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30 outubro 2010

sobre os diálogos dinâmicos



entrevistei a Lidija Kolovrat, no terraço do Ritz Four Seasons esta semana. sobre um alcance do imenso céu de Lisboa, palavras que registam 'o campo não imaginário'.

'estou aqui para a transformação'.
eu assino por baixo.

29 outubro 2010

Absolut Lisbon



ontem foi lançado no Clube Ferroviário a tão sempre desejada nova garrafa da Absolut Vodka. numa edição especial 'Glimmer' Lisboa sempre poderosa numa versão 'aqui e agora'. quase que me atrevo a imaginar qualquer inspiração nos nossos copos da Marinha Grande. explore mais luz transversal aqui.

28 outubro 2010

é o D'Oliva



lembram-se da minha frase controversa, que em termos de restaurantes o querido Porto dá mais cartas do que Lisboa? pois bem, ontem andei a explorar o D'Oliva, que mesmo não tendo o tamanho fascinante de Matosinhos, promete animar os dias e as noites da Barata Salgueiro. abre no início de Novembro e pelo que experenciei, promete trazer a inigualável energia do Norte à nossa Lisboa.

em breve numa das minhas colunas sobre a cidade.

26 outubro 2010

e tu, feita de esperança


'eu e tu, Lisboa. eu feito de praças, avenidas, becos, escadinhas e tu, feita de esperança, de olhos a brilhar. às vezes quase acredito que és demasiado nova para mim, mas, depois, falas-me que aprendeste e tenho de abraçar-te. talvez assim nos misturemos mais ainda'.


explore as exposições da Galeria de Arte Urbana da Câmara Municipal de Lisboa aqui.

24 outubro 2010

mais luz para o Mercado da Ribeira



depois do sucesso da moda Lisboa no mercado da Ribeira, uma grande notícia para Lisboa. não houve dias em que na 'movida' do Mercado de São Miguel em Madrid eu não pensasse no potencial do mercado, onde pela viagem das cores e dos aromas, me perdi em miúda tantas vezes.

na promessa de um Mercado da Ribeira mais iluminado, um bar-discoteca, uma pequena sala de espectáculos, um 'food court' com esplanada e uma área para cursos e conferências são alguns dos espaços pensados. Time Out e Aires Mateus envolvidos no projecto. será preciso dizer mais? explore aqui e aqui.

21 outubro 2010

hoje à noite libertam-se sonhos no céu de Lisboa



foi há um ano que tive o privilégio de viver a minha montra viva no Príncipe Real Live. e recebo com ternura do meu amigo alfaiate um comentário no post do escritório vivo, um ano depois.

mesmo não me envolvendo directamente na acção, continuo a trazer colados à pele os poemas de Al Berto e lançarei o meu desejo mais profundo, numa das grandes novidades do evento, os sonhos libertados no céu de Lisboa.

a explorar aqui.

20 outubro 2010

a corrida da lua II


é já amanhã que o Largo do Camões volta a ganhar vida com mais um poderoso Luna Run. depois de ter experimentado a corrida pelas ruas da cidade, sobre a suavidade de uns LunarGlide da Nike superei as expectativas do desempenho.

o trajecto que parte sempre do Largo Camões, depois de um apito, pedia-nos para 'ticarmos' o mapa das direcções no Hard Rock Café da Avenida da Liberdade, no Teatro Dona Maria II, seguido do Miradouro de Santa Catarina, Escola Nacional de Belas Artes e Bed Room antes de regressar ao Camões. e antes do percurso cumprido e em homenagem aos meus dias em terras Helénicas, não, não sabia que o nome da marca tinha sido inspirado na deusa grega Vitória. (em grego Νίκη, Níkē ou Niké, 'Vitória' era uma deusa grega representada por uma mulher alada).

os primeiros ténis de corrida desenhados exclusivamente pela Nike surgiu com uma história invulgar: Bowerman (a Nike foi fundada a 25 de Janeiro de 1964 pelo atleta Philip Knight e pelo seu treinador Bill Bowerman) andava a estudar que design deveria utilizar na sola do novo ténis e, durante um pequeno-almoço, deixou cair um waffle da sua mulher em tartan líquido (material utilizado nas pistas de atletismo). a partir daí desenvolveu uma sola com um design idêntico à textura da waffle que viria a tornar-se ideal para a prática do atletismo.

nas mágicas quinta-feiras de LunaRun, waffles nem vê-los, mas no final da corrida, que deve ser feita em menos de quarenta minutos, a picar o ponto, em pelo menos 3 moradas que abraçam o eixo da Avenida da Liberdade até ao bairro de Santos, há pizzas para todos. e uma coisa é certa, no ambiente cool construído por tantos seres humanos de rasgo, os Lunar Glide ajudam muito e em noites de lua usá-los sobre as nossas desafiantes calçadas, é no mínimo um privilégio.

