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17 julho 2010

invictus


out of the night that covers me,
black as the pit from pole to pole,
i thank whatever gods may be
for my unconquerable soul.

in the fell clutch of circumstance
i have not winced nor cried aloud.
under the bludgeonings of chance
my head is bloody, but unbowed.

beyond this place of wrath and tears
looms but the horror of the shade,
and yet the menace of the years
finds, and shall find, me unafraid.

it matters not how strait the gate,
how charged with punishments the scroll.
i am the master of my fate:
i am the captain of my soul.

14 julho 2010

o sonho das cerejas


'sabem uma coisa?
deste-nos florestas enormes, campos infinitos, horizontes sem fim,
e por isso tudo, nós, vivendo aqui,

devíamos ser autênticos gigantes'

07 julho 2010

A cidade na ponta dos dedos l A cidade a céu aberto


clique na imagem ou se é assinante aqui.

A nova esplanada da Bica do Sapato, uma homenagem à natureza no coração de Santos-o-Velho e uma bebida que promete revolucionar as hormonas da cidade em tempo de verão.

publicado a 3 de Julho na Revista Única do Expresso.

na senda do deserto

para quem acompanha este blog já sabe que não gostei, não gosto e jamais gostarei do Dubai. Se por um lado admiro a capacidade de concretização da família Al Maktoum não posso deixar de achar que o que acontece por lá é a antítese do que eu acho ser a nossa vida na terra: uma fusão com a natureza. de qualquer maneira, viajar serve para estendermos a nossa erudição e conhecimento. não tem de ser a viagem da nossa vida. sobre o hotel Armani, que me levou aos Emirados Árabes Unidos, a certeza de que será uma grande referência da hotelaria mundial. aqui fica o testemunho escrito para a revista Fora de Série do Diário Económico.



Viajar para terras de areia transporta-me sempre para o ‘Chá do Deserto’ de Bernardo Bertolucci. A imensidão do silêncio, os desenhos construídos pelo movimento da terra ou as cores quentes que me enaltecem os sentidos levaram-me ao deserto, com a certeza de que não assinaria por baixo o diálogo de Debra Winger e John Malkovich, com Campbell Scott. No destino da viagem às areias da Arábia, o encontro com o primeiro hotel Armani, situado no Burj Khalifa, o mais alto edifício do mundo. O Hotel Armani Dubai - o primeiro de uma rede que se quer estender em 2011 a Milão, Egipto e Marrocos - foi desenhado pelo Skidmore, Owings, & Merrill, os mesmos que desenharam as Sears Tower em Chicago e a Freedom Tower em Nova Iorque. Inspirado numa flor do deserto, a Hymenocallis, o Burj Khalifa que ultrapassou o edifício Taipei 101, tem uma altura de 828 metros, possíveis de serem percorridos pelo elevador mais rápido do mundo, a 18 m/s (65 km/h, 40 mph), sem qualquer sensação de movimento durante a viagem.

‘Stay with Armani’
Inovação em hospitalidade, design, estética e estilo são os lemas do conceito ‘Stay with Armani’, que acompanha toda a imagem do hotel, com morada nos primeiros oito pisos, assim como no trigésimo oitavo e nono andares do Burj Kalhifa. A segurança é garantida pela paragem de qualquer carro ou peão que faça o percurso que separa as ruas da cidade, da entrada do hotel. Abrem a porta do carro dois homens vestidos com calças e camisolas pretas que pelos cânones de beleza, parecem saídos de um catálogo de Giorgio Armani. Seguem-se mais dois para abrir as portas de entrada e impressiono-me com a elegância do ‘lobby’. Antes de ter tempo para me dirigir a qualquer recepção, sou surpreendida pela simpatia de uma recepcionista, vestida de Armani (todas as fardas foram desenhadas pelo designer italiano) que me pede para aguardar num dos sofás estofados a seda. Espero três minutos e enquanto olho para um dois balcões do lado direito e esquerdo, verifico que o conceito de recepção é inexistente, quando sou novamente cumprimentada, desta vez pela minha ‘lifestyle manager’, a Anne, uma francesa que me leva directa para uma suite no sétimo andar. Apercebo-me do conceito instituído pelo ‘Mr. Armani’, como lhe chamam as muitas nacionalidades que trabalham neste hotel. A minha suite é a número 725 e além de duas casas de banho, um quarto, uma sala e ainda um terraço onde posso dar festas privadas. Numa das mesas da sala esperam-me flores e morangos frescos com opção de os provar com açúcar em forma de neve ou natas batidas que parecem veludo. A Anne explica o conceito de ‘lifestyle manager’ - que tem como intenção um serviço mais personalizado e próximo do cliente - enquanto me ensina todas as funções de um comando que exibe o logotipo Armani. Será a partir deste comando que farei quase tudo dentro da suite: abrir e fechar as cortinas, fechar e acender luzes ou carregar num botão para o ‘lifestyle manager’ vir ao quarto ou ligar-me de volta. O quarto exibe cores que se estendem ao chocolate dos armários, ao bronze das sedas usadas nas paredes forradas a tecido, nos estofos e cortinas até à cor de areia que impera o ambiente das casas de banho. Tudo é sóbrio, tudo é muito simples e elegante. Na casa de banho reparo nos cotonetes invulgarmente negros serem mais compridos do que o normal e na forma do sabonete, uma pedra cor de fogo que nos transporta ao fundo do mar. Diferente do habitual, todo o serviço de bar - bebidas, aperitivos e chocolates Armani - é para o cliente usufruir sem qualquer custo. As bebidas alcoólicas são apenas possíveis por ‘room service’, altamente compensado com vários tipos de água como a norueguesa Voss ou a qualidade dos sumos biológicos. Há ainda Nespresso e chá à descrição e chocolates onde impera a marca Armani.

Setecentos e um empregados para cento e sessenta quartos
Mais de quatro empregados por quarto estendem-se por nacionalidades que atravessam países como Suécia, Itália, Índia, Bangladesh, Egipto, França ou Paquistão entre tantos outros. Nas áreas comuns destaca-se o Armani Lounge com vista para a aclamada fonte do Dubai, ideal para um aperitivo ou ‘drink after business’ sempre servido por empregadas elegantes, que se movem com um vestido que facilmente usaria num cocktail em Portugal. O mesmo acontece na elegância dos vestidos de modelo quimono das discretas e também bonitas empregadas de limpeza, sempre presentes já que os Emiratis são obcecados pelo brilho. (pode-se ver às seis da manhã homens a limpar os carris do metro com a mesma facilidade que confirmamos os setenta por cento de humidade do ar). Neste piso térreo há ainda a Armani Galleria, uma boutique de acessórios de alta-costura exclusivos, a Armani Dolci, uma loja com selecção de doces e chocolates e a Armani Fiori, uma boutique floral com arranjos de flores frescas pensados por Giorgio Armani.

