enquanto a chuva limpava a morte dos dias, recolhi as imagens mais extensas. o movimento dos viajantes da cidade, a memória de um rosto que apenas me olhou.
e no abraço das moradas contínuas, onde a solidão se eleva mais pura, entrego-me de novo, às tuas mãos incendiadas.
Lisboa acordou suave e com o barco do Amor no cenário da minha janela, finalmente tempo para agradecer as fotografias e as palavras do Alfaiate Lisboeta.
Embevecida pelos comentários do post do Alfaiate, a rendição a algumas frases como" imagens que pensamos existir só nos filmes", a "elegância, o vestido, o cenário perfeito, poesia, a luz" , "o melhor post de sempre do Alfaiate" ou quem diria, um "je ne ces qua de Monica Bellucci". A surpresa do aumento de visitas à morada onde me refugio para me fundir com o Mundo, nesta cidade que me move e que transporto comigo todos os dias na ponta dos dedos. Ainda um comentário no meu blog de uma viajante que não percebia a falta de comentários, a qual retribuo com a certeza dos amigos silenciosos.
Mas mais importante que qualquer bálsamo de seda no meu ego, as palavras do Zé, esse Alfaiate que nos enche as medidas numa fuga de um dia menos claro.
Sem saber que tinha estudado sociologia ou ter tido a intuição da sua rara sensibilidade, conheci o Alfaiate em Saint Tropez há um tempo, o qual não me importo de não saber o dia mais certo, pois existem momentos na nossa vida onde essa palavra não tem forma. E num dia estival em que me vesti helenicamente de branco, a abordagem pede-me para agradecer ao Universo, o caminho de vida ou a minha ideia de Mundo, que me deu transversalidade e curiosidade para nunca negar um sorriso que nos procura - e enquanto escrevo lembro-me deste post.
Nesses dias distantes, tal como hoje, o Zé revelou-se charmoso, com uma "lata" imensamente elegante - talvez a mesma com que encontra os viajantes que fazem acontecer o nosso querido Alfaiate - e uma enorme espontaneidade. A acrescentar a uma primeira impressão que me marcou pela irreverência, uma enorme simplicidade e o mais importante de tudo, uma pessoa que se relevava sem photoshop, qualidade rara na nossa geração facebook, a qual revejo todos os dias nas suas fotos (o Alfaiate não usa photoshop) e nas suas palavras, as escritas e as verbalizadas.
Hoje e colhendo com ternura as suas palavras posso escrever nestas linhas que o mais importante aconteceu: atrás do sonho onde o objectivo nunca foi colher pétalas, a missão de ser inteiro naquilo que faz, oferecendo-nos um blog que nos alivia a monotonia dos dias, e caminhando por momentos para o lado alado da margem de outro viajante inteiro desta cidade, a certeza de que a vida jamais será escassa para o milagre do fogo.
Depois do sucesso do ano passado, a segunda edição do evento, que inaugura hoje promete. Com o nome Príncipe Real Live, juntaram-se à Rua D. Pedro V a Praça do Príncipe Real e a Rua da Escola Politécnica. A iniciativa é promovida pelo Príncipe Real Project do Eastbanc e todas as lojas estarão abertas entre os dias 5 de Novembro (5ª feira) e 8 Novembro (Domingo) das 10H às 23H e a animação de rua será constante - principalmente a partir das 18h30 - com o patrocínio da Absolut Vodka, Vinhos Fiuza e Champagne Mumm.
Como amante de Lisboa nestes dias escreverei as minhas colunas num escritório vivo numa das montras mais criativas da cidade, a famosa montra do Maurício da loja Em Nome da Rosa. Estarei presente entre as 18H30 e as 22H na Rua Dom Pedro V, 97-99 e conto com os patrocínios da Domo, da Paris-Sete, do Epicurista, da Montblac, da MAC, do Rouge, da BCBG Max Azria,da Max&Co, dos Sistemas Rafael, do Champagne Perrier-Jouët e da marca que elogia as cidades, a Nespresso.
