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28 setembro 2011

como o movimento silencioso das algas


tal como as casas em construção,
é quando os amigos partem que recolho com a beleza do mundo o mais importante das nossas vidas sempre tão fugazes. a importância das mesas desconstruídas, onde com as migalhas ecoam ainda o rasgar dos sorriso de uma noite de verão. a partilha de um dia improvável, a mistura de almas distantes e desconhecidas, que se misturam em fermentação como um bom vinho nascido das vinhas de Lagido.

e há um momento em que as paredes brancas se iluminam. depois da porta fechada e das velas que se vão apagando, elevo as palavras de um dos meus maiores mestres.

hoje 'adquiri um andar flutuante - como o movimento silencioso das algas. um andar oceânico.

26 setembro 2011

verbo ir



viajamos para confirmar a existência do mundo.

22 junho 2011

eu conheço o teu canto



não. jamais poderia colocar nesta morada o som que a Leica registou. a morada cénica, a imortalidade do claustro, a presença das gaivotas de veludo, que me libertavam de novo a um caminho que apenas se vive em frente.

o homem. (a verdade da distância mas também) a prensença e a entrega de um homem 'com quem aprendi a ver aquilo que dentro de nós existe e não sabia'. a beleza do sagrado, o toque puro do divino numa noite que nada mais me retém, senão no abraço do previlégio.

as palavras abrem portas
e nelas toco com 'o poder ainda puro das tuas mãos
um caminho que passa e não passa por aqui'.

o tempo é uma palavra de mãos abertas e por isso te peço que o uses para me contares dos lugares por onde viajaste e foste feliz, muito feliz.´

conta-me, eu sei quanto amaste a luz, o vento, o sal nas pontas dos dedos, o muito silêncio que trazia a madrugada. senta-te aqui comigo e dá-me a única coisa que não perderemos e que é a penumbra, o veludo e o sol que habitam essa voz que conheço como um rio e à qual regresso.
eu escuto, conta-me o que emudeceu a tua alma, o que a fez transbordar, o que abandonaste, o que guardaste contigo.
conta-me, abre devagar a porta. eu espero. eu conheço o teu canto.


hoje
da minha janela alcanço todo o azul do Mediterrâneo que me foi dado. é um azul de barcos, gaivotas de asas abertas, cheiro de pinheiros e cigarras no silêncio do anoitecer. é um azul cálido, de ondas ocultas, canções antigas, encontros e desencontros de amor.
se nos calarmos, veremos emudecer o mundo.


e então seremos apenas o essencial.

03 fevereiro 2011

untight



reconhecerei sempre as ruínas daquilo que amo,
daquilo que nomeei
para entender o mundo.

25 setembro 2010

no elevado sentido de existência



não me surpreendo. mesmo sentindo-me sempre magnânima entre as cidades é ligada à natureza que limpo 'a morte dos dias'. e enquanto esgravato a terra das Beiras, não apenas com as pontas dos dedos, mas com as mãos abertas - ligada ao universo - sinto a morada onde tudo começa. a humidade escorre-me entre os dedos e o aroma impossível em cidades atlânticas, estende-me a certeza do tão elevado sentido de existência.

hoje, 'tudo me prende à terra onde me dei'.

01 julho 2010

o anjo mudo



percorro-a há anos, como se esperasse não sei bem o quê - como se nessa espera, um dia acabasse por se me relevar uma outra cidade, ou um outro rosto se me incendiasse nos dedos, ou uma ruela apercebida ao fundo de um sonho se chamasse Travessa da Espera, ou uma paixão qualquer, ali ao Príncipe Real.