Os olhos também comem
Com a certeza que foi o ‘buffet’ de pequeno-almoço mais bonito que alguma vez experienciei, os produtos são de extraordinária qualidade e toda a padaria e pastelaria (aspecto fora de série e continuamente reposta, por uma sombra da equipa Armani) é feita dentro de portas. O restaurante ‘Mediterraneo’ onde também são servidos os pequenos-almoços têm assinatura portuguesa, pelo talento de Pedro Baroso e Jorge Costa, chefe e subchefe (ambos ex-Penha Longa) que fazem as honras da casa e confirmam o charme lusitano além fronteiras, enquanto cumprimentam alguns clientes habituais. Empregados de calças esvoaçantes cor de estanho trazem como bebida de boas vindas, um delicioso sumo de manga laranja e gengibre, chá ou café e ainda um tabuleiro cromado, com torradas acabadas de fazer protegidas por um pano de linho. No objectivo de comer tudo o mais fresco possível, estrondosos ovos ‘Benedict’ ou panquecas com doce acabadas de fazer, pedem-se à carta.
Do outro lado do Armani Lounge está o Armani Ristorante a comando do carismático italiano Alessandro Salvatico. Com grandes janelas e mesas circulares, foi a melhor refeição que fiz no Dubai com nota vinte para a sobremesa, ‘Baverese alla vanilla, crema alle viole, sorbetto al cassis’ talvez a mais bonita e melhor que alguma vez provei na minha vida. O restaurante indiano Amal, o japonês Hashi e o Peck complementam a oferta de restauração do hotel. Há ainda espaço para um Spa e para o club Armani Privé, uma discoteca aberta até às três da manhã e com entrada directa a partir do exterior, onde emiratis e estrangeiros gozam momentos de libertação através da música e o maior ecrã do mundo, alguma vez colocado num local nocturno.

Na profundidade de uma cidade construída sobre as areias do deserto, a cumplicidade do olhar dos que constroem esta cidade é retida nos sorrisos de povos simples que contrastam com o que as inimagináveis ambições do homem. Na beleza da simplicidade e sem qualquer dúvida que a nova aposta de Giorgio Armani será uma referência de qualidade extraordinária na hotelaria mundial, retenho ainda nesta experiência arábica, as palavras do poeta José Tolentino Mendonça, que tanto me acompanhou nestes dias de visita ao Dubai. ‘Perdemos repentinamente, a profundidade dos campos, os enigmas singulares, a claridade que juramos conservar, mas levamos anos a esquecer alguém que apenas nos olhou’.
Armani Hotel Dubai
Tel. +971 4 303 4222
www.armanihotels.com
A partir de €375

Na pureza da experiência arábica
A quarenta e cinco minutos da cidade, situado nos duzentos e vinte e cinco quilómetros da Reserva do Deserto do Dubai, o Al Maha Desert Resort & Spa é uma fuga privilegiada na fusão com a natureza. O paraíso pertence ao ‘The Leading Smal Hotels of the World’, com morada num antigo campo Beduíno foi galardoado com inúmeros prémios internacionais, incluindo o importante National Geographic Traveller & Conservation International. As suites espaçadas umas das outras com piscina privada e com vista para as dunas ou para as montanhas Hajar, parecem tendas montadas num oásis do deserto e permitem a observação de mais de trinta e três mamíferos e répteis e mais de cem espécies de pássaros. Todas as refeições são feitas dentro de portas, as quais podem ser feitas no restaurante‘Al Diwwaan’, no ‘deck’ privado das suites ou no meio na beleza das dunas se o calor permitir. A bênção deste oásis estende-se ainda as caminhadas no deserto, passeios a cavalo ou de camelo, observação de falcões, ou a uma revigorante aula de ioga ao nascer do Sol.
Al Maha Desert Resort & Spa
Tel. +971 4 303 4222
www.emirateshotelsresorts.com/al-maha
A partir de €650

Não deixe o Dubai sem observar os locais no Dubai Mall, sentado no restaurante Switch decorado pelo designer egípcio Karim Rashid, visitar a zona de Deira através de abras (pequenos barcos que os passageiros usam para atravessar o estuário de Dubai, entre as estações abra em Bastakiya e Baniyas Road), jantar no restaurante argentino do The Palace Old Town ou no internacionalmente conhecido japonês Zuma uma das moradas mais emocionantes da restauração do Dubai. Os melhores meses para não apanhar temperaturas elevadas são de Outubro a Abril.

05 julho 2010

PersonalTime Newsletter | Julho 2010



Num mês em que José Saramago parte do nosso mundo retenho as suas palavras, quando dizia que o seu empenho está em não separar o escritor da pessoa que era. Com a partilha de uma das suas grandes mensagens, na última página desta newseltter de Julho estendemo-nos ainda na margem do Tejo com a nova esplanada de um dos cartões-de-visita da cidade. Ainda, todos os seus desejos em tempos de praia, uma linha de cosméticos que homenageia a natureza, uma viagem mais perto do céu ou o testemunho intenso em tempos de verão de um chefe viajante. Uma agenda que retém o concerto de Maria Bethânia no Cascais CoolJazzFest e ainda uma viagem que promete sonhos no maior edifício do mundo.

mergulhe na PersonalTime aqui e explore a newsletter deste mês aqui.

01 julho 2010

o anjo mudo



percorro-a há anos, como se esperasse não sei bem o quê - como se nessa espera, um dia acabasse por se me relevar uma outra cidade, ou um outro rosto se me incendiasse nos dedos, ou uma ruela apercebida ao fundo de um sonho se chamasse Travessa da Espera, ou uma paixão qualquer, ali ao Príncipe Real.

28 junho 2010

próxima paragem, fast lane



genial genial era fazer isto no metro da Baixa-Chiado,

não concordam?

27 junho 2010

Lisboa, o Tejo e tudo



quase três anos registei um amigo francês que não consegue abandonar a beleza da nossa cidade. ontem, numa viagem a Alfama e na necessidade de me sentir viajante em Lisboa, a parede gráfica do miradouro de Santo Estevão, dava lugar a uma epígrafe que homegeia a extensão do Tejo.

e se por momentos me perco nas escadarias e esquinas escondidas, é também com elas que confirmo a grandiosidade do ser humano e o ouro ainda por descobrir nesta cidade.

quanto à frase que hoje cobre esta composição gráfica, guardo-a
(guardo-a por momentos)
como uma miúda guarda um tesouro.

21 junho 2010

‘deixa-me dar-te o verão’



enquanto os prédios antigos do Loreto me surpreendem,
não te esqueças,

o verão é feito de coisas que não precisam de nome.

20 junho 2010

‘não há palavras. Saramago levou-as todas’



'Estou comprometido, ou seja, vivo, num mundo que é um desastre. O meu empenho está em não separar o escritor da pessoa que sou. Esforço-me, na medida das minhas possibilidades, em tratar de entender e explicar o mundo.'

depois de ouvir as homenagens a José Saramago, com grande comoção nas palavras e no 'era uma vez' da nossa Ministra da Cultura, o alívio da grandeza do homem notada em vida e a importância da consistência dos sonhos.

