sss



16 março 2010

discurso directo



'dizia o Rilke (e sabia-o como ninguém) que é preciso ter visto bastantes cidades para escrever um único verso. Mais óbvia ainda me parece a necessidade de ter lido muitos livros. E quanto a almas e corpos...nem se fala. Mas acontece-me, não raro, que todas essas experiências se confundam: tenho desejado e amado certas cidades como se fossem mulheres, tenho "lido" certas mulheres como se fossem livros e tenho encontrado em certos livros, o caminho para algumas mulheres, o caminho para algumas cidades. Os melhores poemas resultam mesmo de toda esta confusão.'

synecdoche




ou 'os prisioneiros do tempo perdido'.

15 março 2010

a importância da inocência



A escrever o seu primeiro romance - O Museu da Inocência - desde que recebeu o Prémio Nobel - Istambul, Memórias de uma cidade - Pamuk foi recolhendo objectos. Objectos que se infiltravam na história, outros que ele procurava quando a história ficava parada à espera de algo que a fizesse andar. Às vezes era alguma coisa que estava na montra de uma loja, outras no apartamento de um amigo, ou num mercado de rua.

"Quero encher [o museu] modestamente com as coisas que fazem a cidade, que fazem qualquer cidade", explicou ao "New York Times". "Quero que o meu museu seja o museu da cidade, que inclua tudo, desde mapas das ruas, a fechaduras, a maçanetas de portas, passando por telefones públicos e o som das sirenes de nevoeiro".

nos dias não distantes, em que no paralelo dos romances do autor recolho também a minha identidade mais sublime, a importância da inocência e as imagens de Ara Güler.
mais aqui.

13 março 2010

coming soon



finalmente a resposta a este post.
vai ser no Chiado, no número nove da Rua do Carmo.

12 março 2010

no dia em que o céu me recebeu



perguntam-me então como é que uma uma filha de um alfarrabista fica deliciada com a abertura de uma livraria? estou a falar da Assírio & Alvim e da inauguração da sua livraria definitiva, hoje no Chiado.
e sim é um grande acontecimento e talvez o melhor presente no dia em que volto a agradecer a vida e os dons concedidos. para marcar a abertura todos os livros estarão à venda - hoje e amanhã Sábado - com cinquenta por cento de desconto sobre o preço de catálogo, excepto novidades.

os amigos silênciosos são e serão sempre,
o melhor de todos os presentes.

(fica a dica para caso de dúvidas) :-)

11 março 2010

waggle



as mulheres que mais amei
tinham todas raízes e asas.

10 março 2010

blue fish



olhem sempre em frente, olhem para o Sol, não tenham medo de errar sendo originais, iconoclastas e anti, o mais anti que puderem,

e verdadeiros,

fugindo aos velhos caminhos trilhados. (...) cultivem a inquietação como uma fonte de renovamento.

09 março 2010

eu, Alice



Alexandra Prado Coelho escreveu no Ípsilon que a versão de Tim Burton do País das Maravilhas é negra. Escreveu bem. Não tenho qualquer dúvida, quando recuo na memória e recordo que a Alice no país das Maravilhas não era a minha história preferida. Um bela acordada por um beijo, a antítese de uma maça envenenada ou mesmo a ideia de uns sapatos de cristal, todas as histórias eram mais desejadas do que a menina que um dia se mostrava no outro lado do espelho.

Apreciadora da imaginação concretizada de Tim Burton percebo a sua eleição por uma história que vive tão próximo da nossa realidade. Alice in Wonderland não me surpreendeu e a sensação é justificada pelo barulho criado à volta de um filme que me comprova, mais uma vez, que a satisfação será sempre igual à realidade menos a expectativa. A fita é bonita, é criativa, é inteligente, é Tim Burton. Mas mais genial do que tudo isso é a imaginação de Louis Carroll que escreveu uma história para crianças e adultos. E hoje, depois de um caminho talhado pela palavra experiência, delicio-me com a genialidade de cada personagem, de cada símbolo, que estende o nosso lado mais íntimo ao mundo imaginário.

O encaixe com a realidade é estóico. No final não nos temos de confrontar com a utopia de que a menina viverá feliz para sempre. Ainda a importância da chave, a escolha das portas, a variação da grandeza de Alice faz-me reconhecer a humanidade da personagem. Ao longo da história, a sua confiança no desconhecido e o mais sublime de tudo: a fuga antes da decisão.

Um verdadeiro manicómio ?... talvez. Para mim real. Muito. É que é na inteligência das pequenas e grandes loucuras, que todos os dias me vou tornando cada vez mais sábia, eu diria.

08 março 2010

A cidade na ponta dos dedos l Afinal o que importa são os bolos



clique na imagem ou se é assinante do Expresso aqui.