Desde concertos no Miradouro (vou lá parar a seguir às 22h :-), ópera na rua e nas janelas dos prédios cor de gelado, música ao vivo, degustações variadas que vão desde o vinho ao chocolate, inaugurações de exposições em simultâneo de pintura contemporânea, de antiguidades, arte, design, joalharia, peças de autor, moda, passando por workshops de danças indianas, argentinas, make-up, ainda muitos sorrisos rasgados a viajar pela cidade.:-)
O Príncipe Real estará mais vivo que nunca. Be there. Be alive. :-)
a planear uma apetecível viagem ao Porto descobri que em homenagem ao filme de Sofia Copolla, há uma hipótese de dormir num quarto chamado Maria Antonieta.
enquanto ponho os All Star na mala, para palmilhar a cidade romântica, impressiono-me com a quantidade de moradas fascinantes que tenho para descobrir.
e agradeço nestas linhas ao Porto Cool e o romantismo vintage desta cidade surpreendente, que me devolve sempre a cores suaves o algodão doce dos dias.
Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado. Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos, com os livros atrás a arder para toda a eternidade. Não os chamo, e eles voltam-se profundamente dentro do fogo. -Temos um talento doloroso e obscuro. Construimos um lugar de silêncio. De paixão.
Aos olhos do Mundo Quem conhece a verdadeira beleza do Vila Joya no Algarve, sabe que mais do que um boutique hotel de luxo, com o único restaurante de duas estrelas Michelin em Portugal, confirma que são pequenos detalhes que o tornam único na nossa Costa Atlântica. Se lhe destaco a situação privilegiada, o carisma muito familiar, um bar literalmente sobre a praia, um SPA com os mais característicos duches do Mundo ou as criações do chefe austríaco Dieter Koschina, nestas linhas partilho mais um segredo do hotel: a Wine Cellar. Entre a varanda que cobre o restaurante e o caminho do Spa, a adega vive discreta como só os tesouros o sabem fazer. Também pensada em detalhe, é aqui que são guardados todos os vinhos que acompanham as refeições mais famosas de Portugal. Mais uma vez imaginada pelo extremo bom gosto de Joy e da restante equipa que faz acontecer o Vila Joya, também nestas paredes sentimos o tribute to Claúdia - a mãe de Joy – que um dia sonhou este hotel. Se um sonho fez um dia acontecer a casa que já é uma imagem de marca do nosso país, para muitos estrangeiros é também aqui que o nosso vinho se eleva aos olhos do Mundo e só por isso merece a homenagem.
Quando Lisboa acontece Quando chego a São Pedro De Alcântara não tenho palavras para expressar a emoção de ver Lisboa a acontecer assim. Não sei quantas colunas escrevi a pedir o Miradouro de volta à minha cidade, mas seria injusto se não partilhasse por estas linhas, que a espera compensou o roubo de uma das mais fascinantes praças lisboetas. Quem tem ido ao Miradouro à quinta-feira à noite, sabe bem do que estou a falar e quando partilho as preciosas noites dançantes da Roda de Choro, mais convicta fico de que as cidades serão sempre as pessoas. O Miradouro está lindo e a simplicidade dos quiosques nos dois pisos conquistou os lisboetas. O serviço de cafetaria ainda está em experimentação e terá em breve parceria com um reconhecido chef da cidade. Enquanto a extrema qualidade não chega, o meu brunch de Sábado rendeu-se nos dias de Sol às tostas que variam entre o salmão e o presunto - sempre em pão de centeio - e à limonada com gengibre e hortelã uma das mais apetecíveis de Lisboa, pelo afastamento de qualquer acidez. No quiosque do piso mais baixo, pode ainda petiscar a partir das três da tarde, vinho, presunto e uma variedade de queijos. Mas nem só de petiscos vive o Miradouro: os olhos também comem com o cenário da vista deslumbrante e com os viajantes da cidade de todas as idades e feitios. Ainda as sombras dos namorados e um detalhe muito importante, a música de fundo sempre no registo da Bossa Nova. Como se isto não bastasse ainda há tempo para outros registos nas tardes e noites de Sexta a Domingo, com destaque para clássicos do cinema ao ar livre. Para o Inverno há a promessa de mantas e aquecedores cogumelo e nos dias em que o São Pedro nos pregar partidas, fica o consolo que pelo menos nos dias sem chuva, Lisboa brilha no mais vivo Miradouro da cidade.
