
24 setembro 2009
23 setembro 2009
GQ l Pelas ruas da cidade

A segunda casa
Em descanso numa das chaise longues da Malhadinha e com o poderoso silêncio do campo, memorizo as palavras de um dos divãs de Goethe: as palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade. A morada é inspiradora e foi uma das boas surpresas deste Verão. A pouco tempo de Beja, o paraíso alentejano é um testemunho vivo de um sonho. A perseverança da família Soares - proprietária da herdade - é conhecida por colocar toda a paixão nos mais pequenos detalhes, como se pode comprovar nos rótulos dos vinhos da herdade, todos desenhados pelas crianças da família. A juntar aos apetecíveis vinhos da Malhadinha, o hotel que é uma casa de campo, explora o conceito country chic, onde candeeiros Mariano Fortuny ou Philipe Starck contrastam com o azul anil e os vários tons de branco. Mas o melhor de tudo, o silêncio e as pessoas. A serenidade da Cláudia, a energia da Catarina, a disponibilidade do chefe Vítor Claro que com a ajuda de André Pires e da D. Vitalina Santos – para os petiscos mais regionais - nos conquista pela qualidade espantosa do restaurante instalado na Adega. Mais do que um hotel muito apetecível, uma casa onde somos recebidos como amigos. Os de sempre.
Para além de um nome
O nome do restaurante num dos bairros mais emblemáticos da cidade não me atraía, confesso. Mas caprichos pessoais à parte – por ser uma amante da língua portuguesa e também decepcionada pelos muitos Residense’s e Palace’s que inundaram o nosso país - sempre que descia a São João da Mata observava mas não entrava. Hoje reconheço que além do nome, a primeira sala do restaurante me intimidava. E hoje peço-me desculpa por não ter elevado a curiosidade. É que por trás da primeira sala existem mais duas: uma segunda mais acolhedora e uma terceira que me conquistou pela parede de ardósia. A fama da melhor focaccia de pêra da cidade compensou em medidas largas o meu preconceito. A cozinha, está a cargo de Alessio Carrer, um italiano nascido em Caorle - na província de Veneza – um chef que trabalhou num restaurante em Nova Iorque com os proprietários, André Cristóvão e Liana Pinto. A carta tem uma base puramente italiana, de estilo mediterrâneo, mas com raízes que elevam a tradição e costumes da província veneziana. Nas conquistas: o couvert, pela variedade do pão com destaque para o de centeio, as pizzas cozidas em forno a lenha, finas e estaladiças. Na categoria das massas e dos rissotos a originalidade é palavra de ordem, mas a minha rendição partilha os Gamberoni alla Triestina, umas gambas descascadas, salteadas em azeite aromatizado com manjericão e flamejadas com conhaque e vinho branco. O prosecco pode ser servido a copo e nas sobremesas destaco o Tiramisú. O serviço é perfeito. Aceitando o Sofisticato, como um restaurante do Mundo na minha cidade, ainda as palavras de Voltaire: os homens erram, mas os grandes homens confessam que erraram.
Do Norte da Sumatra
Com um aroma refrescante de groselhas negras com toranja e suaves notas amadeiradas que recordam alcaçuz e plantas coníferas, o Singatoba, rico e encorpado com um leve toque de acidez é o tão esperado Special Club deste ano. Pertencente à linha dos Grands Crus de qualidade premium, a variedade da safra limitada Arábica Blue Batak é oriunda da região do Lago Toba do norte da Sumatra, na Indonésia. Mais uma dádiva Nespresso para a energia dos viajantes da cidade.
22 setembro 2009
o beijo perdido

quando abraço a obra de Almodóvar, elevo-me na sublimação das composições de Alberto Iglesias. Da banda sonora de los abrazos rotos, a partilha do tema del amor ciego e ainda werewolf da poderosa Cat Power.
mais aqui
20 setembro 2009
190909