Dignos das personagens da série ‘O Sexo e a Cidade‘, do filme ‘Maria Antonieta‘ de Sofia Coppola, ou da ‘Pastelaria’ de Mário Cesariny, os ‘cupcakes’ invadiram Lisboa ao som dos auscultadores mais cool do momento.

publicado a 6 de Março na Revista Única do Expresso.

07 março 2010

les chansons d'amour


un dialogue de sourds
parfois, crois moi, on doit se taire,

les mots de trop
il faut se taire.

o naufrágio



"Na semana passada li na imprensa uma frase terrível. A frase era de um pescador sobrevivente do naufrágio da traineira Delfim, ao largo da Costa da Caparica, num destes dias de mau tempo que têm marcado um Inverno especialmente rigoroso. Uma onda gigantesca foi ao encontro da embarcação, esta virou-se, os pescadores ficaram debaixo, um desapareceu logo, outros dois deram as mãos. Um destes, de nome Pedro, tinha 25 anos; o outro, 62.

Ao fim de uma hora e tal, o mais velho morreu. E sobre o que depois se passou, Pedro disse a seguinte frase:
– Senti que ele estava morto mas não lhe larguei a mão, para não ficar sozinho.
Esta frase ficou a matraquear-me o espírito. «Não lhe larguei a mão para não ficar sozinho». Para aquele homem perdido no mar, a companhia de um morto era preferível à solidão.

Lembrei-me então de uma história igualmente terrível contada há anos por Clara Pinto Correia. Escrevia ela que, quando trabalhava numa instituição científica nos Estados Unidos, uma colega que ia fazer uma experiência qualquer com um cadáver lhe disse:
– Ao menos vou tocar em pessoas.
A ideia arrepia. Em certas profissões, as pessoas atingem um tal ponto de solidão que a dissecação de um morto se pode transformar num momento agradável porque permite o contacto com a natureza humana.
Em certo sentido, esta história é uma metáfora. Nas sociedades contemporâneas, o problema da solidão tornou-se uma questão central. A solidão das pessoas sozinhas – e a solidão, mais profunda, das pessoas acompanhadas.
A civilização tem evoluído no sentido da desumanização da sociedade, do individualismo, da diminuição das relações entre os humanos em benefício das relações com as máquinas – e isso está a provocar distúrbios sociais de dimensão incalculável.

O meu pai nunca teve televisão. Ou melhor, só admitiu uma televisão em casa mesmo no fim da vida, porque dizia que o televisor era um aparelho diabólico que impedia as conversas em família ou sabotava as reuniões de amigos. E dava exemplos: recebera o convite para ir jantar a casa de alguém, tinham-se posto todos a olhar para a televisão, a páginas tantas começaram a levantar-se, despediram-se – e o ‘encontro’ acabou assim.
Na primeira vez que veio a Portugal depois de um longo exílio na Europa passámos férias juntos numa casa na serra da Gardunha – uma casa alugada a um guarda-florestal – onde no centro da sala havia uma lareira. Como estava frio, acendíamo-la todas as noites. E ficávamos a conversar, olhando para as chamas, que faziam desenhos sempre diferentes.
Um dia ele disse:
– A lareira é a nossa televisão.
E era. O fogo proporcionava imagens fascinantes, de uma grande variedade. Mas entre a lareira e a televisão existia um abismo: a lareira favorecia a conversa, a presença da lareira estimulava o espírito, enquanto a televisão monopoliza a atenção, mata as conversas, quebra a afectividade, gera a solidão. A televisão estabelece uma relação unívoca entre o espectador e o aparelho. Que seca tudo à sua volta.

O meu pai viveu a era da televisão – à qual resistiu sempre, como disse – mas já não viveu a era dos computadores. Ora, esta potenciou brutalmente a solidão introduzida nas sociedades modernas pela TV.
É que, enquanto a televisão ainda pode ser vista em família, em ambiente familiar, o computador é um objecto eminentemente pessoal. Na televisão as pessoas podem ver juntas um filme, um telejornal, uma reportagem – e podem ir comentando o que vão vendo. Embora a regra geral seja o silêncio, de vez em quando aquilo que passa no ecrã provoca uma observação, um comentário.
Mas com a entrada dos computadores na vida das pessoas, nem isso sobreviveu. O computador é de utilização individual, não se usa em grupo. Nos serões familiares, é hoje vulgar ver-se cada um dos membros da família agarrado ao seu computador, mergulhado na sua particular solidão, relacionando-se com um aparelho, mexendo em teclas de plástico.

