostami (os três minutos mais comoventes), Alejandro Gonzalez Iñarritu, Walter Salles, Roman Polanski e como não poderia deixar de ser o maior dos mestres, Wong Kar Way.

01 junho 2009

cordoAMA II

a cidade dança?

para quem se lembra da dança da T-Mobile na estação de Liverpool em Londres, aqui partilho a acção na nossa Praça Camões para comemorar os quatros anos do Hotel do Bairro Alto.

(não se esqueçam de reparar nas velhinhas gaiteiras).

31 maio 2009

dedos nos dedos

cordoAMA