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29 setembro 2009

o amor puro



sendo a coragem uma das qualidades que mais admiro no ser humano, não posso deixar de estender a exigência do amor puro, com o testemunho de um dos monólogos mais sublimes da história do cinema. Mesmo numa língua que não resgata o meu lado mais alado, nas Asas do Desejo de Wim Wenders, as imagens testemunham que só não cai quem não vive. A praça está cheia de gente que deseja o mesmo que nós, mas no final da história apenas a não "prostituição por migalhas" e a nobreza da espera, elogiam o amor. o mais puro.

'Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso”dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também'.

O Elogio do Amor, Miguel Esteves Cardoso

próxima estação l ali onde acaba a terra


Um título que homenageia um poema de Garrett, mas também o agradecimento à casa das histórias de Paula Rego, com um Museu que orgulha o caminho da pintura portuguesa. Ainda um sushi muito familiar e a oportunidade de dormir em cima de uma árvore, num dos jardins mais desejados da cidade.

28 setembro 2009

message in a bottle or time to drop

26 setembro 2009

na pura congelação do tempo







na pura congelação do tempo,
habito o Palácio Belmonte.

escolhido para o segunto aniversário da TimeOut Lisboa,
a emoção do regresso a um dos cenários,
do Lisbon Story de Wim Wenders
e o agradecimento a uma edição
que tanto tem feito pela energia da minha cidade.

ainda a genialidade do algodão doce
e a vontade de te partilhar tudo isto.

24 setembro 2009

Wallpaper Atenas l jornal i


hoje nas bancas, online aqui.

23 setembro 2009

GQ l Pelas ruas da cidade



A segunda casa
Em descanso numa das chaise longues da Malhadinha e com o poderoso silêncio do campo, memorizo as palavras de um dos divãs de Goethe: as palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade. A morada é inspiradora e foi uma das boas surpresas deste Verão. A pouco tempo de Beja, o paraíso alentejano é um testemunho vivo de um sonho. A perseverança da família Soares - proprietária da herdade - é conhecida por colocar toda a paixão nos mais pequenos detalhes, como se pode comprovar nos rótulos dos vinhos da herdade, todos desenhados pelas crianças da família. A juntar aos apetecíveis vinhos da Malhadinha, o hotel que é uma casa de campo, explora o conceito country chic, onde candeeiros Mariano Fortuny ou Philipe Starck contrastam com o azul anil e os vários tons de branco. Mas o melhor de tudo, o silêncio e as pessoas. A serenidade da Cláudia, a energia da Catarina, a disponibilidade do chefe Vítor Claro que com a ajuda de André Pires e da D. Vitalina Santos – para os petiscos mais regionais - nos conquista pela qualidade espantosa do restaurante instalado na Adega. Mais do que um hotel muito apetecível, uma casa onde somos recebidos como amigos. Os de sempre.

Para além de um nome
O nome do restaurante num dos bairros mais emblemáticos da cidade não me atraía, confesso. Mas caprichos pessoais à parte – por ser uma amante da língua portuguesa e também decepcionada pelos muitos Residense’s e Palace’s que inundaram o nosso país - sempre que descia a São João da Mata observava mas não entrava. Hoje reconheço que além do nome, a primeira sala do restaurante me intimidava. E hoje peço-me desculpa por não ter elevado a curiosidade. É que por trás da primeira sala existem mais duas: uma segunda mais acolhedora e uma terceira que me conquistou pela parede de ardósia. A fama da melhor focaccia de pêra da cidade compensou em medidas largas o meu preconceito. A cozinha, está a cargo de Alessio Carrer, um italiano nascido em Caorle - na província de Veneza – um chef que trabalhou num restaurante em Nova Iorque com os proprietários, André Cristóvão e Liana Pinto. A carta tem uma base puramente italiana, de estilo mediterrâneo, mas com raízes que elevam a tradição e costumes da província veneziana. Nas conquistas: o couvert, pela variedade do pão com destaque para o de centeio, as pizzas cozidas em forno a lenha, finas e estaladiças. Na categoria das massas e dos rissotos a originalidade é palavra de ordem, mas a minha rendição partilha os Gamberoni alla Triestina, umas gambas descascadas, salteadas em azeite aromatizado com manjericão e flamejadas com conhaque e vinho branco. O prosecco pode ser servido a copo e nas sobremesas destaco o Tiramisú. O serviço é perfeito. Aceitando o Sofisticato, como um restaurante do Mundo na minha cidade, ainda as palavras de Voltaire: os homens erram, mas os grandes homens confessam que erraram.