O computador afastou ainda mais as pessoas umas das outras – criando o homem-objecto ligado à máquina, que serve para tudo: para trabalhar, para conversar com outras pessoas, para jogar, para encomendar compras no supermercado, para movimentar a conta bancária, para fazer sexo (virtual, claro).
No limite, o ser humano tornar-_-se-á um robô que não anda, não fala com ninguém, não vai à rua – e passa 24 horas agarrado ao computador, com os dedos martelando no teclado e os olhos pregados no ecrã.
A mim, isto assusta-me. Mas é certamente um problema meu. Porque as novas gerações nem sequer percebem o problema. Acham normal passar o dia presos ao computador. E, quando não estão no computador, estão a ver televisão, a jogar playstation ou então ao telemóvel, enviando e recebendo mensagens.

E muitos adultos também já estão infantilizados. Há uns meses fui com uns colegas ao estrangeiro. Quando chegámos ao hotel, já noite alta, convidei-os para uma bebida no bar. Tinha sido uma viagem longa de avião e apetecia-me descontrair com uma boa conversa à frente de um copo de whisky – bebida que aliás só me sabe bem em condições especiais.
Sentámo-nos. Encomendámos três whiskies com água e gelo, o empregado pousou os copos na mesa e eu preparei-me para começar a conversa. Disse duas palavras para o ar mas não obtive resposta. Olhei então melhor para os meus companheiros de viagem. Um estava completamente absorto a fazer um jogo no telemóvel, com os olhos vidrados no pequeno ecrã, o outro, também de telemóvel em punho, carregava febrilmente nas pequenas teclas, possivelmente respondendo a mensagens que tinham chegado durante a viagem.

Desisti da conversa. Sozinho, lembrei-me do meu pai e dos serões à lareira, que era «a nossa televisão». Como estamos já tão longe deste tempo! Como nos tornámos tão tristemente solitários, cada um no seu cantinho com o seu telemóvel ou o seu computador – ‘computador pessoal’, como ele próprio se intitula.
Estamos a construir uma sociedade monstruosa, desumanizada, destituída de alma, onde as relações humanas são cada vez mais ténues e utilitárias.
Adquirimos a última maravilha tecnológica convencidos de que, com isso, vamos tornar-nos mais felizes. Mas vamo-nos tornando apenas mais sós. Deixámos de ter vida colectiva. A sociedade é um somatório de milhões de existências individualizadas. Não percebemos a importância da presença humana.
Ou melhor, só a entendemos nos momentos de desespero – em que a companhia de um cadáver pode ser bastante para não nos sentirmos sozinhos."

o texto - precioso em 2010 - é da autoria de José António Saraiva.

05 março 2010

le bel eté

ignite



Ontem finalmente observei o ignite Portugal.
Em apenas cinco minutos, na companhia de 20 slides (15 segundos cada) os oradores falam, falam, falam para partilhar ideias, abordando temas como inovação, criatividade, empreendedorismo ou tecnologia. Curiosa pela iniciativa nascida em Seattle, fui arrastada pelos cinco minutos do rei. Desta vez não escreveu, nem ia nu mas falou - e muito bem - de braços abertos, tendo sido um dos dois melhores momentos da noite. A prova disso é que quando acabaram os cinco minutos - aparece o slide do fósforo e é suposto a plateia bater palmas para entrar o seguinte orador - ninguém se mexeu.
A iniciativa enaltece a nossa cidade sem dúvida, mas dou nota negativa para o jantar que se seguiu. Estranhamente servido pelo Magnólia (escrevo isto porque o Mag da Miguel Bombarda - sim sim miss Lisboa nas Avenidas Novas - é um local sagrado que antecipa sempre as minhas idas ao King de Domingo ao fim da tarde). Era impróprio e a preço muito injusto.
O próximo vai acontecer novamente no Lx Factory a 17 de Junho.
mais aqui e aqui.

04 março 2010

unplug



há grutas misteriosas, azuis-escuras, roxas, verdes e há planícies sem fim de areia branca, lisa. (...) eu sou uma menina do mar. posso respirar dentro da água como os peixes e posso respirar fora da água como os homens. e posso passear pelo mar todo e fazer tudo quanto eu quero e ninguém me faz mal porque eu sou a bailarina da grande raia.
e a grande raia é a dona destes mares.

03 março 2010

os sonhadores



em the dreamers de Bernardo Bertolucci retenho-me na cena do objecto do lume.
não é na pele da divindade corporal de Louis Garrel, conhecido também pelo homem que rouba o sono, mas pelo jovem mais certo, e por isso menos interessante.
a cena, deliciosa, observa que à nossa volta, no mundo, realizamos que há uma certa energia cósmica de tamanhos, de formas. muitas vezes me pergunto qual a gaveta mais certa aos meus objectos incendiados e na incerteza dessa resposta,
the attempt.
é preciso viver, ou como diria um viajante bonito destes que vou atraindo, não ter receio de nos retermos no plástico.

mais cenas onde vale pena a retenção,
aqui.