A Vodka que veio do gelo Destilada de trigo escandinavo de Inverno e água de um lago subterrâneo, formado durante a última Idade de Gelo a vodka Heavy Water é produzida na Noruega. Com um conceito ultra-premium, o último grito das vodkas tem leves as notas de açúcar, de amêndoas torradas, especiarias E frutos cítricos que lhe dão um toque refrescante. Para beber pura e bastante fria, misturada com água tónica ou ainda na liberdade da criatividade.
não tenho palavras suficientes, para partilhar a grandiosidade de alma que António Lobo Antunes transpira, de cada vez que dá uma entrevista. são momentos muito intensos e embora Judite de Sousa não esteja à altura do mel necessário para abraçar a generosidade das palavras, vale pelo testemunho de humildade do escritor.
para este homem que confessa hoje (e depois do sofrimento de um cancro) estar mais perto do coração da vida, para um homem que escreve, para se conhecer melhor e aos outros, ainda o desejo da virgindade do olhar. (o desejo é sublime). veja a entrevista aqui.
bem distante deste registo, recorde a entrevista feita por Mário Crespo há um ano atrás, um dos melhores momentos de televisão que guarda a minha memória. (se nunca a viu, não parta deste Mundo sem o testemunho).
Lisboa acordou deslumbrante e enquanto me preparo para me perder pelas ruas da cidade, rendo-me às imagens da cidade de pedra, que do outro lado do Atlântico me abraçam às palavras de Cesariny. as mesmas que na cidade habitada, me elevam à suave certeza de que em todas as ruas te encontro, em todas as ruas te perco.
não me canso de lembrar a frase de Al Berto quando dizia que a chuva limpa a morte dos dias.
e hoje, hoje cheguei à conclusão pura de que se não escrevesse sobre a cidade, gostava de cantar assim. e não falo da grandeza da voz, mas antes no brilho e na alegria serena, de um passado que nos estende a seres humanos maiores.
Abordaste-me com a ternura do receio, de quem já não habita esta cidade há alguns anos e no desejo do regresso, a saudade antecipada do abandono da tua última morada. Na estrada onde rasgas os horizontes de um amor maior, a exactidão da irrecusável importância das pessoas e no poder do toque, um passado cúmplice que confirmava a minha e a tua visão do Mundo. No momento via-me ao espelho, quando também eu depois de quatro anos fora, regressei a esta cidade e as dúvidas expectantes rasgavam-me um sorriso, daqueles que apenas troco comigo.
Enquanto não o confirmas pela tua experiência pessoal, abraço a tua expectativa e sem ter a certeza que te cheguem estas palavras inteiras, confirmo o teu Chiado sublime, a privilegiada vida de bairro e a elegância das ruas onde não precisarás de nenhuma misericórdia. E entrego-te com a verdade de dois braços abertos de que a nossa cidade acontece na partilha de um testemunho: os passos mais livres, os sorrisos novos e a transversalidade onde devagar nos transbordamos aos olhos do Mundo.
Amanhã, no final dessa viagem e quando alcançares o outro lado da margem, guarda as palavras das harmonias tantas vezes negadas, as mesmas que na distância do nosso lado alado, se retêm na invenção da beleza e nos encontros inesperados da cidade imaginada.
Num sorriso rasgado, uma homenagem aos que tornam possível a minha cumplicidade com as palavras e uma elevação ao poder do silêncio, que ilumina de gratidão o caminho percorrido. Planeando fugas desejadas e na lembrança de uma grande senhora da poesia portuguesa, ainda a certeza de que vale a pena amar num sítio tão frágil como o Mundo.
enviado pela minha querida amiga Jo a viver em Londres, vale a pena ver.
Take the stairs instead of the escalator or elevator and feel better” is something we often hear or read in the Sunday papers. Few people actually follow that advice. Can we get more people to take the stairs over the escalator by making it fun to do? See the results.
Havia, para lá do medo, uma sensação indescritível de júbilo a correr por mim, uma espécie de brilho incandescente que emanava do meu corpo, como se eu fosse uma luz acesa por dentro." João Tordo in As três vidas
Quando te dediquei estepost, filtrava já o poder da tua existência e embora não tenha ainda conseguido ouvir a tua voz, queria homenagear-te na morada onde me partilho com o Mundo.