este é o paradoxo do amor entre o homem e a mulher: dois infinitos encontram-se com dois limites. dois infinitamente necessitados de ser amados, encontram-se com duas frágeis e limitadas capacidades de amar. e é só no horizonte de um amor maior que não se devoram em pretensão, nem se resignam, antes caminham juntos até uma plenitude da qual o outro é sinal.
Rainer Maria Rilke
na morada onde habita o desejo do beijo lento e ainda abraçada à poesia de Auden,
ou amamos ou morremos.
16 setembro 2009
μετά από την Αθήνα

depois do abandono da morada, amo secretamente
os silêncios puros.
a consistência de um reconhecimento, hoje mais livre,
enquanto a cidade arde lá fora.
14 setembro 2009
gosto disto

manafon
fanático com vários anos de adoração, o meu irmão de sangue - um alfarrabista habituado a correr em busca de "obras primas" - encomendou o kit completo da nova obra, de David Sylvian.
libertado hoje para as ruas partilho a minha "expectância" e a excepção do video.
PersonalTime | Edição 5 | Set 2009

De volta à cidade, uma newsletter num formato melhorado, para que também ao nos ler não perca tanto tempo. Usando as palavras da ExperimentaDesign, um dos destaques da nossa agenda de Setembro, afinal it’s all about time. Como é que pensamos o tempo hoje em dia? Como uma experiência subjectiva ou um conceito socialmente definido? Um bem de luxo ou uma moeda de troca básica? De certa forma, tudo nas nossas vidas se prende com o tempo, trata-se de um recurso essencial para qualquer pessoa ou actividade. Valorizamos o tempo, poupamo-lo, gerimo-lo, combatemo-lo. Para uns o tempo parece nunca chegar, para outros o tempo sobra.
para continuar a ler aqui.
mais sobre a PersonalTime aqui.
10 setembro 2009
experimenta II

amo devagar os amigos que são tristes
com cinco dedos de cada lado.
os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
de paixão.
Herberto Helder
08 setembro 2009
A cidade na ponta dos dedos l na extensão das palavras

clique na imagem ou se é assinante aqui.
Experiências pelos sentidos onde os fins de tarde inspiram à poderosa reflexão das palavras e ainda um objecto de design inovador, que elogia a beleza da escrita.
Florença sedutora
O Hotel Continentale tem uma localização espantosa. Literalmente a dez passos da Ponte Vecchio, apresenta um estilo muito jovem e sedutor, com pequenos detalhes dos anos cinquenta, e contempla uma suite de tirar a respiração. O último andar é favorecido por um terraço, onde se pode gozar uma das mais fascinantes vistas sobre a cidade, privilegiado com uma luz que apenas existe nos mais poéticos fins de tarde.
O génio e a cidade
A pensar nos mais ousados viajantes da cidade, o chefe Henrique Sá Pessoa criou um conceito original e que mais uma vez testemunha a sua criatividade. A experiência dos cinco sentidos elogia as melhores vistas da capital: na mesma noite e em privado, uma vista deslumbrante com um drink after business no último andar do Ritz Four Seasons, um jantar no Alma — o seu restaurante de assinatura — com final feliz na varanda do Hotel do Bairro Alto. Sempre em lugares fora do habitual, e enaltecendo não apenas os cheiros e as fragrâncias, mas também as sensações, a experiência revela-se espontânea e vivida em rara intimidade. Genial para uma data especial em família, com amigos, ou para eventos corporativos.
Carbono Zero
A nova linha Móvelpartes da Sonae Indústria merece aplausos. Com criação dos portugueses Miguel Vieira Baptista, Atelier Pedrita e dos espanhóis Lagranja, a parceria com CarbonoZero contou com a direcção estratégica de Guta Moura Guedes. Fabricados em aglomerado de madeira e reaproveitando o subproduto de outros processos produtivos, os kits Make it Better utilizam embalagens especialmente concebidas para minimizar o espaço ocupado e optimizar o transporte. Não têm desperdício de matéria-prima na fase de produção e são montados pelo próprio cliente. O design é inovador e a funcionalidade aliada à sustentabilidade são concebidos a preços convidativos, com um reconhecido efeito nulo no clima.
publicado na Revista Única do Expresso a 5 de Setembro 2009
table book
a montagem não tem a melhor escolha sonora do Mundo,
mas os registos de Franscesca Woodman são soberbos.
07 setembro 2009
pintura habitada
ando em círculos, os ciclos voltam.
o trabalho nunca está completo, tem que se voltar a fazer. o que me interesa é sempre o mesmo: o espaço, a casa, o tecto, o canto, o chão; depois o espaço físico da tela, mas o que eu quero é tratar emoções.
são maneiras de contar uma história.
Helena Almeida
04 setembro 2009
cidade maravilhosa
hoje, rendida também às palavras que tanto vendem a sua fama, deixo nestas linha a certeza da próxima paragem.
A mais bonita do Mundo? Logo vos direi.
01 setembro 2009
tram station, o recomeço