02 março 2010

sem rede



vivo a vida sem rede e também por isso o privilégio da liberdade.
depois do preview da exposição antológica da Joana Vasconcelos e na distância dos outros media, deambulei pelas enormes divisões do Museu Berardo. a experiência extasiante de conseguir ter por dez minutos a sala dos corações independentes toda para mim (quando lá forem vão perceber porque é uma experiência extraordinária) terá sido um momento raro numa exposição que terá certamente muitos visitantes.

"sem rede" pode ser visitada até dia 18 de Maio. são quarenta obras obrigatórias, com destaque para o extasiante Jardim do Eden (percorre-lo em solidão e em silêncio foi também um privilégio), a Cinderela, Spot me (o closet dos espelhos), Spin (o secador de cabelo mais genial do Mundo) ou o Ponto de Encontro (um carrossel para experimentar e fazer amigos).
todos os dias das 10h às 19h, Sábados até às 22h, não percam e sigam o meu conselho vão a horas improváveis para terem momentos de silêncio elevados.


miss energy



ou a justificação do sentido
no abraço às árvores da cidade.

28 fevereiro 2010

rebuilding IV



a morada é mutável e confesso que a escolha me dividiu.
os meus conteúdos fundem-se melhor no negro mas reconheço a leveza do branco e sempre gostei de mudanças. quem me conhece sabe que sou viciada na clarividência escandinava e qual a importância da parede branca onde me liberto das poluições da cidade.
mas num pequeno detalhe do andar atlântico nascia o fundamento. por aqui usa-se disto e juntando o facto de que os ecrans pretos pouparem energia escolhi - pelo menos por agora - ir salvando o Universo.

27 fevereiro 2010

rebuilding III

quase rainha do html, ainda me falta descobrir como criar mais espaço entre a imagem e o primeiro post/acerca de mim e retirar os parentisis do arquivo. alguém sabe?

sobre preto ou branco, ainda estou na dúvida.

26 fevereiro 2010

rebuilding II

esta morada está em teste. prefere esta versão branca?

rebuilding

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o autor do registo andou a arrumar esta morada.
to be continued.

25 fevereiro 2010

PersonalTime Newsletter | Mar 2010



Viagens imaginadas, bilhetes para concertos esgotados ou gelo às duas da manhã. Já sabe que os seus desejos são para nós um desafio. Tudo o que precisar, 365 dias por ano, 24 horas por dia, a PersonalTime orgulha-se de estar a conquistar a confiança de quem já não consegue viver sem nós. Este mês uma elevação ao manifesto do chefe Luis Baena, o mais charmoso Hotel do Porto, as novas tendências da exuberante M.A.C. e o testemunho de Victor Pinto da Fonseca, responsável por um dos edifícios mais livres da cidade.
Com Judith Barry convidamo-lo ainda a relaxar e a desprender o corpo dos limites.
Um elogio ao seu tempo pessoal, como sempre.

explore a PersonalTime aqui e leia a newsletter aqui.

nós e as palavras

23 fevereiro 2010

coming soon



eles vão invadir a cidade.

oui c'est moi



O sonho não era violoncelo. Tinha apenas sete anos quando manifestei vontade de aprender violino. Não me levaram a sério e como filha de um alfarrabista, ainda me questiono como teria sido "se". Mas hoje sei que a vida é sábia e que de alguma maneira somos conduzidos para os nossos dons maiores.

Uma Outra Educação fez-me viajar ao passado, às fardas dos colégios que me deram o rigor e o brio profissional que transporto hoje comigo. Cada vez mais ecuménica, os dias vividos na antiga Batávia libertaram-me de formatar a minha espiritualidade apenas a uma religião. A forma não é o mais importante. E no alinhamento de uma educação bem portuguesa, ainda sei coser botões - salvando-me muitas vezes da palavra dependência - ainda sei usar uma máquina de costura, tricotar mantas de lareira ou organizar e cozinhar para uma jantar de cinquenta pessoas, com centros de mesa dignos de um filme como o Vatel ou Maria Antonieta (para pedir desculpa de não ter encontrado o primeiro link em francês, ofereco-vos o segundo acompanhado dos The Strokes).

Felizmente nenhum dos dotes de fada do lar fez de mim uma mulher mais sábia, antes pelo contrário. Por ingenuidade ou medo somos muitas vezes conduzidos a decisões menos certas. Mas como diz o filme, if we never did anything, we wouldn't be anybody. E não, a educação não vem toda nos livros e só a experiência e os erros (ou o que achamos na altura que foram erros) nos transformam em seres humanos mais elevados.

Não sei quantas mais vezes terei de cair até chegar ao cenário do futuro, onde me imagino com sessenta anos, de botas de verniz preto de salto alto e um penteado tipo Audrey Hepburn. Nesses dias distantes serei mais sábia e estarei rodeada de amigos que não aprodrecerão a mente com o tempo. E nessas mesas de jantar onde conversaremos durantes horas, visualizo o caminho, com a inclusão da preciosidade de todos os dias menos claros. Na beleza de tudo isto Paris não foge.