17 junho 2010

'the' portuguese cake in New York



O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo abriu em Nova Iorque. Digno da fita 'Chocolat' de Lasse Hallström, o famoso bolo de Campo de Ourique apareceu destacado no Dining and Wine do New York Times.

To New Yorkers, chocolate cake might mean crumb-dusted blackout, not layers of chocolate meringue and chocolate mousse with a thin glaze of ganache. But that is the signature dessert at the Best Chocolate Cake in the World. A restaurateur in Lisbon, Carlos Lopes, with his Manhattan partner, Adriano Lucas, created a version of a dacquoise he saw at Fauchon in Paris. Now Mr. Lopes’s shops sell his creamy confection in Portugal, Spain and Brazil, with a factory turning out 150,000 a year just in Portugal.

É sem saudade que me lembro do levantamento que fiz de Campo de Ourique, para os Guias Convida. E nem as boas lembranças (dos áureos anos oitenta) que ainda tenho deste bairro me salvaram. O que em tempos foi um centro comercial a céu aberto, para os bairros dos bairros da Estrela, da Lapa e das Amoreiras é hoje para mim um bairro à margem do meu quotidiano. Passo por lá apenas às sextas-feiras para comprar flores no mercado, levantar o Melhor Bolo de Chocolate do Mundo ou para me abastecer de produtos orgânicos no supermercado de produtos biológicos Brio.

As cidades serão sempre as pessoas e nas memórias do levantamento das ruas, lembro-me que quase todos os seus comerciantes me passaram a energia de um copo meio vazio. Na percentagem do copo meio cheio estava a simpatia, o positivismo e a ambição de Carlos Brás Lopes, invejado na altura, imagine-se agora, que o seu negócio já atravessou o Atlântico e propõe-se a conquistar uma das cidades mais importantes do mundo. O que na altura recolhia pelas bocas de quem dizia: ‘mas quem é que ele (estamos a falar de um visionário que resolveu sonhar mais alto do que é habitual em Campo de Ourique) se julga para dizer que é o melhor do mundo?’ A indignação na altura não me espantou... afinal os Lusíadas do Camões acabam com a palavra ‘inveja’.

Se é o melhor do mundo será sempre uma opinião subjectiva, quando ao tamanho do sonho de Carlos Brás Lopes não tenho dúvidas: o homem sonhou, a obra cresce.

The Best Chocolate Cake in the World is $6.50 a slice, $36 for a whole 9-inch cake, $55 for 11 inches; 55a Spring Street (Lafayette Street), (212) 343-2253.

16 junho 2010

um chá no deserto II


regresso com as mãos mais humildes.
privilegiada a partir do momento que respiro a nossa brisa Atlântica, Lisboa recebe--me com suavidade, enquanto abandono a pele gasta de calor intenso. sem saudade, liberto-me dos 48º com 75% de humidade ou dos tórridos 53º que apanhei no deserto. no regresso ao passado, recordo-me que quando parti com o nome de um post que homenageava um dos filmes que mais gosto de Bertolucci, estava longe de imaginar que encarnaria o desespero de Malkovich em terras ‘emiratis’. na vontade do regresso, transportei na mala a confirmação do nosso papel no mundo e a ternura com que recordo todos os que constroem a tristeza das cidades inquebráveis.

e se o plástico demora anos a desfazer-se na natureza, os sorrisos livres dos povos mais nobres com que me cruzei – e homenageio a Índia, o Sri Lanka, o Paquistão, o Egipto, e as abençoadas Filipinas – paralizam-me na frase de um dos poetas desta cidade. a partilhar em breve em linhas 'fora de série'.

A cidade na ponta dos dedos l A cidade estética


clique na imagem ou se é assinante aqui.

A nova morada de um dos bairros mais desejados da capital, a varanda que promete animar as noites mais quentes de Lisboa e ainda uma obra de arte para desmontar em tempo estival.

publicado a 5 de Junho na Revista Única do Expresso.

13 junho 2010

santos populares, primeiro prémio


fica na Pampulha e é delicioso.

08 junho 2010

um chá no deserto


eu sei eu sei, ainda mal aterrei...mas vou ali, ali e ali e já volto.
em breve numa das minha colunas sobre a cidade.
até dia 14 terei acesso restrito a e-mail e telemóvel.

05 junho 2010

bocuse d'or genève 2010


vou ali e já venho.
em breve numa das minhas colunas sobre a cidade.

02 junho 2010

o encontro dos poetas, no novo café do Príncipe Real



o nome toca-me de perto. se em tempos o 'Orpheu' elevou os nomes de Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Armando Cortes Rodrigues, José de Almada Negreiros, Luís de Montalvor ou Alfredo Pedro Guisado, a intenção de 'agitar as inteligências e sensibilidades' no testemunho do novo café de uma das praças mais bonitas de Lisboa, não deu espaço (obrigada, obrigada, obrigada) para escandalizar quem tanto divulga esta cidade. (para quem não percebe porque escrevi a frase anterior, basta ver o que a Farmácia da Rua Dom Pedro V fez ao mobiliário antigo que lá habitava... e como se isso não bastasse ainda a quantidade de néons que nos rouba a magia da noite. uma afronta à minha pessoa e a todos os que amam a palavra património).

com a alta dignidade da poesia a ode é triunfal, quando observo a evolução de Lisboa. não pretendo levantar todo o véu, antes de partilhar este novo espaço numa das minhas colunas sobre a cidade. mas para já proponho-vos a visita à nova sala de jantar do bairro mais desejado da capital, colada à praça de táxis, com morada num prédio de azulejos (originais e não roubados, aleluia). registem que é para voltar muitas vezes, nem que seja pela simpatia dos proprietários ou pela aclamada decência do biscoito caseiro a acompanhar o café, um gesto tão generosamente básico e do qual tinha tantas saudades, dos meus três anos de vida passados em Amesterdão.

mais do que um nome que me comove, ou de um projecto feito com detalhe, ainda o testemunho da perseverança da Gabriela e do Rui, que abandonaram uma carreira fiscal por este sonho que agora serve a cidade. sim, tudo isso e um 'Ultimatum Futurista às Gerações Portuguezas' do meu tão elevado Almada Negreiros.