as mudanças servem para evoluir.
e por momentos encontro-me numa estação de Lisboa
à espera de mais uma viagem.
para homenagear a melhor meia hora semanal dos últimos dois anos,
a partilha de um dos momentos luminosos, na descoberta de Lisboa.
(ainda a tempo de visitar até 30 de Setembro. mais aqui)
Ao longo da muralha
É ao longo da muralha que habito, que me escondo nas palavras. Nas palavras, nos poemas que me devolvem a beleza entre os sons e os sentidos. Chego de mãos vazias, e com a pele dourada tento recolher o fugitivo ouro dos dias. Escrevo no muro me acompanha a frase de Gabriel Celaya, a poesia é uma arma carregada de futuro.
As promessas esperam por mim, frágeis, acesas e as palavras de hoje, partilho-as na estação do cio, como um segredo. O mais puro.
O mapa do amor
O Futuro é sempre próximo. Da ponte sobre o Tejo vejo que a sofreguidão pela frescura do mar flui sem espera, mas não hesito: a selecção de António Pinto Ribeiro merece que a brisa do mais vivo jardim da cidade, me roube um mergulho no Atlântico. Ao longo de 80 metros, os poderosos jardins da Fundação Gulbenkian erguem-me à visão da refulgente poesia. A iniciativa do programa Próximo Futuro que se dedica às novas gerações criativas da Europa, América Latina (e Caraíbas) e África, deita-me num dos almofadões de cores rasgantes que se espalham pelo percurso. Por instantes oiço as estrelas a dizerem tsau, e recomponho o mapa do amor, nos corpos desconsagrados. Deixo-me reconquistar pelas árvores de Manuel de Barros, rendo-me à doçura da vida de Sophia. E porque estamos na estação do cio, deixo-me atravessar o limiar de olhos fechados. Hoje a cidade está aqui para mim.
Acende-te poesia
Lisboa invade-se pelo silêncio. O silêncio das palavras eloquentes, no sentido de promover novas tendências artísticas e urbanas. Tornando ainda mais cúmplices a música e as sentenças, dos debates, das conferências e das leituras encenadas do Festival do Silêncio, reflicto o audio-livro. Desde que me elevo a ouvir o “queria de ti um país” de Mário Cesariny no cd da Assírio “os poetas, entre nós e as palavras” não questiono a distância das aromáticas e sublinháveis páginas dos amigos puros. Substituir a vastidão palpável do meu “Anjo Mudo” de Al Berto num mp3, não estará nos meus planos mais próximos. Mas porque me rendi ainda mais a Cesariny com o testemunho da Autografia – obrigada Miguel Gonçalves Mendes – tenho já biblioteca atlântica os 34 poemas gravados por Vasco Pimentel, lançado na passada sexta-feira no Goethe Institut. Também a não perder esta sexta, na caixa de música mais poderosa de Lisboa, o Concurso Poetry Slam. Uma tendência das mais excêntricas capitais do mundo, onde em três minutos de palco, os mais destemidos poetas da cidade declamam as suas poesias mais acesas.
Na mais límpida realidade do tempo
Usada também para concertos, o edifício mais antigo de Amesterdão - Oude Kerk – mostrava-me sempre a inauguração da fundação fotográfica holandesa fundada em 1955. Num edifício igualmente admirável e à beira do nosso Tejo, a 52ª edição do World Press Photo mostra-se em Lisboa, no Museu da Electricidade. A minha partilha nestas páginas – e opto por não partilhar as imagens violentas - elege as mais sublimes congelações: “Model” do italiano Giulio Di Sturco, “The Raw File” da americana Brenda Ann Kenneally, e “Noor for Positive Lives” do espanhol Pep Bonet. Muito mais que qualquer locução, uma exposição que me envolve e resgata à mais límpida realidade do tempo.
30 agosto 2009
28 agosto 2009
27 agosto 2009
a má emenda
Esperem lá...não sei se percebi bem. Querem retirar as marquises e sugerem estores para disfarçar?! Pior a emenda do que o soneto.
Marquises arrancadas claro que sim, mas na impossibilidade desse feito estóico - na minha cabeça possível - remenda-se " a coisa" com estores?
Por vezes sinto-me a viver num país de bimbos. Estores, paralelamente às marquises são dos piores detalhes urbanísticos de Lisboa.
marquises sim. e estores também...marchava tudo.
26 agosto 2009
sliding doors III
na vida não há decisões erradas. apenas opções - que aceites com coragem - nos transformam em seres humanos mais sábios. mais inteiros.
hoje, novamente numa estação de comboio, escolho a maneira mais digna de proseguir,
life is foward.
24 agosto 2009
GQ l Pelas ruas da cidade