Na distância de um tempo demorado, um viajante da cidade chamou-me de "rebelde". Esse mesmo viajante chamou-me também de "Branca de Neve". Sim, acho que sou tudo isso, o inconformismo e o conto de fadas.

E hoje, abraçada à certeza de que nunca é tarde demais para reconstruir e vizualiando com ternura os que param na minha carruagem, reacendo com agradecimento a liberdade que me move,
I feel wise, but not very old.



mude




















mude
ou sinta a água a correr pelas mãos,
no banho mais colorido da cidade.

22 fevereiro 2010

why blue


make it red. red is the colour for anger and desire.

O Ípsilon chamou-lhe obra prima.
Cénicamente quase perfeito - para deixar cair o "quase" teria de estar perante registos de Wong Kar Way - Um Homem Singular é um elogio à realização.

Na intensidade dos dias menos claros, o ano dourado move-se depressa demais. Justificado talvez por incertezas tão bem expressas nas palavras do rei, ou por estações onde os viajantes param, infelizmente por insegurança, muito pouco tempo, no testemunho, a confirmação de que o amor pode ainda ser comparado aos autocarros. Its just to wait until we catch another one.

E se o azul é nomeado como cor espititual
não apenas nas aparições de Krzysztof Kieslowski,
a retenção da certeza,

life should be about present?


21 fevereiro 2010

berlinale



quem me conhece bem, sabe que pela congelação do registo, o urso poderia ser merecido. mais aqui.

appearance



there's a crack in everything,
that's how the light gets in.

19 fevereiro 2010

pés no chão, cabeça no céu



Uma casa, para a possuirmos temos de nos confundir com ela.
Por isso, como nos livros antigos, uma noite,
deparamos com o nosso corpo imobilizado
no interior de uma imagem que a memória guardou.

A pele incendeia-se,
um instante,
da mesma maneira que os alicerces da casa
- e o nosso coração - ardem.

18 fevereiro 2010

unfinished II

.

reconhecerei sempre
as ruínas daquilo que amei,
daquilo que nomeei para entender o mundo. A.B.

agarra nesta chave - desvenda o espaço
onde podes prolongar aquilo que cessou.
das mãos nasceram os gestos exactos e a imobilidade.
dizem que a morte dá tranquilidade ao corpo e à alma.
torna-os felizes.
aquilo que acabou de morrer ainda não recomeçou a viver.

por isso,
é sagrada a água onde mergulhas este segredo.

15 fevereiro 2010

miss mascarade II



Padmé will be.

14 fevereiro 2010

atlantic place

a solidão das coisas e dos seres torna-os únicos,

intocáveis.
A.B.

11 fevereiro 2010

unfinished


viajamos,
porque é necessário enfrentarmos o desamparo dos dias,
ao mesmo tempo que procuramos um lugar para descansar
e nele ansiarmos por um regresso.
A.B.


10 fevereiro 2010

nesses dias distantes



mesmo num dia menos claro, em que fui testada pela morte lenta de quem me gerou vida marquei encontro com a beleza na carta do meu amigo viajante. sempre lhe defendi o dom e lembro-me desses dias distantes, em que Rosa Lobato Faria me chegava pelas suas conversas.

li a carta e o dia iluminou-se. pensei nas duas pessoas a quem vou enviar este post. e enquanto tenho consciência que não consigo dizer ou escrever mais nada, agradeço o privilégio. também se chama Rosa e sou responsável pela sua alma nesta vida.

quanto ao viajante,
congelo a elevação da beleza do Mundo. obrigada.

miss mascarade



para quem não sabe onde se mascarar, partilho os contactos da Bambolina Teatro da Ana Brito e Cunha. O guarda roupa é um estrondo e há sempre (sempre) solução.

explore aqui e aqui. Para marcações ligue 91 814 0179.

09 fevereiro 2010

criarte no Expresso Economia



O hábito de sublinhar os livros que lê, e a necessidade de partilhar essas citações com os outros, foi o ponto de partida da marca de design cultural criarte, que foi adquirida pela Arquivo, livraria de Leiria que representa os cadernos Moleskine em Portugal. O projecto começou em 2002 com o lançamento de um caderno de notas com frases de Manuel Hermínio Monteiro, editor da Assírio & Alvim, ao qual se juntaram as palavras de Mário de Sá Carneiro, Mário Cesariny, Ruy Belo, Camilo Pessanha e José Tolentino Mendonça.

Neste momento, os livros de notas são um projecto que está abandonado, porque a prioridade são as camisolas que estão em processo de relançamento. “Lançámos a edição especial ‘tenho em mim todos os sonhos do mundo’, de Álvaro de Campos, e queremos ver como é que as coisas correm. Temos material promocional para fazer montras de livrarias, mas a prioridade é fazer um produto bem feito”, explica Sancha Trindade, mentora da marca que vendeu à Arquivo mas à qual continua ligada.