18 outubro 2010

GQ l pelas ruas da cidade



O Chiado, o chef jugoslavo e cozinha do mundo
A história do chef Ljubomir Stanisic é simples. E se o 100 Maneiras no Bairro Alto já dava para muitas viagens à revolução da alta gastronomia em portuguesa, a sua passagem pelo Festival Lumière, em Fevereiro de 2010 marcou o início de mais uma jornada do chef jugoslavo à nossa cozinha. Em frente ao Teatro da Trindade, num edifico de inspiração Art Déco nasceu o Bistro 100 Maneiras. E das memórias de tons escuros do antigo Bachus e com a ajuda do esplendoroso sentido estético de Ana Trancoso e muitos dos objectos da Vida Portuguesa - que se espalham mais uma vez divinamente pelos armários antigos - o espaço homenageia a boa energia do branco. As fardas originais de Aleksandar Protic revelam uma Lisboa mais atenta à extensão do belo e se as formas são surpreendentes, o conteúdos e a simpatia de quem se move e nos serve confirma a alegria da vida humana. Nas entradas partilho com convicção o original Burek jugoslavo, uma espécie de caracol salgado de espinafres, que húmido por dentro e estaladiço por fora revela-se com a frescura contrastante do queijo de veludo branco. Com a originalidade que o nome 100 Maneiras já me habituou há ainda direito a um excelente atum braseado, irresistíveis Cascas de batata com ervas, Farinheira com a broa ou Bolinhas de bacalhau. A ementa dos petiscos sugere ainda iguarias ‘para corajosos’: Moleja com cebolas negras, Caviar do Irão, Coxas de rã, cogumelos e cebola ou ‘Pica-pau’ à toureiro. Nos principais a Marmita de peixe, o Risotto de cogumelos com camarão, as Bochechas de porco preto com puré de aipo, espargos e cogumelos shitakke ou o Borrego em pistáchio garantem as influências tradicionais. O ‘Final feliz’ é servido com um Crumble de figo e gelado, Frutas gratinadas com champanhe e outras tantas sobremesas irresistíveis leves. A mesa com janela para a Rua do Alecrim eleva a minha Lisboa à extensão do mundo e usando as palavras do chef viajante, ‘aqui sinto-me em casa’, tudo ‘o resto é conversa’.
Bistro 100 Maneiras
Largo da Trindade, 9, Chiado, Lisboa
Reservas: 91 030 7575
www.restaurante100maneiras.com

Pelo amor
Vagueava pela Bica quando tropecei no Le Petit Bistro, um café-restaurante que na versão francesa é um ‘bar à vin, cuisine traditionnelle & contemporaine’ como assinam os postais que fazem os cartões-de-visita da casa. E Lisboa cresce mais uma vez, pela visão de um estrangeiro que se deixou apaixonar pela luz da nossa cidade. Atrás do seu sonho, Pascal Chesnot move-se sorridente e se por momentos recordo os seus dias no bairro Alto, por trás do Les Mauvais Garçons, hoje testemunho pelas suas palavras que ‘Lisboa é a cidade do futuro’. Acrescenta ainda a certeza de ‘uma capital europeia, em tamanho mais pequeno e onde está tudo por acontecer. Ainda a importância das pessoas e a beleza do mar, por quem um dia abandonou Paris’. São palavras que me engrandecem, enquanto abraço a ternura de mais uma história de amor pela minha cidade. O espaço devia inspirar outros tantos, pela celebração de uma luz perfeita: muitas velas sobre as mesas espalham-se por um ambiente acolhedor, inundado de peças vintage. Na morada da Rua do Almada pode-se almoçar (há menus especiais a €8,5), jantar ou petiscar as escolhas do chef, que se exibem num enorme quadro de ardósia enquanto as palavras escritas homenageiam as pontas dos dedos. Tábuas de queijos, Creme de batata-doce, Gaspacho (um dos melhores de Lisboa), Salada de cuzcuz com legumes grelhados, Lasanha de rúcula e salmão, Cassoulet de pato, Polenta com legumes assados ou a especialidade de Almôndegas com pistáchios e arroz de laranja. Nas sobremesas o aclamado Petit Gateau, o Strudel de maça ou a Panacota com pesto. Na extensão dos vinhos da semana, o chá de violette ou de menta com bergamota compõe a morada alternativa que também sugere brunchs até às cinco da tarde, compostos de vários tipos de pão, queijos e enchidos, bolos, fruta, sumos, café ou chá e ovos mexidos. Os sabores inovadores são servidos por um extremo entusiasmo, num bairro onde entre esquinas escondidas, me surpreendo com mais uma descoberta apaixonante na minha cidade.
Le Petit Bistro
Rua do Almada, 29 Bica, Lisboa
Tel. 21 346 1376
www.le-petit-bistro.pt