Na memória guardava uma deusa de patins que atravessava a cidade pelo prazer de um Martini. Mas na experiência apaixonante da mais carismática terrazza de Milão, ou de cabelos ao vento a bordo de um Porsche pelas deslumbrantes curvas do Laco di Como, reconstruí a imagem de uma marca que se eleva pela alegria de viver. Na história desta bebida que tanto elogia as cidades apetecíveis, recolho duas fotografias intemporais. E se alguns anos separam um dos casais mais inesquecíveis da história do cinema, na sensualidade do Dolce Vita de Frederico Fellini, ou na exclusividade de um evento à porta fechada na Terrazza Martini de Milão, Anita Ekberg e Marcello Mastroianni representam bem a elegância desta bebida intemporal. Hoje com terrazze itinerantes em acontecimentos surpreendentes, como o festival de Cannes, o Grande Prémio do Mónaco, ou o Festival de Veneza, o conceito elogia não apenas uma deslumbrante vista sobre a cidade, mas também um fim de tarde que nos enaltece enquanto viajantes do mundo. Permanente em Milão desde 1958 e com passado nas cidades de Amesterdão, Sevilha, Roterdão, Montreal, Colorado, Atenas, Londres, o privilégio das terrazze é único: um imenso sentido estético, aliado a um imenso glamour vivido em intimidade. Adorada por ícones como Andy Warol, Sean Connery ou George Clooney, pelas cidades mais trendy do momento, ainda uma homenagem a uma vida celebrada em rosa, com o lançamento de uma bebida que está a engrandecer a luz das mais apaixonantes cidades do Mundo.
A praia urbana
Sempre que viajo transporto comigo um dos mais sublimes pensamentos da literatura portuguesa: viajamos para confirmar a existência do mundo. Se a viagem é apenas com a nossa companhia, a confirmação da ousadia traduz-se na liberdade de observamos melhor o que nos rodeia. Na sequência dessa experiência e ainda mal aterrada de uma viagem à beleza dourada da Toscânia, conheci o Urban Beach pelas palavras de um italiano, com quem me cruzei num dos terraços de Lisboa. Habituado a viver em várias cidades do mundo, o viajante elegeu a nossa cidade para a sua morada mais firme e foi com a qualidade de genuína que elevou o nosso potencial enquanto cidade Europeia. Sem qualquer tentativa de comparação, continuo a acreditar numa Lisboa mais rasgada, numa cidade que se consiga estender, depois das horas menos pessoais do dia. E se a praia urbana chegou até mim por um rendido viajante do mundo à nossa cidade, é num elogio ao Tejo que partilho a importância de um templo de fim de tarde, privilegiado como apenas vivi nos meus dias em terras helénicas.
Fresco, fashion e com glamour
Numa das tardes onde o tempo não se atreveu a viver mais depressa demais, tropecei num texto de um dos meus escritores de sempre. Na Avenida de excelência da cidade - a Avenida da Liberdade – Al Berto pede um Martini. E revejo-me quando escreve que é uma bebida “fatal”, inadiável. E mesmo não atravessando a Avenida para apanhar o elevador, elevo-me em glória, pelos sabores naturais e intensos da canela, da noz-moscada, do cravinho, do limão e da framboesa. Sempre de sorriso rasgado com hortelã e muito gelo.
sliding doors II