Mensagens fortes com impacto emocional é o que Sancha Trindade procura quando selecciona as frases que serão estampadas nas camisolas. “É sempre importante que as mensagens tenham impacto já que circulam pelas ruas como uma segunda pele, que é também partilhada com outros viajantes da cidade”, justifica. Em termos de vendas, Sancha Trindade revela que se trata, por enquanto, de volumes pouco representativos porque a estratégia comercial e de marketing só foi retomada no final de 2009, quando a criarte foi adquirida pela Arquivo.

Certa de que estas camisolas nunca serão um produto massificado, Sancha Trindade espera que as vendas cheguem às 4 mil unidades. As camisolas estão à venda em cerca de 30 pontos de venda espalhados pelo país — entre a loja do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, a Papel e Companhia, no Porto, e o Museu do Caramulo —, mas os mercados internacionais são uma ambição. “Tenho falado com a Alexandra Vieira (dona da Arquivo) para estarmos em eventos internacionais.

Sobre língua e poesia”, avança, referindo a vontade de marcar presença no Museu de Língua Portuguesa, em São Paulo. O português falado no Brasil não a incomoda. Aceita o acordo ortográfico como uma evolução da língua: “Faz-me um bocadinho de confusão, mas chateia-me mais ver SMS escritos com k’s.” A ligação à livraria de Leiria começou como um ponto de venda da criarte, com o qual Sancha mantinha uma boa relação. “Quando voltei de viver da Grécia decidi vender a marca. Vendi 100%, mas ficou estabelecido no contrato que receberia royalties sobre as vendas”, recorda.

Da ligação com a Arquivo vai nascer também o vinho criarte, produzido numa herdade no Alentejo, que faz parte do universo empresarial da livraria, cujos rótulos ostentaram frases de autores em português. Quanto ao lançamento de cadernos Moleskine com frases de autores portugueses, Sancha refere que não se trata propriamente de um desejo, mas é uma possibilidade numa segunda linha de desenvolvimento da criarte.

Catarina Nunes, Expresso Economia a 6 de Fevereiro 2010

seguir a criarte



a criarte a partir de hoje passará a ter uma página no facebook em vez de um grupo. caso queira continuar a seguir a poesia e as palavras da criarte convidamo-lo a aceitar a página. o grupo será desactivado. para entrar basta clicar aqui.

body without limits



fui ontem ao preview da exposição de Jutith Barry. Don't miss it.

Com origem na teoria da literatura e do cinema, e na sua experiência com a dança e a performance, a artista tem traduzido directamente muitas destas ideias em relações físicas específicas que colocam o espectador em diálogo com o conteúdo das suas instalações. Para o fazer, Judith Barry constrói uma diversidade de “posições do sujeito” para o espectador, utilizando frequentemente técnicas de cinema e, em particular, de montagem. Estas posições funcionam como perspectivas, ou pontos de vista, e permitem ao espectador aceder ao significado da obra ao habitar o espaço da instalação e, simultaneamente, conferir múltiplos sentidos à experiência. É precisamente esta va¬riedade de formas e a grande amplitude das suas investigações que tornam a obra de Judith Barry crucial para muitos debates actuais no âmbito das práticas artísticas contemporâneas.

to follow


para seguir este blog no facebook entre aqui.

08 fevereiro 2010

A cidade na ponta dos dedos l O amor e a cidade



clique na imagem ou se é assinante do Expresso aqui.

Num mês apaixonado, um portal de luxo com responsabilidade social, um restaurante do chefe mais elegante de Santos e um chá que promete espalhar o amor pela cidade.

publicado a 6 de Fevereiro na Revista Única do Expresso.