Do Norte da Sumatra
Com um aroma refrescante de groselhas negras com toranja e suaves notas amadeiradas que recordam alcaçuz e plantas coníferas, o Singatoba, rico e encorpado com um leve toque de acidez é o tão esperado Special Club deste ano. Pertencente à linha dos Grands Crus de qualidade premium, a variedade da safra limitada Arábica Blue Batak é oriunda da região do Lago Toba do norte da Sumatra, na Indonésia. Mais uma dádiva Nespresso para a energia dos viajantes da cidade.

luxing green ray







video

22 setembro 2009

o beijo perdido



quando abraço a obra de Almodóvar, elevo-me na sublimação das composições de Alberto Iglesias. Da banda sonora de los abrazos rotos, a partilha do tema del amor ciego e ainda werewolf da poderosa Cat Power.





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20 setembro 2009

190909



este é o paradoxo do amor entre o homem e a mulher: dois infinitos encontram-se com dois limites. dois infinitamente necessitados de ser amados, encontram-se com duas frágeis e limitadas capacidades de amar. e é só no horizonte de um amor maior que não se devoram em pretensão, nem se resignam, antes caminham juntos até uma plenitude da qual o outro é sinal.

Rainer Maria Rilke

na morada onde habita o desejo do beijo lento e ainda abraçada à poesia de Auden,
ou amamos ou morremos.

16 setembro 2009

μετά από την Αθήνα



depois do abandono da morada, amo secretamente
os silêncios puros.
a consistência de um reconhecimento, hoje mais livre,

enquanto a cidade arde lá fora.

14 setembro 2009

gosto disto


Imagine uma estrada feita de painéis solares, que se adapta às condições do trânsito e onde as pinturas são substituídas por pequenas lâmpadas led, que têm a vantagem de manter a estrada iluminada durante a noite. Ainda a permissão da estrada derreter neve e gelo, para tornar a condução mais segura e a possibilidade de os veículos eléctricos se auto-recarregarem à medida que viajam nestas estradas, reduzindo assim a necessidade de grandes baterias e permitindo uma autonomia muito maior.
continue aqui

manafon

fanático com vários anos de adoração, o meu irmão de sangue - um alfarrabista habituado a correr em busca de "obras primas" - encomendou o kit completo da nova obra, de David Sylvian.

libertado hoje para as ruas partilho a minha "expectância" e a excepção do video.

PersonalTime | Edição 5 | Set 2009



De volta à cidade, uma newsletter num formato melhorado, para que também ao nos ler não perca tanto tempo. Usando as palavras da ExperimentaDesign, um dos destaques da nossa agenda de Setembro, afinal it’s all about time. Como é que pensamos o tempo hoje em dia? Como uma experiência subjectiva ou um conceito socialmente definido? Um bem de luxo ou uma moeda de troca básica? De certa forma, tudo nas nossas vidas se prende com o tempo, trata-se de um recurso essencial para qualquer pessoa ou actividade. Valorizamos o tempo, poupamo-lo, gerimo-lo, combatemo-lo. Para uns o tempo parece nunca chegar, para outros o tempo sobra.
para continuar a ler aqui.

mais sobre a PersonalTime aqui.

10 setembro 2009

experimenta II



amo devagar os amigos que são tristes
com cinco dedos de cada lado.
os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.

não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.

temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
de paixão.


Herberto Helder

experimenta















08 setembro 2009

A cidade na ponta dos dedos l na extensão das palavras



clique na imagem ou se é assinante aqui.

Experiências pelos sentidos onde os fins de tarde inspiram à poderosa reflexão das palavras e ainda um objecto de design inovador, que elogia a beleza da escrita.

Florença sedutora
O Hotel Continentale tem uma localização espantosa. Literalmente a dez passos da Ponte Vecchio, apresenta um estilo muito jovem e sedutor, com pequenos detalhes dos anos cinquenta, e contempla uma suite de tirar a respiração. O último andar é favorecido por um terraço, onde se pode gozar uma das mais fascinantes vistas sobre a cidade, privilegiado com uma luz que apenas existe nos mais poéticos fins de tarde.

O génio e a cidade
A pensar nos mais ousados viajantes da cidade, o chefe Henrique Sá Pessoa criou um conceito original e que mais uma vez testemunha a sua criatividade. A experiência dos cinco sentidos elogia as melhores vistas da capital: na mesma noite e em privado, uma vista deslumbrante com um drink after business no último andar do Ritz Four Seasons, um jantar no Alma — o seu restaurante de assinatura — com final feliz na varanda do Hotel do Bairro Alto. Sempre em lugares fora do habitual, e enaltecendo não apenas os cheiros e as fragrâncias, mas também as sensações, a experiência revela-se espontânea e vivida em rara intimidade. Genial para uma data especial em família, com amigos, ou para eventos corporativos.

Carbono Zero
A nova linha Móvelpartes da Sonae Indústria merece aplausos. Com criação dos portugueses Miguel Vieira Baptista, Atelier Pedrita e dos espanhóis Lagranja, a parceria com CarbonoZero contou com a direcção estratégica de Guta Moura Guedes. Fabricados em aglomerado de madeira e reaproveitando o subproduto de outros processos produtivos, os kits Make it Better utilizam embalagens especialmente concebidas para minimizar o espaço ocupado e optimizar o transporte. Não têm desperdício de matéria-prima na fase de produção e são montados pelo próprio cliente. O design é inovador e a funcionalidade aliada à sustentabilidade são concebidos a preços convidativos, com um reconhecido efeito nulo no clima.

publicado na Revista Única do Expresso a 5 de Setembro 2009

table book


a montagem não tem a melhor escolha sonora do Mundo,

mas os registos de Franscesca Woodman são soberbos.