foi nesta estação de comboio que perdida em Itália, decidi ficar.
hoje, ao ler esta entrevista do jornal I lembrei-me das conquistas pessoais, da viagem e da intensidade das estações.
Tais como?
A palavra dada. A honradez. Hoje em dia pedir a alguém que seja honrado, que seja honesto, provoca geralmente sorrisos. As pessoas acham que é lírico, que é do século 19.
21 agosto 2009
19 agosto 2009
na senda da profundidade

em 2009 já fui provocada duas vezes (e ainda bem).
uma: de que os meus artigos costumam ter luz a mais.
o meu papel - por enquanto - é o de partilhar o que vale a pena nas nossas cidades, incidindo nos pontos mais fortes do que cada morada.
ao som de Lykke Li

Dance, dance, dance. Podia ser o nome de uma música da Lykke Li, mas quando escrevo o título de uma das músicas mais tocadas no meu ipod lembro-me da minha sugestão deste querido mês de Agosto. Nomes de filmes à parte, escolho para sugestão do mais dourado guia da cidade: dançar. Dançar e mover-se pelas luzes nocturnas de Lisboa, onde a oferta contrastante se rende às vibrações mais apetecíveis. Muitos são os que partem, mas a cidade reconhece-se consistente com as duas maiores novidades estivais. Na primeira partilha, a mais fashion e fresca bebida do Verão surge como um elogio a um estilo de vida: o Martini Rosato bebe-se de sorriso rasgado, com gelo e hortelã. Ainda no rasto do glamour, a nova praia da capital é a morada mais genial para os que ficam a tomar conta de Lisboa durante o Verão. Rodeada de Tejo por todos os lados e com uma sofisticação que apenas vivi nos bares e esplanadas em terras helénicas, este irmão do conhecido Kubo surge como um elogio ao Tejo: a envolvência é de tirar a respiração. Seja nas pistas de dança a céu aberto, seja no Silk, no Tamariz ou no Lollipop, a ordem é para dançar. Se os tempos quentes o levarem a terras do Sul, a não perder durante o mês de Agosto as festas numa morada que promete: o Faces receberá a tão esperada Jameson Summer Seriously Playful Party no dia 4, a Muum Summer Moon Party no dia 8, a 1001 Noites Beefeater no dia 10 e a Chivas Chivelery Party no dia 18. Por isso: dance, dance, dance.
Lisbon Golden Guide, Agosto 2009
prodigiosas

reponho neste post a imagem que acompanha a segunda pele de Alberto Caeiro.
um dos meus amigos mais queridos está me sempre a lembrar duas frases. a primeira que um ser humano não se avalia pela quantidade de vezes que cai, mas pela maneira com que se levanta. a outra diz que as palavras podem ser muito bonitas, mas será sempre nos actos que se distingue a verdadeira essência dos seres humanos.
estou com a nítida alegria - e não tenho a certeza porque o partilho - que me sinto mais humana na verdade mesmo que a mesma implique desertos mais longos. não sei - enquanto humanidade - no que nos estamos a tornar e pergunto-me muitas vezes como é que a beleza de tantos seres humanos se permitiu a tanta vivência descartável e a tanta "prostituição por migalhas". e quando escrevo esta frase observo-me mergulhada em humildade e silêncio, cúmplice dos que vivem o desafio de falar a mais ousada das linguagens, a da frontalidade com a sua alma.
confesso ainda, que este tipo de exposição no blog me tem surpreendido e por momentos quase que aceito - teaser de um amigo que me conhece bem - escrever a minha versão de um Bilhete de Identidade (testemunho de vida de Maria Filomena Mónica que tanto me ajudou a tomar a decisão mais difícil e vitoriosa do meu percurso de vida). o caminho terá de ser construído em verdade, e detentora de fibra - importante referir que a mesma não é virtual - vou continuar a acreditar na beleza do ser humano.
dizem-me que Plutão em Capricórnio está a mexer nas "estruturas". o que quer que isso signifique, a verticalidade será uma opção vencedora dos homens e mulheres, aos quais ouso chamar de pessoas, pessoas prodigiosas.
na destreza da distância
não me canso de ter a certeza que um dia quando partirmos, levaremos apenas duas coisas: a nossa experiência de vida e as memórias que deixaremos nos outros. nem que seja pela segunda, vale por isso sermos seres humanos inteiros e coerentes ao lado mais puro do que é ser humano mais limpo.
por vezes, não são precisos muitos minutos para a distância nos revelar o que nunca tivémos coragem para aceitar. a imaginação é uma fábrica prodigiosa daquilo que desejamos que seja o Mundo. mas o Mundo, esse legado de acontecimentos mais vezes densos do que leves, oferece-nos tudo de bandeja para optarmos pela dignidade mais fiel à nossa essência. no final fica a leveza de uma alma livre, aquela mesma sensação quando observamos a nossa verticalidade ao espelho: um auto-retrato sem grandes nódoas.
18 agosto 2009
a menina dança

