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03 dezembro 2007

O Senso e a Cidade l Make it simple


aqui na página 8 ou
Há uma semana que cheira a Natal nas ruas da capital. Com um protocolo assinado em 1996, entre a União dos Comerciantes do Distrito de Lisboa e a Câmara Municipal, o comércio tradicional é inundado de luz com um orçamento que ronda os 406 mil euros.
Além do bairro da Avenida de Roma, da Rua Ferreira Borges em Campo de Ourique, da Baixa Pombalina, do Chiado, da Rua de Belém, da entrada das Amoreiras, Santa Apolónia e Pedrouços, gozamos ainda de iluminações natalícias no Rossio e na Avenida da Liberdade, sendo estas possíveis com o patrocínio de uma instituição privada. O orçamento teve um corte na ordem dos 60%, o que desinquieta sempre os comerciantes de rua, que lutam contra os impessoais centros comerciais.
Sempre fiel ao "less is more" de Mies van der Rohe, não posso deixar de me desiludir ao procurar sentir as luzes de Natal no Chiado. Com um orçamento mais em conta, poderia ter sido feito uma intervenção mais sóbria e mais condizente com a beleza da nossa cidade branca, que é já tão espontaneamente iluminada. Laços rebuscados, muitas cores sortidas e alguns bolos de noiva não me convidam a respirar a espiritualidade possível, nesta época consumista.
Por isso e oferecendo de graça, desde já, os meus serviços de consultadoria estética para o ano de 2008, faço o apelo: da próxima vez make it simple. O Chiado já é tão bonito, que simples luzes brancas em quantidade seriam com certeza suficientes para o enaltecer. É que como escreveu um dia Eugénio de Andrade, Lisboa é uma rapariga descalça e leve e não precisa de muitas cerejas para brilhar. Eu sei e tu sabias?
coluna de opinião publicada a 3 de Dezembro no Meia Hora

1 comentário:

  1. Minha Querida Sancha,

    1. Boa introduçao. 406 mil euros de orçamento é muita massa sao 902 salários mínimos (a valores de 2009). Tecnologia, ciência, inteligência e imaginaçao criam iluminaçoes como a do aqueduto.

    2. Pobres comerciantes de rua, que "lutam contra os impessoais centros comerciais". O comércio tradicional é o que é. Muito por culpa própria. As grande cadeias "impessoais" também habitam a rua Augusta e a Baixa.

    3. Less is more (Mies van de Rohe). De acordo. Uma capital Europeia, nao pode ter iluminaçoes de Natal de freguesia rural! Vao espreitar Llubljana. Vejam quanto gastam e os resultados. Uma elegância e uma simplicidade "exuberantes".

    4. Less is Boring (Venturi), afirma mais tarde. Contra corrente. Barroco Contemporâneo. Elegâcia e "exuberante" simplicidades.

    5. A estética é a estética, e o elogio ao mau gosto e à falta dele... Vamos passar o fim-de-semana à terra. Somos tao conservadores, que em vez de termos actividades lúdicas urbanas, temos as enxadas em Salvaterra, Caneças, Mafra... A terra tem mais habitantes que Lisboa. A terra é a capital do país. A terra e o subúrbio, juntos consomem a elevada percentagem da nossa gente.

    6. O pior Presidente de Camara é aquele, que no final do seu consulado expulsou habitantes da cidade para o subúrbio. É simples fazer contas (ver web do INE). Como curiosidade.... Quantas pessoas expulsaram os últimos presidentes da CML. E o presidente que foi presidente da República. Quantas expulsoes por hora? É fácil fazer contas e ver resultados de políticas. Direita, esquerda, a meias, com coligaçoes, é facil fazer contas.

    7. "Época consumista", que pena este ano estar "teso".

    8. "Lisboa é uma rapariga descalça e leve e não precisa de muitas cerejas para brilhar. Eu sei e tu sabias?" - GRACIAS

    9. FÚTIL? ZERINHO. As tuas "escrituras" crescem. Já as (re)leste. O exercício comparativo permite-nos avaliar a evoluçao.

    10. Sao narrativas de BOM SENSO -o teu.

    11. Make it Simple. Como em quase tudo na vida. Vamos desligar o "complicómetro".

    G, o de fora do mass mail.

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