E é de um sorriso rasgado, que recordo a convicção com que acreditava alcançares o prémio Saramago. Na distância entrego-te pelas palavras, o sentimento: estou muito feliz por ti.
O moleskine trazia o meu dia cheio, enquanto atravessava a passadeira mais famosa do Chiado. Entre a calçada do Largo Camões e a Igreja do Loreto estou atenta ao walk lusitano quando sou abordada pela frase: "deve ser designer para ter uma mala tão original".
Não sei se o viajante da cidade conhecia a Sinfonia n.1 in re maggiore de Mahler que se exibia por um vinil antigo da minha carteira, mas nos meus dias de Amesterdão – por necessidade ou abertura de mente - perdi qualquer desconfiança neste tipo de abordagem. E porque prefiro acreditar sempre na beleza do Mundo, tive a espontaneidade de responder: "não sou designer mas escrevo sobre a cidade".
A minha liberdade com as palavras e a minha transversalidade com as pessoas resultaria numa perseguição Chiado a baixo, onde apenas acabou com um convite para um café.
Adoro cidades, adoro pessoas, adoro experiências sociológicas e sei medir a dimensão real dos episódios inesperados. Jamais seria desagradável mesmo que o viajante em questão não parasse de insistir, como foi o caso. A concluir a abordagem puxei da graciosidade e guardando por diplomacia o papel com um telefone, usei também o meu calvinismo para lhe dizer que não iria ligar de volta, mas que a minha elegância de coração retribuía a abordagem com um sorriso.
A carteira era original sim e pelos vistos não canta a sinfonia de Mahler, mas encanta alguns viajantes da cidade. Mas o mais importante deste post é analisar o estado de desespero com que vi uma pessoa a querer marcar um café com o desconhecido. E enquanto escrevo estas palavras lembro-me de Mário de Cesariny - no soberbo documentário de Miguel Gonçalves Mendes - quando aborda o tema de o tratarem como um ilustre intocável, e de ao mesmo tempo passar muitas noites sozinho.
Sobre o poder da solidão, vivo-a como uma necessidade imprescindível: o espaço próprio, o poder do silêncio, filmes de culto só para mim ou mesmo a companhia dos livros, esses amigos silenciosos. Mas numa década em que até o Fernando Pessoa está na minha lista de amigos do facebook, pergunto-me para onde caminha a dança dos afectos? Tudo se resume a uma palavra, a Procura.
Nesse mesmo dia a minha cidade, cheia de viajantes em procura - uns verbalizam-no outros nem às paredes o confessam - parecia Nova Iorque. Lisboa acontecia com muita intensidade, com inaugurações e eventos cheios de pessoas de muitas cores diferentes.
No final, a certeza de que com muito poucas teria a curiosidade de um café. Mas porque no fim da linha há sempre salvação, uma frase de José Tolentino Mendonça que serenamente me acompanha:
o que de mais belo soube sempre o disse de repente a alguém que não conhecia.
em todas as esquinas da cidade nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa esperança de fuga um cartaz denuncia o nosso amor.
em letras enormes do tamanho do medo da solidão da angústia um cartaz denuncia que um homem e uma mulher se encontraram num bar de hotel numa tarde de chuva entre zunidos de conversa e inventaram o amor com carácter de urgência deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana.
um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura e souberam entender-se sem palavras inúteis.
apenas o silêncio a descoberta a estranheza de um sorriso natural e inesperado.
a invenção do amor, de Daniel Filipe to be continued
Mais uma prova que Lisboa se move visionária. Com uma qualidade de nível internacional, a certeza que esta primeira Lisbon ID será um pau de fósforo para o milagre do fogo. E é com a poesia de José Tolentino Mendonça que não ficam dúvidas, para o imenso trabalho desta edição, que promete continuar a divulgar a identidade criativa de Lisboa. Ainda na senda do design uma escapadela a um dos hotéis mais cool da cidade luz.
estamos em Outubro, janta-se na Travessa com temperaturas helénicas e hoje está um dia de praia extasiante. porque a luz da nossa capital merece, ainda a partilha do filtro solar para trazer na mala dos viajantes da cidade.