Um chef sublime
Muita tinta tem corrido sobre a Assinatura do chef Henrique Mouro, que depois da escola Aimeé Barroyer encaminhou muitos curiosos para o Le Club, em Vila Franca de Xira. A sua nova morada perto do Largo do Rato foi uma das minhas escolhas do Lisbon Restaurant Week. E apesar dos design de interiores do restaurante terem-me surpreendido infelizmente pelo motivo menos brilhante – falo da decoração, da qualidade dos tecidos, da iluminação ou do desnível da altura dos assentos entre o sofá corrido e as suas opostas cadeiras - aceitei rapidamente todos os merecidos elogios: um serviço que me deixou estupefacta por tanta simpatia e o melhor e mais bonito Bacalhau à Gomes de Sá de sempre.
Assinatura
Rua Vale do Pereiro 19, Rato, Lisboa, Portugal
www.assinatura.com.pt
Tel. 21 386 7696
www.assinatura.com.pt

'a room with a view'



'but a new batch of hotels in Europe appeals to a high-minded psychographic, doling out the keys to local culture related to literature, art, theater or history - both in their designs and in their locations. whether it is Stalin-era art and architecture, Portuguese music, Turkish history, Parisian literature or the London stage, if you’re bound for Europe for culture, check-in at one of these newcomers affords instant access'.

mais Lisboa no New York Times aqui. em breve numa das minhas páginas sobre a cidade.

nas minhas e nas tuas mãos

sem título

15 outubro 2010

falemos de casas


falemos de casas como fala da sua alma,
entre um incêndio,
junto ao modelo das searas,
na aprendizagem da paciência de vê-las erguer
e morrer com um pouco, um pouco
de beleza.

a Trienal de Arquitectura começou ontem a promete reabilitar as mentes da cidade. o tema: 'falemos de casas', um título transpirado de um poema de Herberto Helder, para ‘falar da casa nas suas inúmeras vertentes, na sua vernaculidade e nas suas poéticas, no habitar de um lugar’, tratado de formas diversas em três exposições no Berardo, no Museu do Chiado e no Museu da Electricidade. Ainda a conferência internacional que trará à nossa estrondosa Lisboa algumas das mais importantes figuras da arquitectura contemporânea. a explorar aqui e aqui.

14 outubro 2010

a corrida da lua



se me virem hoje à noite a correr pelas ruas do Bairro Alto, não, não estou atrasada atrás do eléctrico 28, mas antes a participar no LunaRun da Nike Running Portugal.
o encontro é as oito e meia no Largo Camões, a sugestão é explorar a cidade nas pernas de um viajante a bordo da velocidade.

conceito nos filmes de Lisboa e Londres aqui e aqui.

13 outubro 2010

sobre a música divina de Herman Hesse



ainda sobre os Gémeos, ou sobre o privilégio dos ramos que me estendem a um ser maior,
o correr das águas, a passagem das nuvens, o sangue nas veias,
o brincar das crianças.


mais aqui.

11 outubro 2010

Moda Lisboa in the market



mais perto de um projecto que orgulha qualquer cidade europeia, atiro pétalas à ideia da Moda Lisboa in the market. e na extensão dos homens luz, as minhas escolhas, nas criações que estendem Lisboa a movimentos femininos.