01 junho 2010

GQ l Pelas ruas da cidade


São Flores, senhores, são Flores
O Bairro Alto Hotel fez cinco anos e com ele o privilégio dos ‘drinks after business’ e tardes passadas numa das varandas mais fascinantes da cidade. Poderia escrever sobre o privilégio de pertencer ao The Leading Small Hotels of the World, sobre a energia contagiante de Adélia Carvalho, directora de hotel que mudou para sempre a energia do Chiado. Ainda sobre as paredes que transpiram os resgatáveis registos fotográficos de Rui Calçada Bastos, ou sobre o carisma do Tiago que nunca se esquece das broas de mel e canela a acompanhar o café, um pormenor com que me mimaram nos três anos vividos na Holanda e que devia inundar todas as bicas da cidade. Porque estas páginas são gourmet, estas linhas abraçam a genialidade do chefe Luís Rodrigues, alma do restaurante Flores, que ocupa a ala direita do piso térreo do hotel. A minha preferência vai para a hora de almoço, quando o Chiado fervilha o seu esplendor. Nas escolhas elevo nas entradas a Salada de requeijão com compota de laranja e telha de sésamo ou o Queijo de cabra gratinado com ananás, folhas verdes e vinagrete de coentros. Ainda o Mero assado no forno com esmagada de batata-doce e coentros com redução de balsâmico e o Lombo de pintada com polenta de caril e manga. Para sobremesa a Maçã reineta gratinada com creme de especiarias e gelado de chá verde. No jantar o Camarão salteado com leite de côco e alcachofras, Risotto de sapateira com espargos e cebolinho, o Bacalhau cozido em azeite com puré de grão-de-bico e chouriço de barrancos, acelgas e essência de poejo, a terminar com o Parfait de chocolate com gelado de tomilho. Ao Domingo ainda há um ‘brunch’ memorável entre o meio-dia e as quatro da tarde e termino estas linhas a achar que é uma tentação abandonar por alguns dias o meu andar Atlântico e mudar-me para um quarto com outra vista sobre a cidade.
Flores
Hotel do Bairro Alto
Praça Luís de Camões, 2 Lisboa
Tel. 21 340 8288
http://www.bairroaltohotel.com/
Todos os dias 12h30 – 15h
A partir de €20
Menú de Degustaçã (apenas ao jantar) €45
Brunch €20
Brunch ao Domingo
horário das 12h às 16h

Viajantes que ficam
Um restaurante que ofereça preços especiais em forma de menu (para almoço e jantar) adiou a minha curiosidade, mas confesso a rendição a qualquer viajante do mundo que escolha ficar na minha cidade. Cédric Lecler está em Portugal há vinte anos e abriu recentemente um restaurante de fusão com especialidades do mundo inteiro. Localizado num dos bairros mais apetecíveis de Lisboa, a experiência do restaurante familiar é já um marco no Príncipe Real. O ambiente descontraído, os legumes biológicos e ainda o chef Christophe Tondoux (que já passou pela Velha Gruta e pelo Chapitô) são talvez os motivos para a aclamação. Na minha partilha, o Pavé de maça com queijo de cabra pinhões e mel, Caril Thai suave de vieira e camarão. A pontuação máxima entrego-a de mão beijada à sobremesa original ‘Chamussas de massapão e mel’, que adorei pela quantidade (mais do que suficiente) e pela consistência crocante. A não perder ainda o Tagine de borrego com cuscuz e legumes bio. Não aconselho a pedir Mojitos e não aprovo as fardas inexistentes de quem nos serve. Mas há sempre salvação para contrapor a detalhes que podem ser facilmente contornados e no caso da Nova Mesa, o elogio maior vai para a cozinha exemplar, acessível na hora de retocar qualquer maquilhagem e que impecável, salta aos olhos de qualquer observador mais exigente.
Nova Mesa
Rua Marcos Portugal, 1 (Praça das Flores) Lisboa
Tel. 21 396 6287
http://www.restaurantenovamesa.com/
Ter a Qua 12h – 15h e 19h30 – 23h
Ter a Qua 12h – 15h e 19h30 – 00h
Almoço a partir de €13,50
Jantar a partir de € 24

'Um vulcão chamado desejo'
'Volcanic Desires' é um dos nomes dos famosos ‘cupcakes’ da Tease. De cenoura e canela com cobertura de natas frescas e cenouras biológicas, a escolha estende-se ainda a glacé de baunilha, queijo creme, rosa, chocolate ou caramelo. Se os famosos bolos da Rua do Norte são um autêntico vulcão na cidade, a deliciosa provocação é ainda extensível a um Qtease Cocktail de Dave Palethorpe, fundador do bar Cinco Lounge e sócio da Tease ao lado de Sónia Millard. A sumptuosidade é feita com pepino esmagado, folhas de menta, sumo de limão fresco, e ainda uma dose de G’Vine Floraison, equilibrado por goma de menta caseira, o que é a mesma coisa que escrever: uma fatal rendição à morada mais sexy do Bairro Alto.
Qtease Cocktail
Tease
Rua do Norte, 31 Lisboa
Tel. 96 910 55 25
www.tease.pt
Seg a Sáb 12h - 23h
http://www.tease.pt/
Cupcakes a partir de €1,8
Qtease Cocktail € 7

31 maio 2010

casanova à fatia



a minha mini Leica ainda não aprendeu a retirar os viajantes dos reflexos das montras da cidade. mas mais importante que tudo isso é que as maravilhosas pizzas do Casanova e Casanostra vão abrir um novo conveito em pleno Príncipe Real, bem em frente à loja de flores do Maurício. O conceito é pizza a pezzi, ou seja 'pizza à peça'. Em bom português, pizza à fatia, tudo através de uma pequena janela da montra que segundo ouvi dizer (esta deliciosa expressão portuguesa) estará a bombar todos os dias até às 02h da manhã. Lisboa estende-se ao movimento de um dos bairros mais animados da capital, ainda com direito a gelados artesanais no fundo da loja. só fica mesmo a faltar o regresso da pizza de presunto e figos desaparecida da pizzaria onde vou, sempre que me apetece reabraçar o Tejo.

o regresso



este fim de semana aconteceu o Príncipe Real Live e caminhando pelas ruas da cidade fui surpreendida pelas saudades do meu escritório vivo. confesso que tive muitas ideias para participar na melhor acção de rua de Lisboa, mas seria difícil alcançar tão cedo o impacto que colhi de mãos abertas nesses dias distantes. por isso este post homenageia não apenas a acção, mas a montra do Maurício da loja 'Em Nome da Rosa' - este ano com o contributo dos Storytailors - e que continua largamente elevada. ainda que na sombra, não resisti a matar saudades de uma das experiências mais gratificantes onde vi acontecer esta cidade.

30 maio 2010

el segredo de sus ojos


não hesitei em escolher uma amostra sem qualquer legenda ou voz. a fita sublime de Juan José Campanella galardoado com o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro 2010 e com música de Federico Jusid deixou-me estrondosamente silenciosa.

io sono l'amore



verdade, simplicidade ou a 'queda de um anjo' num filme que fala a língua da libertação. não percam por nada deste mundo esta obra sublime de Luca Guadagnino.