Lisboa inunda-se de Sol. O brunch no renovado Miradouro e o abraço ao Chiado viajando da Misericórdia ao fim da Rua do Alecrim. Ainda tempo para o café austíaco e a mais deliciosa feira alfarrabista da cidade com Rilke a olhar-me nos olhos. E com a imensidão do silêncio e enquanto caiem os panos - o Teatro da Trindade ficou lindo - confirmo a minha Lisboa extraordinária.
o Outono nos ergue o caminho aos tapetes dourados da cidade e enquanto o tempo não espera, mais uma newsletter para iluminar a beleza dos dias. Uma escapadela à magia do Alentejo na Herdade do Sobroso pela sublime Atmopshere Hotels ou o lançamento da tão esperada edição da Absolut Vodka Rock. Porque um terço da nossa vida acontece a dormir ainda as soberbas camas Hästens e no reconhecimento da voz e das palavras, ainda um elogio à diva do fado a quem David Mourão Ferreira nomeou como o heterónimo de Portugal. Haja ainda tempo para a poesia do escritor que dizia que tudo quanto é velocidade não será mais do que passado, porque só aquilo que demora nos inicia.
depois de algumas horas de design Português, nem mesmo a água que limpava a cidade me impediu de conhecer ums dos apartamentos da nossa querida Rua Dom Pedro V. sempre tive este vício, andar por Lisboa de cabeça virara ao céu, para me deslumbrar com os edifícios da cidade. por isso quando os descubro também por dentro fico ainda mais iluminada, quando testemunho a boa recuperação e outras vistas da ponte e do Cristo.
o registo que me apanhou em exploração ficou catalogado como vintage, para homenagear a dona da casa, uma pessoa que tem feito muito por Lisboa e a quem baptizei de diva do Príncipe Real. No mínimo, infinito.
entre um almoço na Avenida mais livre da cidade e uma tarde de e-mails a finalizar no LisbonID, consegui finalmente tempo para ir à Feira do Livro Manuseado na Assírio & Alvim. chego com os braços abertos de tantos tesouros encontrados ao preço da chuva. entre os novos amigos silenciosos, alguns cartazes dos meus queridos poetas malditos e o pequeno, mas muito precioso livro que estende a obra prima de Miguel Gonçalves Mendes - a Autografia de Cesariny.
e enquanto a cidade nos molha, apenas me lembro das palavras de Al Berto,
Seja pela irreverência de um espaço de beleza, no coração do Chiado, ou pela nova loja do bairro do design da capital, haja ainda tempo para rasgar um sorriso debaixo de chuva.
publicado na Revista Única do Expresso a 3 Outubro 2009
E quando regressei, regressei com o eterno viajante dentro de mim. Hoje sei que o viajante ideal é aquele que, no decorrer da vida, se despojou das coisas materiais e das tarefas quotidianas. Aprendeu a viver sem possuir nada, sem um modo de vida. Caminha assim, com a leveza de quem abandonou tudo. Deixa o coração apaixonar-se pelas paisagens enquanto a alma, no puro sopro da madrugada, se recompões das aflições da cidade.
A pouco e pouco, aprendi que nenhum viajante vê o que os outros viajantes, ao passarem pelos mesmos lugares vêem. O olhar de cada um, sobre as coisas do mundo, é único, não se confude com nenhum outro.
O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas e a treva, os peixes, os pássaros e as plantas. Aprendeu a nomear o Mundo.
ainda abraçada às palavras de Al Berto, há cidades com que se pode aprender a ver aquilo que dentro de nós existe e não sabíamos.
Can Lisbon be Europe's new capital of cool? The words "new" and "cool" haven't really been associated with this city since the 16th century when it ruled over the world's first global empire, extending from Brazil to India. Vasco da Gama's expedition to the East brought it cultures and a touch of the exotic that Europe had never seen before - spices (cinnamon, pepper, ginger), foods (potatoes, pineapples, tea) and animals such as the elephant and rhinoceros that paraded by the city's waterfront.