GQ l Pelas ruas da cidade


O novo brunch do Chiado
Nunca é demais falar desta morada que me diz muito, não fosse quase colada ao alfarrabista do meu Pai. Cresci a subir e a descer as ruas do Chiado e assistir ao nascimento de tantos lugares novos, na minha capital deixa-me feliz pela evolução da cidade. O Chiado já oferecia os mais animados brunchs de fim-de-semana, no Royal ou no Kaffehaus, mas acaba de surpreender Lisboa, com a sofisticação do Quinoa que se instalou num antigo antiquário. Quem sobe a Rua do Alecrim em direcção ao Camões, não fica indiferente à porta encarnada do número 54. Depois da entrada, o Quinoa é uma padaria, uma casa de chá, uma morada para petiscos nocturnos de Quinta a Sábado e ainda uma loja gourmet. Com as vitrinas mais apetecíveis da cidade, os bolos, as tartes e as miniaturas abrem lugar a um novo conceito, felizmente mais bonito, das montras da pastelaria em Portugal. O pão em dez variedades é feito dentro de portas com farinhas biológicas, sem fermentos nem aditivos, mas apenas com a fermentação natural. Da carta inundada com ingredientes de excelente qualidade, destaco o brunch com o nome da casa, composto de uma taça de iogurte bio com granola e fruta fresca, selecção de pães, croissant ou brioche ou pain au chocolat, chá ou chocolate quente ou meia de leite, sumo de fruta natural, salada fria de queijos e enchidos e ainda ovos mexidos. Nos bagels a não perder o de requeijão e doce de abóbora, nas sanduíches quentes a de queijo da ilha e presunto e nas frias a de presunto com peras assadas e queijo roquefort e o trilogia de hambúrgueres biológicos, com mostarda, queijo emental e cebola caramelizada. A destacar também as sopas caseiras, os sumos naturais, as tartes merengadas, o iogurte grego com mel e nozes e os suspiros com canela. Ainda bolachas e empadas miniatura e uma selecção de produtos gourmet que passam pela Fauchon, a Mariage Frères ou pelas biológicas Prestat, Organiko ou Choco Vic. O chá de serviço é da Kusmi Tea, a apresentação e o serviço são extraordinários.

A cantina é cool
Não percebi ainda a falha de ter estado tanto tempo sem a conhecer. Não há dúvidas, a cantina tem mesmo muita graça e a qualidade da luz, perfeita, faz acontecer uma das minhas novas salas de jantar da cidade. Descontraída, divertida e eficiente, os candeeiros são raladores de legumes, as toalhas um verdadeiro clássico e os individuais uma das ideias mais elevadas que invadiu os restaurantes mais cool da cidade (também está no Buenos Aires nas escadinhas do Duque). Concebidos pela “Migalhas”, os individuais são também uma agenda cultural, uma genialidade a explorar em www.migalhas.org. A minha escolha elege a Pasta Baldraca, composta de fusilli, azeite, alho, espinafres, farinheira, requeijão e pimenta. Na escolha das sobremesas há opção entre pannacotta, o bolo de chocolate que não aconselho e ainda uma variedade de gelados. O serviço por ser tão eficiente peca por tirarem o prato da nossa companhia antes de terminarmos o nosso. E mesmo sem sobremesas à altura ou um couvert sem pão quente, a cantina vale mesmo a pena, nem que seja pela relação qualidade preço ou pelo ambiente, no meu testemunho sempre transversal e cosmopolita. Depois é só não esquecer que estamos numa cantina.

Para o ano dourado
Chamem-lhe capricho ou o que quiserem, mas desde que voltei para Portugal insisto em ter no frigorífico do andar atlântico uma garrafa de champagne. Nunca se sabe quem pode aparecer e a vida é curta demais para não estarmos preparados para o melhor. Nas grandes eleições para ir festejando o ano dourado, partilho o Cuvée René Lalou da Mumm, que produzido a partir da safra de 1998, contém um equilíbrio perfeito de uvas Chardonnay e Pinot Noir de doze vinhedos, localizados em toda a região de Champagne. Para beber e abusar em 2010.

das weisse band


o laço branco lembrou-me o poema do poeta de Igual para Igual.
pela neve sem vincar rasto
sempre caminhou
aquele que busca um amor.

04 fevereiro 2010

coming soon


the new most fancy Lisbon flavor,
brevemente numa das minhas colunas sobre a cidade.

03 fevereiro 2010

estamos juntos



O que é importante na vida? O que nos faz lutar e estar onde estamos? Cheguei à conclusão que é o amor, acreditar em algo muito forte que nos encoraja e que nos leva a continuar.
André Cepeda (na minha opinião, o merecedor do prémio Bes Photo 2009)
A exposição com os trabalhos de Patrícia Almeida, André Cepeda e Filipa César - finalistas da primeira fase do BES Photo 2009 - inaugurou ontem à noite no Museu Colecção Berardo. Os trabalhos inéditos dos artistas - a avaliar por um júri internacional que escolherá o vencedor - foram apresentados ontem aos jornalistas durante uma visita guiada no museu. O Prémio BES Photo, o maior galardão do país para a área da fotografia - ascende a 25 mil euros - já distinguiu anteriormente criadores como Helena Almeida (2004), José Luís Neto (2005), Daniel Blaufuks (2006), Miguel Soares (2007) e Edgar Martins (2008).
até 4 de Abril no Museu da Fundação Berardo.