28 maio 2010

PersonalTime Newsletter | Junho 2010



Carlos Drummond de Andrade escreveu um dia que ‘perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes’. Para o mês de Junho, apresentamos um novo formato, mais concentrado para continuar a aproveitar tudo o que queremos partilhar consigo todos os meses. De mão dada aos santos populares, partilhamos a Tease por ser uma das lojas mais sexys da cidade, a nova linha M.A.C. To the Beach por ter imaginado uma gama dedicada às peles douradas do Verão, que já se faz sentir. Com uma escapadela a um dos hotéis mais desejados de Madrid ou às palavras sábias de Hugo Gonçalves, haja ainda tempo para uma agenda que oferece: os poemas de Fernando Pessoa no mês das crianças e o testemunho de Bárbara Coutinho sobre o museu que mudou para sempre a dinâmica da cidade.

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25 maio 2010

Montefiori Cocktail

Os Montefiori Cocktail tocam hoje no Maxime às 23h e o bilhete custa €3. que não hajam desculpas para não viverem esta cidade, uma Lisboa cool, até à terça feira.

Príncipe Real Live


Lembram-se deste e deste post?

Depois do sucesso do evento “D. Pedro V está Vivo” realizado em Novembro de 2008, e do Príncipe Real Live de Novembro de 2009 com o objectivo de dinamizar o comercio da Rua D. Pedro V, surge este ano a terceira edição do evento com mais força e maior dimensão. Da rua D Pedro V à rua da Escola Politécnica serão vários os eventos e acções promovidos pelas lojas.

Nos dias 27 a 30 de Maio - inauguração já esta 5ª feira - os comerciantes da zona unem esforços promovendo nos seus espaços diversos eventos, desde música ao vivo, a degustações variadas, a exposições de antiguidades, arte, design, joalharia, peças de autor, moda, make-up, passando por workshops de danças indianas.

Mais uma vez irá puder assistir-se a momentos de ópera por Primo Canto em vários espaços do evento e pela primeira vez irão realizar-se diversos concertos com diversas bandas.Nesta iniciativa, promovida pelo Príncipe Real Project do Eastbanc, todas as lojas estarão abertas das 10 da manhã às 11 da noite. Be there. Be alive.

21 maio 2010

na impossibilidade da imaginação concretizada



não foi há muito tempo que escrevi este post. na impossibilidade da imaginação concretizada, a salvação chegou-me através de uma viagem de CS-HGH, um helicóptero do TTC Group. A acção colocou Lisboa a meus pés numa manhã bem passada em Tires, com acções da Nespresso, Montblanc, e o exemplar serviço da Cateri. Em breve numa das minhas páginas sobre o abraço a esta cidade.







ao acto de esplanar



grande melhoria, a da esplanada do Café no Chiado.

19 maio 2010

'a instituição'

para quem não apanha o Económico TV como eu (imperdoável não estar ainda na grelha do meo) aqui deixo as palavras da Mafalda com a certeza de que não há famílias perfeitas, nem há homens permanentemente felizes.

18 maio 2010

o regresso III


depois deste post e a breves dias de voltar à floresta,

I went into the woods because I wanted to live deliberately. I wanted to live deep and suck out all the marrow of life...to put to rout all that was not life; and not, when I came to die, discover that I had not lived.

mais sobre a campanha da Dedon aqui e Bruce Weber aqui.

17 maio 2010

'escuta-me'



Escuta-me porque hoje não consigo ser irónico. Escuta-me, é sério. Há décadas que andamos nisto, a marcar passo, a assobiar para o lado, somos funcionários do comodismo e cúmplices da trafulhice. Mentem-nos e nós calamos. E um povo de cordeiros terá sempre um governo de lobos. Eu percebo e aceito que temos agora de pagar mais impostos, que os preços vão subir e os salários descer. Mas era preciso chegar até aqui? Era preciso ter a alma, e não apenas o bolso, exangue? Era preciso, durante anos, colaborar com os chico-espertos, os sucateiros, os empreiteiros, os autarcas mafiosos, os ministros desonestos e com reformas milionárias, os banqueiros chupistas e burlões, os traficantes de influências, os empresários que declaram salários mínimos e conduzem Mercedes, os funcionários parasitas e os políticos dissimulados? Era preciso ter um primeiro ministro que nos mente sem pudor? – há menos de um mês disse, no parlamento, que não ia aumentar impostos. Era preciso um governo cobardolas que aproveita a distracção com o Papa – que nos custou milhões de euros e uma tolerância de ponto – para anunciar que estamos entre a espada e a parede? Era preciso um presidente que diz, no santuário de Fátima, “Entendo que não devo fazer qualquer comentário sobre a vida político-económica portuguesa”? Eu sei que temos culpa, que nos comportámos como novos ricos sendo o país pobre, que andámos dormentes. Fomos sempre desinteressados, mansos, totós, egoístas. E hoje estamos de espírito vergado. Temos o que merecemos? Começo, com tristeza e revolta, a acreditar que sim.

publicado a 13 de Maio na crónica diária do viajante, no jornal i

14 maio 2010

o sonho é possível ll



lembram-se deste post? na senda do sonho (adoro quando a insistência sai vencedora) já não é preciso irem buscar-me à Ginginha do Rossio, porque conseguir a inscrição no TEDxLisboa. 'Um dia de ideias com Mentes Abertas' é o tema do TEDxLisboa, amanhã, no auditório da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. oradores aqui, programação aqui.

para quem não conseguiu pode assistir ao TEDxLisboa de duas formas:
através deste link, onde já se pode registar para uma vídeo conferência, com recurso ao WebEx, da Cisco ou através deste outro link, onde poderá assistir ao live stream em HD, numa página do Jornal i.
'ideas worth spreading or riveting talks by remarkable people, free to the world' aqui.