When the glory days of trade and discovery were over, Lisbon fell victim to one of the most destructive earthquakes ever recorded, and remained dormant ever since. The kiss that awoke the "princess by the Tagus" came during Expo 98, the last world fair of the 20th century. The Expo site became a new neighborhood with futuristic architecture, riverfront warehouses were converted into clubs and restaurants, its narrow cobbled lanes were invaded by caipirinha-holding young crowds enjoying a typically-warm night out, new boutique hotels and contemporary-design hostels opened in renovated old buildings, and an energized artistic scene brought it a renewed sense of confidence. Culture vultures have also welcomed a new world-class collection of modern art (the Berardo Museum), and await the opening of the forthcoming Design and Fashion Museum - an experience that may then be complemented by a visit to the shops in the designated "Design District" of Santos.
But what hasn't changed are the breathtaking views from its hills which arguably make Lisbon Europe's most scenic capital. Add its trademark mosaic pavements, dilapidated pastel-colored or tile-covered buildings, iconic turn-of-the-century trams, melancholic Fado music, and you also have one of the world's most soulful cities. In fact, Lisbon's unpolished appearance actually provides a seductive atmosphere all of its own, and prevents it from ever being just another bland old city.continue aqui
sendo a coragem uma das qualidades que mais admiro no ser humano, não posso deixar de estender a exigência do amor puro, com o testemunho de um dos monólogos mais sublimes da história do cinema. Mesmo numa língua que não resgata o meu lado mais alado, nas Asas do Desejo de Wim Wenders, as imagens testemunham que só não cai quem não vive. A praça está cheia de gente que deseja o mesmo que nós, mas no final da história apenas a não "prostituição por migalhas" e a nobreza da espera, elogiam o amor. o mais puro.
'Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso”dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também'.
Um título que homenageia um poema de Garrett, mas também o agradecimento à casa das histórias de Paula Rego, com um Museu que orgulha o caminho da pintura portuguesa. Ainda um sushi muito familiar e a oportunidade de dormir em cima de uma árvore, num dos jardins mais desejados da cidade.
escolhido para o segunto aniversário da TimeOut Lisboa, a emoção do regresso a um dos cenários, do Lisbon Story de Wim Wenders e o agradecimento a uma edição que tanto tem feito pela energia da minha cidade.
ainda a genialidade do algodão doce e a vontade de te partilhar tudo isto.
A segunda casa Em descanso numa das chaise longues da Malhadinha e com o poderoso silêncio do campo, memorizo as palavras de um dos divãs de Goethe: as palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade. A morada é inspiradora e foi uma das boas surpresas deste Verão. A pouco tempo de Beja, o paraíso alentejano é um testemunho vivo de um sonho. A perseverança da família Soares - proprietária da herdade - é conhecida por colocar toda a paixão nos mais pequenos detalhes, como se pode comprovar nos rótulos dos vinhos da herdade, todos desenhados pelas crianças da família. A juntar aos apetecíveis vinhos da Malhadinha, o hotel que é uma casa de campo, explora o conceito country chic, onde candeeiros Mariano Fortuny ou Philipe Starck contrastam com o azul anil e os vários tons de branco. Mas o melhor de tudo, o silêncio e as pessoas. A serenidade da Cláudia, a energia da Catarina, a disponibilidade do chefe Vítor Claro que com a ajuda de André Pires e da D. Vitalina Santos – para os petiscos mais regionais - nos conquista pela qualidade espantosa do restaurante instalado na Adega. Mais do que um hotel muito apetecível, uma casa onde somos recebidos como amigos. Os de sempre.