07 outubro 2010

A cidade na ponta dos dedos l No voo da criatividade



Uma morada que estende as asas à criatividade, a rendição de Igor Martinho à brisa de Cascais e a assinatura Putman na nova linha de acessórios do café que tanto elogia as cidades.

O Chiado Voa
A ideia é da marca de têxteis Guimarães, que depois de ter aberto a sua loja pioneira no Funchal renovou uma loja no coração do Chiado. A Voa estende-se em dois andares de estética escandinava, onde se podem comprar têxteis para a casa, ambientadores, cosméticos como os recém lançados produtos da Antiga Barbearia de Bairro, uma secção de livros da editora Taschen, muita loiça portuguesa, os originais móveis recuperados da TrashChick, ou produtos gourmet como os chocolates de pétalas de Rosa da Bovetti ou o Chutney de Abóbora das Penhas Douradas. Há ainda direito ao perfume da Flor, uma área reservada às famosas flores dos irmãos Piano e para rematar o conceito transversal, cada vez mais presente nas nossas cidades é ainda possível tomar um chá ou um Nespresso, com promessa futura de scones e bolos.
Voa
Rua Nova do Almada, 96 Lisboa
Tel. 21 342 7097
www.voastore.com
Seg a Sáb 11h -20h

O Chefe do Ano abraça o Atlântico
Pode ser invulgar por ser um restaurante na Marina de Cascais, mas além da vista sobre os barcos e a sua extensão ao mar, o restaurante Hemingway apostou no mais novo de sempre Chefe do Ano, Igor Martinho. Renovado à sua medida, todos os pormenores foram pensados para se viver uma experiência única. Como ditam as sugestões elevadas, ‘Alheira de caça sobre sigos estufados e redução de vinho do porto’, ‘Robalo crocante com compota de pêra e tomate migas de batata e creme de alho francês’ ou ‘Lombinho de vitela branca com molho de sepes e puré de batata violeta’, não deixe ainda de provar o aclamado ‘Bolo de chocolate de caramelo com gelado de morango e doce de frutos vermelhos’.
Hemingway
Marina Cascais, 58 - 1º Cascais
Tel. 916 224 452
www.hemingwaycascais.com
Todos os dias 15h – 03h

Nespresso Ritual Collection
Criada por duas grandes senhoras do design francês - Andrée e Olivia Putman – a colecção da nova linha de acessórios Nespresso combina o design elegante com a arte da degustação. O design simples revela-se nas chávenas através da essência de cada Grand Cru e na simbiose do formato icónico da cápsula Nespresso com a loiça tradicional. Concebida em porcelana ligeira, a missão é preservar de forma perfeita o calor do café, enquanto o seu fundo côncavo caracteriza o design da chávena. A juntar a vários acessórios, destacam-se também as colheres para mexer o aveludado e cremoso creme Nespresso.
Nespresso
Rua Garret, 8 Lisboa
Norte Shopping, Loja 0448 Porto
Encomendas 800 260 260
www.nespresso.com
Chávenas Ritual €16
Colher Ritual (conjunto de seis) €15

cem por cento biológico


de passagem pelo Quinoa que todos os dias fabrica no Chiado o melhor pão de Lisboa, a retenção na parede branca.

'cozinhar não é um serviço, meu neto, disse ela.
cozinhar é um modo de amar os outros.'

03 outubro 2010

love is a temple

não apenas por ser uma das mais magnânimas bandas vivas do Mundo, mas por todas as causas onde Bono se envolve. sou addicted da versão com a Mary J Blige, mas nada disso importa agora. são momentos de intensidade que confirmam o pivilégio de estarmos vivos.

02 outubro 2010

where the streets have no name

where the streets have no name,
we're still building.

U2 em Portugal. é hoje.