12 maio 2010

GQ l pelas ruas da cidade



Um elogio a Lisboa
Lisboa mexe e mexe muito bem no bairro abençoado da capital. Pela iniciativa de Susana Felicidade e de Tânia Martins, o sucesso da Taberna Ideal estende-se agora a uma Petiscaria duas portas abaixo. O efeito da Taberna tem sido tanto – de facto o espaço retro, a qualidade dos ingredientes, as sublimes receitas da Susana, a um preço bom para todos são um casamento notável – que é quase impossível marcar mesa na Taberna com menos de duas semanas de antecedência. Por isso a Petiscaria funciona de forma diferente, não há marcações e quem chega vai-se sentando. O ambiente faz-me sentir em casa, pois na homenagem à minhas raízes onde predominam os antiquários-alfarrabistas reconheço as peças transformáveis, num cenário elevado. Paredes azuis anos cinquenta, azulejos hidráulicos de Estremoz do Mestre Lúcio Zagalo e mesas antigas de sala de aula de ciências são iluminados por candeeiros industriai. No que toca a petiscos há muitos e excessivamente bons e estas linhas não dariam para todas as minhas sugestões, mas elevo o ‘Polvo como se faz na Arrifana com batata-doce e molho de tomate’, a de chorar por mais ‘Massa fresca com vieiras e coentros’, o ‘Estufadinho de carne de porco preto com compota de pimentos’ e os clássicos ‘Ovos mexidos com espargos e cogumelos’. Ainda a ‘Batata de Aljezur frita’ e para acompanhar a ‘Sangria de espumante com maça verde e canela’. Nas sobremesas o ‘Gratinado de pêra’, o ‘Pudim de batata doce’, a ‘Mousse de chocolate com aguardente de medronho’ e o ‘Bolo de cacau coberto de chocolate de leite condensado’. Como se tudo isto não bastasse ainda a importância das pessoas. O Ricardo e a muito simpática e eficiente Catarina acompanham as hostes da casa. Mas o melhor de tudo, a mistura de clientes (nas mesas altas), a simplicidade, o aproveitamento dos objectos mortos, numa das salas de jantar mais caseiras e animadas do momento, numa morada que me confirma com satisfação, a energia certa de uma cidade europeia.
Petiscaria Ideal
Rua da Esperança, 100 Lisboa
Tel. 21 397 1504
Ter a Sáb 19h – 02h
A partir de €17

O Chiado é Largo
Abriu recentemente no coração do Chiado, a assinatura de interiores é de Miguel Câncio Martins e é o novo restaurante sensação da cidade. Referências à parte, aplico mais uma vez o lema de que a satisfação é igual à realidade menos a expectativa. Conhecendo muitos dos restaurantes de Paris assinados pelo mesmo designer de interiores – e tenho a ousadia de recordar as boas memórias do Man Ray na Rue Marboeuf nos Champs Elysees à dez anos atrás - confesso que estava curiosa e expectante. Talvez tenha ficado mais exigente com a minha idade balzaquiana, mas não me rendi ao que fizeram com os antigos claustros do Convento da Igreja dos Mártires. As abóbadas em pedra descascada e os pilares estruturais da sala mereciam mais do que uma mistura empolada de verde e rosa e que na minha opinião não enaltece os traços históricos da estrutura do espaço. A cadeira onde me sentei fez-me sentir a Cleópatra, mas infelizmente sem pajens. E no caso de não os levar consigo é melhor pedir um javali para a mover. Na senda da salvação, o serviço é muito atencioso e a minha identificação enquanto mulher atlântica gosta dos aquários, onde observo a natureza em várias cores. No destaque da carta concebida pelo chefe Miguel Castro e Silva - e fui mais do que uma vez para ter a certeza que estas palavras seriam justas - nada me ficou na memória a não ser um risoto de trufas extraordinário que roubei do prato da minha companhia. Para elevar o copo meio cheio, gosto e agradeço tudo o que faz a minha cidade acontecer, mas elevo o caminho da simplicidade, num Largo onde nasceu o nosso mais ilustre poeta, e que tanto dizia que ‘não basta existir para ser completo’.
Largo
Rua Serpa Pinto, 10A Chiado, Lisboa
Tel. 21 347 72 25
www.largo.pt
Seg a Sáb 12h30 15h e 19h30 – 00h
A parti de €30

Ir para fora cá dentro
Um projecto da Arte Assinada - conceito criado por Armando Ribeiro entre os anos 2002 e 2008 - que teve a ambição de criar um guia de Portugal. A partir do sonho de Otávio Gomes, um luso-brasileiro - dono da Arte Assinada - apaixonado pelo nosso país, a criação de um kit composto por um de um guia geral, seis mini-guias com percursos detalhados e sugestões específicas, um cd de originais de música portuguesa, um cartão prestígio (com acesso a descontos), um mini-guia e ainda um Mapa de Portugal Continental, Açores e Madeira. Uma sugestão completa para planear a aventura de viajar fora cá dentro.
Viver e Sentir Portugal
Fnac
Armazéns do Chiado Rua do Carmo, 2 Lj. 407 Lisboa
Seg a Sáb 10h - 22h
Edifício Palladium Rua Stª Catarina, 73 Porto
Seg a Sáb 9h - 22h e Dom 10h - 21h
www.arteassinada.pt
€38

live with chivalry


depois do seu lançamento no Ritz Four Seasons fui convidada pelo Chivas Club para entrevistar, doze personalidades que transpirem os valores da marca. Nomes como o chefe José Avillez ou o nosso prémio Saramago vulgo homem luz, João Tordo, marcarei encontro no Ritz Four Seasons com muitas outras personalidades que transpirem os valores do filme que partilho em cima. para seguir também neste blog, já que o Chivas Club é privado e conta apenas com 100 convidados no primeiro ano.

descubra mais sobre o Chivas Club aqui.
(tem a versão do filme em português e só depois a explicação do club)

11 maio 2010

06 maio 2010

de las letras



vou ali e já venho.

05 maio 2010

o sonho é possível

acabei de tentar a minha sorte.
se não conseguir ser seleccionada para ir ao TEDx Lisboa vou afagar as mágoas para a ginginha do Rossio. alguém que me leve depois de volta ao andar atlântico com o mapa que vou deixar no bolso esquerdo do casaco. combinados?

banheira de papel


hoje roubei esta imagem da banheira de papel,
uma das moradas mais cénicas da blogosfera. o motivo,
transportou-me ao futuro da minha parede dos poetas.

03 maio 2010

A cidade na ponta dos dedos l As cidades iconográficas


clique na imagem ou se é assinante aqui.

A nova morada de Lidja Kolovrat, os novos vestidos da CityZdot Nespresso e ainda um champagne de luxo numa das lojas mais elevadas da cidade.

publicado a 1 de Maio na Revista Única do Expresso.

30 abril 2010

PersonalTime Newsletter | Maio 2010



O calor veio para ficar e com ele dois restaurantes, em Lisboa e no Porto, que prometem ser as novas princesas da cidade. A nova edição limitada Tanzarú da Nespresso e The Glenlivet Cellar Collection 1973 merecem também o destaque da PersonalTime, ao lado de uma escapadela à montanha mais elevada de Portugal. Sonhos para as nossas crianças, massagens em casa, presentes especiais para o dia da Mãe e uma agenda cultural com escapadela à National Portrait Gallery em Londres, sem esquecer o testemunho de um dos chefes mais fulgurantes de Lisboa e as imprescindíveis palavras de João Tordo, o último Prémio Saramago.

explore a PersonalTime aqui e leia a newsletter aqui.

passion changes everything

a message with deep resonance, com a minha assinatura por baixo.

use only in times of crisis or invasion



o andar atlântico surpreende-se com o seu significado.

In the Spring of 1939, with war against Germany all but inevitable, the British Government's Ministry of Information commissioned a series of propaganda posters to be distributed throughout the country at the onset of hostilities. It was feared that in the early months of the war Britain would be subjected to gas attacks, heavy bombing raids and even invasion. The posters were intended to offer the public reassurance in the dark days which lay ahead.