Para além de um nome O nome do restaurante num dos bairros mais emblemáticos da cidade não me atraía, confesso. Mas caprichos pessoais à parte – por ser uma amante da língua portuguesa e também decepcionada pelos muitos Residense’s e Palace’s que inundaram o nosso país - sempre que descia a São João da Mata observava mas não entrava. Hoje reconheço que além do nome, a primeira sala do restaurante me intimidava. E hoje peço-me desculpa por não ter elevado a curiosidade. É que por trás da primeira sala existem mais duas: uma segunda mais acolhedora e uma terceira que me conquistou pela parede de ardósia. A fama da melhor focaccia de pêra da cidade compensou em medidas largas o meu preconceito. A cozinha, está a cargo de Alessio Carrer, um italiano nascido em Caorle - na província de Veneza – um chef que trabalhou num restaurante em Nova Iorque com os proprietários, André Cristóvão e Liana Pinto. A carta tem uma base puramente italiana, de estilo mediterrâneo, mas com raízes que elevam a tradição e costumes da província veneziana. Nas conquistas: o couvert, pela variedade do pão com destaque para o de centeio, as pizzas cozidas em forno a lenha, finas e estaladiças. Na categoria das massas e dos rissotos a originalidade é palavra de ordem, mas a minha rendição partilha os Gamberoni alla Triestina, umas gambas descascadas, salteadas em azeite aromatizado com manjericão e flamejadas com conhaque e vinho branco. O prosecco pode ser servido a copo e nas sobremesas destaco o Tiramisú. O serviço é perfeito. Aceitando o Sofisticato, como um restaurante do Mundo na minha cidade, ainda as palavras de Voltaire: os homens erram, mas os grandes homens confessam que erraram.
Do Norte da Sumatra Com um aroma refrescante de groselhas negras com toranja e suaves notas amadeiradas que recordam alcaçuz e plantas coníferas, o Singatoba, rico e encorpado com um leve toque de acidez é o tão esperado Special Club deste ano. Pertencente à linha dos Grands Crus de qualidade premium, a variedade da safra limitada Arábica Blue Batak é oriunda da região do Lago Toba do norte da Sumatra, na Indonésia. Mais uma dádiva Nespresso para a energia dos viajantes da cidade.
quando abraço a obra de Almodóvar, elevo-me na sublimação das composições de Alberto Iglesias. Da banda sonora de los abrazos rotos, a partilha do tema del amor ciego e ainda werewolf da poderosa Cat Power.
este é o paradoxo do amor entre o homem e a mulher: dois infinitos encontram-se com dois limites. dois infinitamente necessitados de ser amados, encontram-se com duas frágeis e limitadas capacidades de amar. e é só no horizonte de um amor maior que não se devoram em pretensão, nem se resignam, antes caminham juntos até uma plenitude da qual o outro é sinal.
Rainer Maria Rilke
na morada onde habita o desejo do beijo lento e ainda abraçada à poesia de Auden, ou amamos ou morremos.
Imagine uma estrada feita de painéis solares, que se adapta às condições do trânsito e onde as pinturas são substituídas por pequenas lâmpadas led, que têm a vantagem de manter a estrada iluminada durante a noite. Ainda a permissão da estrada derreter neve e gelo, para tornar a condução mais segura e a possibilidade de os veículos eléctricos se auto-recarregarem à medida que viajam nestas estradas, reduzindo assim a necessidade de grandes baterias e permitindo uma autonomia muito maior.
fanático com vários anos de adoração, o meu irmão de sangue - um alfarrabista habituado a correr em busca de "obras primas" - encomendou o kit completo da nova obra, de David Sylvian.
libertado hoje para as ruas partilho a minha "expectância" e a excepção do video.
De volta à cidade, uma newsletter num formato melhorado, para que também ao nos ler não perca tanto tempo. Usando as palavras da ExperimentaDesign, um dos destaques da nossa agenda de Setembro, afinal it’s all about time. Como é que pensamos o tempo hoje em dia? Como uma experiência subjectiva ou um conceito socialmente definido? Um bem de luxo ou uma moeda de troca básica? De certa forma, tudo nas nossas vidas se prende com o tempo, trata-se de um recurso essencial para qualquer pessoa ou actividade. Valorizamos o tempo, poupamo-lo, gerimo-lo, combatemo-lo. Para uns o tempo parece nunca chegar, para outros o tempo sobra. para continuar a ler aqui.
amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado. os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos, com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
não os chamo, e eles voltam-se profundamente dentro do fogo.
temos um talento doloroso e obscuro. construímos um lugar de silêncio. de paixão.
'A cidade parece iluminar-se a partir do seu interior mais secreto, onde lateja um coração muito antigo. Lisboa transforma-se, assim, no lugar privilegiado para a invenção da escrita. Nesse lugar me movimento e me encontro, e nele me perco em travessias'.