01 outubro 2010

PersonalTime Newsletter | Outubro 2010



Na chegada do Outono dourado, a PersonalTime sugere-lhe a descoberta de um restaurante de ambiente escandinavo no Porto, uma massagem para renovar a pele depois do Verão, as novas tendências da linha de cosméticos da M.A.C., ou um serviço que não vai deixar ficar mal os nossos membros em dias de festa. Ainda as extensas palavras de João Tordo e nas nossas sugestões culturais uma agenda que passa por ‘apanhar um eléctrico’ até ao Teatro Dona Maria II, ou pela beleza de Grace Kelly em Londres. Ainda os anos setenta de Paula Rego, as obras de Victor Willing apresentadas em Portugal pela primeira vez, na Casa das Histórias, as memórias de Duarte Amaral Netto, a poesia de Natália Correia e a mais recente morada do Porto, o sofisticado Hotel Teatro que se inicia num poema de Almeida Garrett.

mergulhe na PersonalTime aqui e explore a newsletter deste mês aqui.

é o novo Hotel da Estrela



já está bastante adiantado o novo Hotel da Estrela do grupo Lágrimas, na Rua Saraiva de Carvalho, (bem antes de chegar ao lindo edifíco do antigo Liceu Machado de Castro). ainda em acabamento, ontem abriu as portas para o primeiro aniversário da Edit Mag. pelo que senti, promete estender esta parte de Lisboa, tantas vezes esquecida, a uma vida mais ao estilo do que tanto se procura no Chiado. aguardemos.

30 setembro 2010

sem título

no privilégio do tempo raro



trâsito lento. muito lento. manifestação no Marquês.
paciência projectada no tempo raro.
espaço (finalmente)
para apreciar as intervenções dos Gémeos e do Sam 3 na Fontes Pereira de Melo.
parar.
privilégio.




28 setembro 2010

GQ l pelas ruas da cidade



Numa homenagem ao Atlântico
Na calçada onde há espaço para mais estrelas, o Kampai (em português ‘à nossa’) anda a tornar Lisboa mais cadente. Numa homenagem às dádivas do Atlântico, o novo restaurante japonês eleva-se ao capricho de servir peixe apanhado nas águas do Açores. O empenho da distância estende-se também à raridade das espécies por terras continentais, através do atum selvagem, o veja, o peixão, a lula gigante, abrótea, ou o lírio. Já apelidada como cantina de eleição dos que todos os dias trabalham na Assembleia da República, a qualidade dos peixes movem lisboetas de todas as colinas. E se a simpatia de quem nos serve me deixou vontade de voltar muitas vezes, a mestria do chefe João Soeiro - com um percurso que passou pelo Assuka ou pelo aclamado Aya - confirma a excelência dos sushi’s da cidade. Nas minhas escolhas partilho os temakis tradicionais longe de queijos cremes, o sashimi de lírio Hammachi, ou o surpreendente e saboroso prato especial Oyakudon (frango com camarão, legumes e ovos sobre um delicioso arroz japonês). A cereja do fim do bolo vem em forma de chá verde (matcha) na opção rara de poder ser acompanhado de aveludado feijão azuki. Na impossibilidade da perfeição o Kampai não se eleva na assertividade da iluminação do espaço, que peca pela luz a mais num ambiente que ganharia bastante umas quantas velas sobre as mesas. E enquanto lanço o desafio de um reóstato para um pormenor fulcral à perfeição numa sala de jantar da minha Lisboa, retenho-me no amarelo viajante dos eléctricos que lá foram acompanhavam a cidade.
Kampai
Calçada da Estrela, 37 Lisboa
Tel. 213 971 214
www.kampai.pt

Pela sombra das árvores
Digno das ruas do eléctrico 28, uma antiga loja de balanças honra a magnificência da lateral esquerda da Sé de Lisboa. Bonito de dia, mas elevadamente cénico à noite quando as luzes das ruas da cidade se espelham no reflexo das paredes douradas, o Cruzes Credo Café acompanha os ritmos no dia na opção de pequenos-almoços, refeições leves, lanches ou petiscos sem hora. Mais do que qualquer crítica gastronómica - pretensão que nunca tive por estas linhas, já que o me move é a energia das cidades - agradeço aos quatro amigos que se lembraram de salvar o espaço abandonado, com a responsabilidade de um contributo valioso na dinâmica que oferecem às ruas da Sé de Lisboa. Para experimentar o já famoso hambúrguer, a ardósia na parede oferece escolhas despretensiosas: pastelaria portuguesa, bolos caseiros à fatia, saladas, tostas ou petiscos. Qualquer que seja o pedido possível apenas no balcão, o privilégio da beleza estende-se nos interiores cénicos dignos de um filme de Wong Kar Way: candeeiros de luz ténue, janelas de guilhotina, e um chão recuperado que inundam de orgulho os passos mais sólidos. E enquanto a noite cai numa longa tarde estival, a fusão da morada onde não há espaço para sacrifícios, estende-se ainda a uma esplanada, onde envolvida pela sombra das árvores soltam cruzes sem pecado.
Cruzes Credo Café
Cruzes da Sé, 29
Alfama, Lisboa