The posters were required to be uniform in style and were to feature a 'special and handsome' typeface making them difficult for the enemy to counterfeit. The intent of the poster was to convey a message from the King to his people, to assure them that 'all necessary measures to defend the nation were being taken', and to stress an 'attitude of mind' rather than a specific aim. On the eve of a war which Britain was ill-equipped to fight, it was not possible to know what the nation's future aims and objectives would be.

At the end of August 1939 three designs went into production with an overall print budget of 20,600 pounds for five million posters. The first poster, of which over a million were printed, carried a slogan suggested by a civil servant named Waterfield. Using the crowns of George VI as the only graphic device, the stark red and white poster read 'Your Courage, Your Cheerfulness, Your Resolution will Bring Us Victory'. A similar poster, of which around 600,000 were issued, carried the slogan 'Freedom is in Peril'. But the third design, of which over 2.5 million posters were printed, simply read 'Keep Calm and Carry On'.

The first two designs were distributed in September 1939 and immediately began to appear in shop windows, on railway platforms, and on advertising hoardings up and down the country. But the 'Keep Calm' posters were held in reserve, intended for use only in times of crisis or invasion. Although some may have found there way onto Government office walls, the poster was never officially issued and so remained virtually unseen by the public - unseen, that is, until a copy turned up more than fifty years later in a box of dusty old books bought in auction.

Shop owners Stuart and Mary Manley liked the poster so much that they had it framed and placed near the till in their shop. It quickly proved popular with customers and attracted so many enquiries that Stuart and Mary decided to print and sell a facsimile edition which has since become a best-seller, both in the shop and via the internet.

The Ministry of Information commissioned numerous other propaganda posters for use on the home front during the Second World War. Some have become well-known and highly collectable, such as the cartoonist Fougasse's 'Careless Talk Costs Lives' series. But ours has remained a secret until now. Unfortunately, we cannot acknowledge the individuals responsible for the 'Keep Calm' poster. But it's a credit to the nameless artists that, long after the war was won, people everywhere are still finding reassurance in their distinctive and handsome design, and the very special 'attitude of mind' they managed to convey.

mais aqui

palavra (en)cantada II



a importância da sensibilidade,
ou um beijo puro na catedral do amor.

29 abril 2010

o mapa do amor



quando a cidade se rende ao calor transporto-me por momento a uma das tardes esticadas na relva dos jardins da Gulbenkian. nesses dias distantes acendo-me na poesia, enquanto Lisboa me entrega de mãos abertas, o mais fulgurante de todos os silêncios.

o Futuro é sempre próximo. Da ponte sobre o Tejo vejo que a sofreguidão pela frescura do mar flui sem espera, mas não hesito: a selecção de António Pinto Ribeiro merece que a brisa do mais vivo jardim da cidade, me roube um mergulho no Atlântico. Ao longo de 80 metros, os poderosos jardins da Fundação Gulbenkian erguem-me à visão da refulgente poesia. A iniciativa do programa Próximo Futuro que se dedica às novas gerações criativas da Europa, América Latina (e Caraíbas) e África, deita-me num dos almofadões de cores rasgantes que se espalham pelo percurso. Por instantes oiço as estrelas a dizerem tsau, e recomponho o mapa do amor, nos corpos desconsagrados. Deixo-me reconquistar pelas árvores de Manuel de Barros, rendo-me à doçura da vida de Sophia. E porque estamos na estação do cio, deixo-me atravessar o limiar de olhos fechados. Hoje a cidade está aqui para mim.

27 abril 2010

palavra (en)cantada


Não percam a palavra (en)cantada na Casa Fernando Pessoa esta quinta-feira às 18h30. 'Um documentário de longa-metragem dirigido por Helena Solberg, que faz uma viagem pela história do cancioneiro brasileiro com um olhar especial para a relação entre poesia e música. Dos poetas provençais ao rap, do carnaval de rua aos poetas do morro, da bossa nova ao tropicalismo, Palavra (En)cantada passeia pela música brasileira até aos dias de hoje, costurando depoimentos de grandes nomes da cultura do Brasil, performances musicais e surpreendente pesquisa de imagens.

Com a participação de Adriana Calcanhotto, Antonio Cícero, Arnaldo Antunes, BNegão, Chico Buarque, Ferréz, Jorge Mautner, José Celso Martinez Correa, José Miguel Wisnik, Lirinha, Lenine, Luiz Tatit, Maria Bethânia, Martinho da Vila, Paulo César Pinheiro, Tom Zé e Zélia Duncan. Imagens de arquivo resgatam momentos sublimes de Dorival Caymmi, Caetano Veloso e Tom Jobim. Poemas de Fernando Pessoa, João Cabral de Melo Neto, Hilda Hilst e pérolas de grandes compositores conduzem o guião.

veja uma amostra aqui e ainda mais aqui.

26 abril 2010

menino do rio



a transpiração sublime de mais um abraço à minha cidade, de um escritor que escreve sempre com as sensações coladas à pele.

Não tinha sequer pensado em escrever-te, ando cansado de ti e do teu humor de merda em tantas tardes de chuva. Ia escrever sobre o Rio de Janeiro e os cariocas que graffitaram o Cristo Redentor com a frase: “Quando os gatos saem, os ratos fazem a festa.” Mas depois saí de casa por causa do sol e comprei um cornetto de morango e, juro-te, há sempre miúdos com uma bola na minha rua. Hoje, finalmente, a bola fugiu para os meus pés e dei dois toques antes de passá-la. O dia corria-me bem até porque numa esquina da praça já não se vendem castanhas mas morangos gordos e mangas cor de fogo. E, nas escadas de pedra, encontrei adolescentes que, estou certo, se baldaram à última aula para fumar ganzas e namorar como nos filmes que vêem nos portáteis – ela com a mão no queixo, ele com a franja nos olhos. Mais a asiática linda com óculos escuros de diva e cabelo de guerreira ou a miúda ao telemóvel com a mãe, que pedia dinheiro para a renda e não sabia se ia receber uma bolsa: “Mas tenho fé”, copiei da boca dela para o meu bloco de notas. Queria falar do Rio de Janeiro, mas por causa de uma limonada no Chiado, das estrangeiras giras com ombros de alças e chapéus de palha, por causa de todos os coxos e cegos e janados que pedem esmola, por causa dos ciganos que me tentam vender haxe, por causa dos prédios que ardem junto da minha casa, devolutos, esquecidos, sem ninguém que faça vida neles há décadas, por causa do que me fodes o juízo e de tudo o que me dás, estou a escrever-te a ti. Porque sabes, Lisboa, às vezes estás-me tão entranhada.

publicado a 22 d Abril na crónica diária do viajante, no jornal i

23 abril 2010

movie on



podia até não gostar do cartaz do indie deste ano, mas num mundo talhado a máscaras confirmo a delícia da realidade. isso e a liberdade de poder ir às sessões a meio da tarde, assim como quem não se prende a nada e tem tempo para tudo.

vou ali e já venho.