a menina dança e sem interrogação.
tive o privilégio de o dançar durante quase duas horas. o par foi um sueco do qual não me lembro do nome e que provavelmente não voltarei a ver (a não ser que estejamos lá caídos para o ano).
é assim o andanças, um palco livre onde se chega para dançar com o desconhecido.
uma das noites a tenda dois quase ruiu, com a Musette, a Polka, o Tango, a Bossa Nova, o Jazz. Astor Piazzolla, Richard Galliano ou Tom Jobim. tudo pelos som de um acordeão em mãos lusitanas. se não imaginaria um escandinavo a acompanhar tão bem os meus ritmos latinos, o talento do João Gentil acompanhado do Luís Formiga foi sem dúvida - na minha experiência - o momento mais alto do andanças.
negócios de família

a actividade leiloeira em Portugal é pesada e pouco fresca, e que há coisas que podem ter cotação" fora dos mercados mais tradicionais.
A P4 vai leiloar o espólio pessoal do cantor, 25 anos após a sua morte. Objectos, fotografias, roupas, correspondência. É a primeira vez que a memorabilia de um músico pop vai a leilão em Portugal. Em Novembro, saberemos se estava na altura de coleccionar António Variações
António Variações era um coleccionador - de santinhos, de bonecos de plástico nus e carecas como bebés, de faiança portuguesa, o que confirma o "folclorista" que ele era (era assim que se definia musicalmente). Tudo isso está registado em fotografias tiradas em casa de Variações (as paredes são verdes, não há que enganar) e tudo isso, incluindo as fotografias, irá a leilão em Novembro.
A P4, a casa que no ano passado leiloou o conteúdo da mítica arca de Fernando Pessoa, chegou a acordo com a família do cantor - oito irmãos, a viver entre Braga e Londres - para leiloar o espólio pessoal de António Variações, que inclui manuscritos, correspondência, objectos pessoais, guarda-roupa, fotografias inéditas. Polaróides tiradas em Nova Iorque. António antes de ser Variações, a preto e branco, um mancebo sem barba rija, em tronco nu no meio do mato. Com os pais, ou na tropa em Angola. As sessões de fotografias na Fonte da Telha, com pulseiras feitas de dobradiças, tesoura a fazer de óculos e traje minimal.
Um programa de concerto de Amália Rodrigues, autografado pela própria: "Para o António, tão bonito que parece estrangeiro...". O casaco xadrez Pierre Cardin. Os brincos. Um esboço da capa do primeiro álbum, Anjo da Guarda.
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16 agosto 2009
as três vidas