A Paragem Contínua
Com todo o fascínio que os cais das estações têm na minha vida, o Clube Ferroviário é mais uma carta alta de Mikas, o homem a quem esta cidade deveria dar uma medalha pelo que fez pela Bica. Num terraço que abraça o Tejo há bebidas em noites quentes, petiscos servidos pelo Magnólia, com a sabedoria que para fazer bem nesta cidade basta não mexer muito. Depois vêm as pessoas e nesta paragem obrigatória, limito-me a agradecer por provocarem não apenas noites dançantes numa morada que apaixonou o Verão de Lisboa, mas também o estímulo do ‘drink after business’ de que esta cidade tanto precisa.
Clube Ferroviário
Rua de Santa Apolónia nº 59
Lisbon, Portugal, 1100
Tel. 21 815 31 96 (a partir das 17h)

publicado na GQ de Outubro de 2010

Porto, a cidade que incendeia


‘seus olhos – se eu sei pintar o que os meus olhos cegou – não tinham luz de brilhar, era chama de queimar; e o fogo ateou vivaz, eterno, divino, como facho do destino. divino, eterno! – e suave ao mesmo tempo: mas grave e de tão fatal poder, que, um só momento que a vi, queimar toda alma senti… nem ficou mais de meu ser, senão a cinza em que ardi’.




Com as intensas palavras de Almeida Garrett regresso ao Porto feliz pelas futuras descobertas. E quando o escrevo não o faço apenas por ser mais uma das nossas mais bonitas cidades, mas porque sempre que toco o postal do Porto apaixono-me de olhos abertos pela proximidade das margens do rio, ou por um dos finais de tarde mais bonitos do mundo.
Numa das ruas mais interessantes da Baixa Portuense, onde se exibe o café da Brasileira e depois de cento e vinte e dois anos do incêndio no desaparecido Teatro Barquet, o Hotel Teatro que ocupa o mesmo espaço estende a Rua Sá da Bandeira a um acto onde os panos se abrem ao primeiro design hotel da cidade e a um Porto cada vez mais extraordinário. Altivo, o projecto arquitectónico tem um traço contemporâneo sem ferir a estética dos edifícios da Baixa e os interiores intimistas a cargo da sempre surpreendente Nini Andrade Silva, preservam a alma de uma morada que homenageia o mundo do espectáculo. E na importância de que as cidades serão sempre as pessoas, o Hotel Teatro recebe as minhas palmas pela equipa, que mesmo com setenta e quatro quartos, não se desprende da missão do acolhimento familiar e a simpatia que se move vestida de tecidos fluidos. O restaurante ‘Palco’ candidata-se a ter o mesmo movimento que em Lisboa encontro na Brasserie do Hotel Tivoli ou no Flores do Hotel do Bairro Alto. E com a mais-valia de um restaurante que já conquistou o centro da cidade, o hotel ilumina-se em detalhes deliciosos, ao lado do poema de Garrett gravado na porta de entrada: o ‘lobby’ lembra-me antigas bilheteiras de cinema e o imponente espelho de do lavabo da recepção transportam-me a um espelho de camarim. Divididos em Gallery, Tribune, Audience, Suite Junior ou Suite, destaco os trinta e sete metros quadrados do Audience pela dinâmica estética do quarto e as suites onde banheiras com pés sugerem banhos espectaculares. O Hotel tem ainda um ginásio com uma vista agradável para as ruas da cidade e um terraço situado no coração do edifício, que além de ser mais uma homenagem à natureza artística do hotel, elevam a expressividade do teatro. Numa morada onde vale a pena pagar para ver e sentir, o Hotel Teatro não é nada menos do que mais ‘um fósforo para o milagre do fogo’, numa cidade onde me sinto sempre incendiada.
Hotel Teatro
Rua Sá da Bandeira, 84 Porto
Tel. 220 409 620
http://www.hotelteatro.pt/

‘A cidade também nos constrói e nos dá sentido’
Incendiada ainda pela estética e pela poesia é agora urgente descobrir o Porto, uma cidade que me fascina pelo entusiasmo assertivo e ambicioso, na construção de espaços sempre tão singulares. Estou em cima da hora para almoçar com o amigo senhor, que em tempos entrevistava por estas páginas e na correria das saudades chego a tempo à acolhedora Taberna do Bonjardim, na rua do mesmo nome.