07 setembro 2009

pintura habitada

ando em círculos, os ciclos voltam.
o trabalho nunca está completo, tem que se voltar a fazer. o que me interesa é sempre o mesmo: o espaço, a casa, o tecto, o canto, o chão; depois o espaço físico da tela, mas o que eu quero é tratar emoções.
são maneiras de contar uma história.

Helena Almeida

04 setembro 2009

cidade maravilhosa

eu que escrevo sobre cidades, depois de tantos países transporto este pecado (confesso enquanto me chibato) no meu Passaporte.
hoje, rendida também às palavras que tanto vendem a sua fama, deixo nestas linha a certeza da próxima paragem.

A mais bonita do Mundo? Logo vos direi.

01 setembro 2009

tram station, o recomeço



as mudanças servem para evoluir.
e por momentos encontro-me numa estação de Lisboa
à espera de mais uma viagem.

para homenagear a melhor meia hora semanal dos últimos dois anos,
a partilha de um dos momentos luminosos, na descoberta de Lisboa.
(ainda a tempo de visitar até 30 de Setembro. mais aqui)

Ao longo da muralha
É ao longo da muralha que habito, que me escondo nas palavras. Nas palavras, nos poemas que me devolvem a beleza entre os sons e os sentidos. Chego de mãos vazias, e com a pele dourada tento recolher o fugitivo ouro dos dias. Escrevo no muro me acompanha a frase de Gabriel Celaya, a poesia é uma arma carregada de futuro.
As promessas esperam por mim, frágeis, acesas e as palavras de hoje, partilho-as na estação do cio, como um segredo. O mais puro.

O mapa do amor
O Futuro é sempre próximo. Da ponte sobre o Tejo vejo que a sofreguidão pela frescura do mar flui sem espera, mas não hesito: a selecção de António Pinto Ribeiro merece que a brisa do mais vivo jardim da cidade, me roube um mergulho no Atlântico. Ao longo de 80 metros, os poderosos jardins da Fundação Gulbenkian erguem-me à visão da refulgente poesia. A iniciativa do programa Próximo Futuro que se dedica às novas gerações criativas da Europa, América Latina (e Caraíbas) e África, deita-me num dos almofadões de cores rasgantes que se espalham pelo percurso. Por instantes oiço as estrelas a dizerem tsau, e recomponho o mapa do amor, nos corpos desconsagrados. Deixo-me reconquistar pelas árvores de Manuel de Barros, rendo-me à doçura da vida de Sophia. E porque estamos na estação do cio, deixo-me atravessar o limiar de olhos fechados. Hoje a cidade está aqui para mim.

Acende-te poesia
Lisboa invade-se pelo silêncio. O silêncio das palavras eloquentes, no sentido de promover novas tendências artísticas e urbanas. Tornando ainda mais cúmplices a música e as sentenças, dos debates, das conferências e das leituras encenadas do Festival do Silêncio, reflicto o audio-livro. Desde que me elevo a ouvir o “queria de ti um país” de Mário Cesariny no cd da Assírio “os poetas, entre nós e as palavras” não questiono a distância das aromáticas e sublinháveis páginas dos amigos puros. Substituir a vastidão palpável do meu “Anjo Mudo” de Al Berto num mp3, não estará nos meus planos mais próximos. Mas porque me rendi ainda mais a Cesariny com o testemunho da Autografia – obrigada Miguel Gonçalves Mendes – tenho já biblioteca atlântica os 34 poemas gravados por Vasco Pimentel, lançado na passada sexta-feira no Goethe Institut. Também a não perder esta sexta, na caixa de música mais poderosa de Lisboa, o Concurso Poetry Slam. Uma tendência das mais excêntricas capitais do mundo, onde em três minutos de palco, os mais destemidos poetas da cidade declamam as suas poesias mais acesas.

Na mais límpida realidade do tempo
Usada também para concertos, o edifício mais antigo de Amesterdão - Oude Kerk – mostrava-me sempre a inauguração da fundação fotográfica holandesa fundada em 1955. Num edifício igualmente admirável e à beira do nosso Tejo, a 52ª edição do World Press Photo mostra-se em Lisboa, no Museu da Electricidade. A minha partilha nestas páginas – e opto por não partilhar as imagens violentas - elege as mais sublimes congelações: “Model” do italiano Giulio Di Sturco, “The Raw File” da americana Brenda Ann Kenneally, e “Noor for Positive Lives” do espanhol Pep Bonet. Muito mais que qualquer locução, uma exposição que me envolve e resgata à mais límpida realidade do tempo.