um viajante da cidade imagina-me a desfrutar alegremente de momentos com o qual até poderia ter muito pouco a ver. mas essa – confessa-me – parecia-lhe ser precisamente uma das minhas grandes qualidades: apreciar pessoas e coisas tão diferentes de mim. e chama-lhe de qualidade rara.
foi preciso tempo para amadurecer. o crescimento e o meu esclarecimento sobre o funcionamento do Mundo levou-me a uma intenção transversal, onde me revejo nas muitas vidas que paralelas seguem um caminho. lado a lado. e se uns dias sinto também o peso sobre os ombros, ou a intensidade das camadas da solidão, hoje rasgo o sorriso quando caminho pelas ruas da cidade. o edifício já abanou, mas nunca ruiu.
jamais me sentirei pronta para o Mundo e são muitos os dias em que admiro sem partilha, o testemunho do homem de braços largos, que apenas fala no meu silêncio mais puro. e com a certeza de me sentir protegida no espectáculo enfadonho e miserável da existência, aceito os desertos sem água, muitos deles sem resposta, muitos deles sem verdade.
num destes dias cruzei-me finalmente com o autor deste livro. um amigo comum já me tinha falado muito dele, com a descrição de que era um companheiro de desafios sempre superados e com quem se poderia contar em caso de vida ou de morte. pouco sabia sobre ele, a não ser um livro de capa a preto e branco com um titulo a néon cor-de-rosa, com o qual muitas vezes me cruzava nos cúmplices corredores da FNAC do Chiado.
Quid Pro Quo e troco uma segunda pele da criarte com o último dos seus romances. um negócio injusto depois da intensidade das palavras que me iluminaram nos últimos dias. Ruy Belo será sempre um dos meus autores poderosos, mas sei reconhecer que há confirmações nas palavras dos outros que nem às paredes confessamos.
as verdades tropeçam pela noite dentro.
num conjunto de viajantes há sempre um que tem um brilho maior. hoje reconheço a diferença pela verdade: só sei viver assim e faço-o por conta e risco. e nesses minutos revejo-me numa das linhas mais poderosas destas páginas: se procurarmos a verdade, não devemos fazer pequenas concessões que, mais cedo ou mais tarde, acabam por se transformar em monstros de egoísmo que pedem incessantemente por mais.
nas palavras do autor observo-me no brilho incandescente, uma resposta a muitas das questões partilhadas. é desafiante viver o presente: o passado molda-nos, o futuro oferece-nos a ansiedade e o sonho. (renderei-me sempre à ansiedade como a última opção. darei primazia ao sonho). e confesso ainda que me revejo na esperança, mas descarto o temor para resolver os mistérios do Mundo.
a grande resposta estava afinal na última página. por isso recolho todas as palavras - as do livro e as outras - com um imenso abraço.
e hoje, enquanto os caminhos não recomeçam,
construo um corpo iluminado por dentro.
e imagino-me
por momentos, debaixo de uma árvore a fechar os olhos.
15 agosto 2009
a mancha humana
emprestado pelo irmão de sangue, mais uma adaptação do autor isolado que se foca na inteligência, na consciência. sempre "com palavras despudoradas", a fragilidade na complexidade das emoções.
-Tenho uma ligação, Nathan. tenho uma ligação com uma mulher de 34 anos. nem lhe sei explicar o bem que me fez.
Durante quarenta anos fez o que era necessário fazer. Andou atarefado, e a natureza, que é a besta, mudou-se para uma caixa. Agora essa caixa está aberta. Ser reitor, ser pai, ser marido, ser intelectual, professor, ler livros, dar lições, corrigir textos, dar notas, tudo isso acabou. Evidentemente que já não é a vigorosa besta lúbrica que foi. Mas o que resta da besta, o que resta dessa coisa natural, é com isso que ele está agora em contacto, com o que resta. E sente-se feliz por isso, sente-se grato por estar em contacto com o que resta. Sente-se mais do que feliz: sente-se emocionado, e já está ligado, profundamente ligado a ela, por causa dessa emoção. Não é de família que se trata, a biologia já não lhe serve para nada. Não é família, não é responsabilidade, não é dever, não é dinheiro, não é uma filosofia partilhada ou o amor à literatura, não são grandes discussões de ideias. Não, o que o liga a ela é a emoção. Amanhã descobrem-lhe um cancro e acabou-se.
Mas hoje, agora, tem essa emoção.






