Caixas de vinho em madeira a revestir a parede, pratos pendurados, cores, quadros e candeeiros a evocar outras épocas, ou escritos a giz sobre lousa, acompanham a variedade de petiscos caseiros num serviço que demorado se revela compensadoramente atencioso, não estivéssemos nós na terra da simpatia.
Solto-me de seguida pelas ruas da cidade e consigo finalmente entrar na Casa de Ló na Travessa da Cedofeita. Com tantas tentativas passadas de a encontrar aberta, jamais estaria preparada para a desilusão da viagem, ao descobrir um potencial imenso entregue ao desmazelo das vitrinas, à falta de produto ou ao ar sujo da apresentação da loja. Um espaço soberbo e carismático onde se pode comprar o mítico Pão-de-ló da Casa Margaride, distraiem a minha exigência pelas nossas queridas cidades e fazem-me oferecer os meus gratuitos serviços de consultoria, em proveito de gestos tão simples como elevar ao máximo um espaço que tem para ser extraordinário. Saio triste e no mergulho nas minhas notas e destinos procuro ansiosa a esquina da Rua da Conceição com o Largo Mompilher. Encontro o Café Candelabro, que nasceu num antigo alfarrabista e que em homenagem à vida do meu pai dedicada aos livros, me devolve as emoções felizes ao deliciar-me com o chão preservado, os livros espalhados pelo café ou as montras muito bem conseguidas, onde máquinas de escrever glorificam o nome do meu blog.



Cheio de portuenses que relaxam e gozam o ‘wireless’ oferecido entre torradas e compotas, cadeiras vintage, estantes com livros de fotografia, cinema, teatro ou artes plásticas fazem-me beijar de coração cheio a magia do Porto.
Na continuidade da elevação das palavras, elevo-me no testemunho de Helder Pacheco, no Café 3C.E se ‘o Porto, cidade, somos nós, as pessoas, (mais a nossa cultura, que construiu e lhe deu sentido), a cidade somos nós, com a memória que dela mantemos e a asa de futuro que queremos para ela’.


Rendo-me assim a uma cidade profunda e cosmopolita, onde um restaurante bar se revela através de antigos contentores de carga e frases soltas nas paredes. Marco o encontro sempre obrigatório com a Livraria Lello na Rua das Carmelitas e por boa energia apanho aberto a meio da tarde o bar ‘Era uma vez no Porto…’, que no meio de livros e paredes forradas a papel revelam uma prometedora atmosfera alternativa.


Ainda à procura da memória de outros tempos, desloco-me agora para o primeiro andar do número vinte da Rua Galeria de Paris, para descobrir o que a Catarina Portas fez por cá. Linda a loja como seria de esperar (obrigada Catarina pela mestria com que propões o carisma de Portugal ao mundo), saí determinada a escrever nestas linhas, a minha opinião sobre os Armazéns Fernandes Mattos, que antecedem o rés-do-chão e são passagem obrigatória à Vida Portuguesa.



Não sou complacente com a fraca escolha de selecção do artesanato e com toda a ousadia atrevo-me a sugerir que ofereçam de bandeja o vosso piso térreo à loja de cima. Tenho dito. Haja então ainda tempo, para tratar da minha irritação no Café da Galeria de Paris enquanto se toca piano ao vivo. Somos poucos a esta hora do dia e talvez por isso as velharias e brinquedos que se exibem nas vitrinas do café bar (que é já uma cartão-de-visita do Porto) me transportam a uma viagem por momentos sem regresso: esta cidade é um espanto.


Na procura de mais beleza e na direcção do bairro da arte ganho a viagem, quando descubro que a Rota do Chá ocupa agora o edifício todo ou que as roupas do Quarto de Cima trocaram o primeiro andar da Casa Almada pelo bairro da Miguel Bombarda.