02 fevereiro 2010

Shortcutz, one month after


Todas as terças-feiras, o bar Bicaense coloca em competição várias curtas-metragens nacionais. Mensalmente, é escolhido um vencedor, que é posteriormente divulgado nos parceiros oficiais do movimento e será levado a outras cidades da rede Shortcutz: Nova Iorque, Madrid e Londres.
Quem achou que o Rui de Brito estaria a ser ambicioso ao organizar todas as terças-feiras um movimento de curtas em Lisboa, enganou-se. Sempre lhe admirei a audácia e fico feliz pelo sucesso e pela energia longa na minha cidade. Na última sessão revelou-se a curta vencedora de Janeiro «Assim, Assim», do realizador Sérgio Graciano, na minha opinião merecedora a passos largos.
A curta-metragem que conta no elenco com Ivo Canela, Albano Jerónimo, Joaquim Horta e Isabel Abreu nos personagens apresentadas. A produção retrata relações humanas através de dois diálogos na cidade de Lisboa (delicioso). Dúvidas e a cumplicidade entre duas pessoas, entre outros temas, são os assuntos expostos no filme.
hoje há noite há mais. apareçam.






01 fevereiro 2010

fill the bill


o amigo sábio disse-me ser urgente e ainda mal aterrada do maravilhoso fim de semana no Porto mergulhei no Up in the air.
Com uma consistência diferente do que estava à espera, e com um epílogo mais fraco do que o imaginado (também no cinema, a satisfação é sempre igual a realidade menos a expectativa) não deixei de gostar do filme. O argumento enaltece o nosso papel mais elevado enquanto seres humanos inteiros e extensíveis, mas no final senti falta da irreverência do outro lado da história.
A genialidade está na proeza de nos conseguirmos identificar com as diferentes personagens várias vezes. A melhor cena do filme acontece no fill the bill. Em segundos identifiquei-me com a fragilidade ou insegurança da executiva iludida com o preconceito do que seria melhor. Mas mais do que palavras (e muito mais do que palavras perdidas em inconsistências que não respeitam a nossa entrega ou essência mais pura), os seres humanos medem-se, medir-se-ão sempre, pelos actos.
Já longe do cenário projectado, do cenário que se veio a revelar longe da beleza de um pacote embrulhado a ouro, reconheço mais uma vez que a vida tem sempre planos para nós, mais elevados do que aquilo que esperamos. E enquanto guardo os conceitos numa gaveta com chave, abraço as nossas certezas mais perto da beleza do mundo, ou de um voo livre de uma cena longe das cidades formatadas.
hoje, de volta ao jardim secreto solto a linha,
e voo lentamente.

29 janeiro 2010

ao terceiro dia



hajam luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos.
e assim criou duas grandes luzes,
a maior para governar o dia, e a menor para governar a noite.
criou também as estrelas,

e espalhou-as pelo Universo para que iluminassem a Terra.


28 janeiro 2010

2046 - 2010

PersonalTime Newsletter | Fev 2010



O amor e a alegria andam no ar, por isso neste mês de Fevereiro privilegiamos o seu tempo com muitos serviços apaixonantes e sugestões de Carnaval. A não perder a exposição Jane and Louise Wilson no Centro de Arte Moderna, a música de Schubert baseadas nos poemas do alemão Wilhelm Müller e as intervenções Arte em Movimento, que está a impressionar os viajantes dos elevadores da cidade. Ainda algumas alterações na newsletter, a pensar no destaque ainda mais elevado dos nossos parceiros. Os serviços continuam a crescer e a PersonalTime que recentemente reformulou a sua equipa, continua a trabalhar numa prestação cada vez mais eficiente. Sempre, a pensar no privilégio do seu tempo.

explore a PersonalTime aqui e leia a newsletter aqui.

26 janeiro 2010

o tempo suspenso


já o colei na parede dos poetas.
Nomeadas para o Turner Prize em 1999, as gémeas Wilson fazem parte da geração dos Young British Artists (YBA). Nascidas em 1967, trabalham e expõem juntas desde o início das suas carreiras. Trabalhando a memória histórica, a obra de Jane e Louise Wilson recupera lugares vazios, áreas evacuadas sem comando, ou espaços perdidos e abandonados, numa viagem que tem tanto de tempo psicológico como de arqueologia de lugares e vivências, transportando-nos para um tempo suspenso.
No Centro de Arte Moderna (Gulbenkian) até 18 de Abril

25 janeiro 2010

voyeur


acabei de receber a versão online da Voyeur, a nova revista de lifestyle do Grupo Lágrimas, uma edição semestral dedicada à actualidade, moda, tendências e luxo. para mergulhar aqui.

arte em movimento


por mim, nunca mais lhe tirava o vestido.

As intervenções Carris, Arte em Movimento é um programa de compromisso da Carris com a arte contemporânea portuguesa – consiste num desafio lançado a quatro artistas portugueses para intervirem sobre os Ascensores da Bica, Glória e Lavra e Elevador de Santa Justa, na perspectiva de estabelecerem uma ponte entre um passado de histórias e vivências com o presente e o futuro.

Representados por Alexandre Farto, Susana Anágua, Vasco Araújo e Susana Mendes Silva, as quatro propostas ligam dois pontos, a partida e a chegada, o passado e o presente.
até 30 de Junho.