22 abril 2010

nesses dias distantes



O registo foi uma das imagens que não preciso de visualizar para me lembrar de um país que me alterou para sempre. Tudo o que recolhi, tudo o que deixei para trás e permitiu um reabraço à cidade que me move todos os dias a montanhas elevadas. Sim, sempre gostei de grandes conquistas.

Hoje a minha memória voltou a tropeçar na Grécia, culpa das palavras da Economist apanhadas no Diário Económico de hoje, ou pelos artigos sempre fulgurantes de um grande amigo também viajante desta cidade. Na extensão das suas palavras um testemunho de uma grega, que por breves instantes reflectiu a minha memória num espelho.

Diante de Maria Kyriakopoulou, em Madrid, não passaram dois segundos até que ela referisse, com o sorriso dos vencedores, a final desgraçada do Euro 2004. Por estes dias, mostro-lhe Lisboa, e ela espanta-se com a serenidade, a beleza e o potencial da cidade. Chegou a parar numa imobiliária para ver preços de casas. Diz-me que não há voos directos entre Atenas e Lisboa: “Os senhores da Europa não querem estes países juntos.” Comparamos os dois povos e, a meio do almoço, garante-me que a preguiça do serviço de mesas é igual na Grécia e em Portugal. Quero que goste da minha cidade e mostro-lhe o Tejo num miradouro. Ela está convencida. Responde-me com uma descrição das ilhas gregas. Há uma sintonia e uma partilha que talvez não conseguisse com um alemão. Somos, eu e Maria, filhos de países pobres que se comportam como novos ricos. Conhecemos o melhor destas nações mas tememos que o desperdício das oportunidades, nos últimos 30 anos, tenha causado demasiados estragos no coração do povo. Explico-lhe que 48 anos de uma ditadura pobre, liderada por um merceeiro cruel, nos domesticaram o sangue. Ela responde que os turcos ocuparam a Grécia durante cinco séculos. E pergunta-me se, como no seu país, por causa do plano de austeridade do governo, não saímos para a rua com pedras e paus e carros incendiados. Penso no PEC, na greve dos enfermeiros, na ocupação do centro de saúde de Valença. Não me lembro das últimas granadas de gás lacrimogéneo nas ruas. O nosso povo é sereno. Talvez isso sossegue os senhores da Europa.

A Grécia ofereceu-me a felicidade de mão beijada. Tal como a Maria espantei-me com a cidade e o privilégio de ter lá vivido de braço dado a gregos, obriga-me a partilhar a vitalidade de uma cidade, que embora caótica e pouco civilizada, esconde tesouros inimagináveis: a alegria, a sofisticação, a generosidade ou mesmo um ego invejável. Invadidos várias vezes ao longo da sua história, não há Venezianos, Otomanos ou Segunda Guerra Mundial que fragilize as boas vibrações das abençoadas terras helénicas. Um país onde sempre me senti em casa e que tanto me ensinou sobre a dignidade do ser humano.

Concordo com o meu amigo sobre a não cumplicidade com qualquer país germânico ou calvinista. E se nãogás lacrimogéneo nas ruas de Lisboa, lamento o excesso de sorrisos tristes, mas isso já nós sabemos que é culpa do delicioso fado.

hoje é o dia da terra

na tentativa do abraço cada vez mais largo ao universo, decretei que apenas usaria produtos como este no andar atlântico. quanto a detergentes a escolha é imediata, mas confesso que pagar quase €5 por isto para atirar buraco abaixo é um esforço, compensador na minha humilde consciência.

vi o 'into the wild' fora de horas, mas não deixou por isso de ser uma fita que ocupa a prateleira mais alta desta casa. em homenagem ao dia de hoje e nas escolhas de Christopher McCandless, entre Lord Byron, Tolstoi ou Boris Pasternak partilho-vos a célebre frase de Henry David Thoreau que inunda uma das cenas do filme.

mais do que o amor, do que o dinheiro, e do que a fama,

dai-me a verdade.

21 abril 2010

mais camas mais sonhos



ainda não me tinha lembrado de partilhar esta novidade. lembram-se deste edifício na 24 de Julho, que tinha uma bomba de gasolina em baixo? vai ser um hotel e promete bastante, já que os interiores estão a cargo de Manuel Reis e terá um terraço com vista sobre o Tejo, num dos mais promissores bairros da capital.
i'll keep you informed.

20 abril 2010

'provoca-me que eu gosto'



A Tease que tinha data de abertura para Março, vai finalmente abrir hoje as portas no Bairro Alto. O atraso não se deveu à falta de empenho, mas antes às papeladas e burocracias que tantas vezes impedem Lisboa de brilhar. No entretanto apareceram outros 'cupcakes' pela cidade, mas com espaço aberto ao ar livre, a Tease é a pioneira e o melhor de tudo, não fica num centro comercial (essas moradas aberração que não param de crescer no nosso país). A nova 'Lisbon rock'n roll bakery' fica logo no início na Rua do Norte, perto do Camões e promete ser uma lufada de ar fresco ou mesmo um teaser 'provoca-me que eu gosto' na nossa cidade.


Rua do Norte, 31 Lisboa
Tel. 96 910 55 25
http://www.tease.pt/
Todos os dias 12h - 23h
cupcakes a partir de €1,8

18 abril 2010

as cerejas no reino do maravilhoso



mais um tropeção na Fnac. desta vez (finalmente encontrei) o documentário Manuel Hermínio Monteiro de André Godinho. uma hora de testemunhos do seu amor e muitos amigos, sobre um ser humano que elevou a poesia e a quem dediquei a primeira colecção da criarte.

'o nome de um pássaro' como lhe chamou o Tolentino, o 'princípe' de Cesariny ou o 'perfeito incendiário' de Alfredo Saramago. a memória permanece nas folhas das árvores.

e se é verdade que a imagem de Manuel Hermínio Monteiro ainda procura o coração de José Agostinho Baptista, a viagem da poesia confirma que os livros sempre foram 'editados pelo prazer e não pelos patacos'. sempre defendi este segredo, quando o objectivo do dinheiro é diluído na paixão o caminho é mais limpo.

ainda tive o privilégio de um dia jantar na mesma mesa de m.h.m. e por na altura não ser a balsaquiana que hoje sou limitei-me (infelizmente) à distância do sorriso. mais tarde e para pedir os direitos para o lançamento da criarte encontrei-me com a sua companheira de vida Manuela Correia que me disse que o Cesariny abria sempre os braços nas viagens que faziam juntos. agradeço a coincidência.

no poder de 'retirar a ansiedade do tempo', a presença da ligação sagrada à natureza e a unidade do universo onde o ser humano também habita. assim simples e sublime, como se 'o tempo em que te espero me desse toda a dignidade do mundo'.