Ainda a tempo de acompanhar esta cidade onde a cada bom dia me chamam de ‘menina’ remato com chave de ouro na Ribeira, com um jantar descontraído no Pimm’s. A espontaneidade de uma cidade do mundo recorda-me os meus três anos de vida em Amesterdão quando uma mesa de holandeses pergunta-me pelo Porto oferecendo-lhes a sorte grande.


Abandono o cenário da cidade, num restaurante com um serviço raro nos dias de hoje, onde o ambiente de brancos escandinavos e um bacalhau com broa extraordinário me confirmam a gratidão de voltar muitas vezes a esta cidade. Despeço-me com saudades das românticas gaivotas nos Aliados e na eloquência das palavras de Pacheco memorizo que ‘a cidade é um grande, um vasto objecto das emoções dos sonhos, ternuras e desesperos que fazem a vida. Um lugar onde nascemos ou vivemos, a cidade também nos constrói e nos dá sentido e por isso deveria ser cuidada (…) com amor’.
No caso do Porto, não há margem para dúvidas.

moradas
3C Café Club
Rua Cândido dos Reis, 118 Porto
Tel. 222 018 247
www.clube3c.pt
A Vida Portuguesa
Rua Galeria de Paris 20, 1º Porto
Tel. 22 202 2105
www.avidaportuguesa.blogspot.com
Café Candelabro
Rua da Conceição, 3 Porto
Tel. 96 698 4250
www.cafecandelabro.com
Casa de Ló
Travessa de Cedofeita 20A, Porto
Era uma vez no Porto…
Rua das Carmelitas, 162, 1º Porto
Tel. 222 022 240
Galeria de Paris
Rua Galeria de Paris, 56 Porto
Tel. 934 210 792
Pimm's Café Restaurante
Rua Infante Dom Henrique, 95 R/C Porto
Tel. 222 015 172
www.pimms.com.pt
Quarto de Cima
Rua do Rosário, 154 Porto
Tel. 222 010 149
Rota do Chá
Rua Miguel Bombarda, 457 Porto
Tel. 220 136 726 / 914 394 027
www.rotadocha.pt
Taberna do Bonjardim
Rua do Bonjardim, 450 Porto
Tel. 222 013 560

27 setembro 2010

é o novo bistro do 100 Maneiras



abriu a porta na semana passada, na morada do antigo Bachus e confesso que pelas memórias do meu Chiado antigo ou pela homenagem à cidade que deve ser contínua, estou muito curiosa sobre a transformação. chama-se Bistro 100 Maneiras e na extensão do talento de Ljubomir Stanisic 'comemora a democracia à mesa'.

em breve numa das minhas colunas sobre a cidade.

a certeza mais pura



é sempre sublime pisar o chão do Mosteiro que me deu o nome. mais do que assistir à fragilidade da morte lenta de um pai, que dedicou a vida a juntar os livros da Ordem de Cister (em tempos saqueados desta morada), os dias tornam-se mais claros, no dia em que fico responsável pela alma de mais um ser humano da minha árvore de vida.

e perco as palavras ao caminhar sobre as pedras iluminadas, onde estéticas depuradas homenageiam a certeza mais pura.
a vida é. tem sido. generosa.

25 setembro 2010

no elevado sentido de existência



não me surpreendo. mesmo sentindo-me sempre magnânima entre as cidades é ligada à natureza que limpo 'a morte dos dias'. e enquanto esgravato a terra das Beiras, não apenas com as pontas dos dedos, mas com as mãos abertas - ligada ao universo - sinto a morada onde tudo começa. a humidade escorre-me entre os dedos e o aroma impossível em cidades atlânticas, estende-me a certeza do tão elevado sentido de existência.

hoje, 'tudo me prende à terra onde me dei'.

22 setembro 2010

'se me puderes ouvir'



O poder ainda puro das tuas mãos
é mesmo agora o que mais me comove
descobrem devagar um destino que passa
e não passa por aqui

à mesa do café trocamos palavras
que trazem harmonias tantas vezes negadas:
aquilo que nem ao vento sequer
segredamos

mas se hoje me puderes ouvir
recomeça, medita numa viagem longa

ou num amor
talvez o mais belo.