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14 novembro 2010

'talking walking sleep and dream'



'O excesso e a rapidez de informação, de comunicação, da mudez e surdez, que determinam em muitos casos a insegurança, o isolamento e a solidão modernas, alimentados pelo vício recente da navegação no ciber-espaço, estimulados também pela vivência e o stress, principalmente de quem vive nas cidades, que se agravam por uma melancolia geral instalada pela presente crise económica e financeira que vivemos no presente, conduzem-nos a estados românticos de eleição e de memória de lugares ou seres distantes e terapêuticos, em certos casos muito próximos, apaziguadores e aprazíveis, mas muitas vezes impossíveis de alcançar no momento, muitas vezes só presentes na memória, mas de forma confusa e residual. As imagens e mesmo o espírito surgem desta forma sinestésicos, entre a pulsação acelerada do ruído e da poluição da informação visual e verbal do presente que se confronta e acelera a memória desses lugares-tempos-paraísos distantes, como paisagens campestres, bosques, ou determinados valores, lugares, espaços, pessoas, geografias e mapas que nos estão no íntimo e no espírito mais próximos, mas muitas vezes distantes e interditos.

O resultado é esta sinestesia imagética e vivencial, resultantes de um certo cepticismo e descrédito e por momentos de uma certa anti-esperança, transportando-nos ao cansaço do quotidiano e também ao cansaço físico e cerebral, alimentados também pela constante negação na navegação do estado presente, também agravados pela instabilidade política. Estas arbitrariedades constantes e presentes mais nos fazem avivar a memória de lugares e momentos apetecíveis mas distantes, de outras recordações variadas, extraídas da memória, das nossas vivências, que vão desde fragmentos de simples filmes cinematográficos a registos mais personalizados, muitas vezes proibitivos e prisioneiros em sí próprios, por vezes muito próximos, não apenas na nossa memória, mas também na nossa geografia. O desgaste e o choque mental e do espírito, num confronto e luta constante entre o desejo de um mundo melhor e o stress ou as contrariedades do presente, levam-nos assim a um estado de sonolência provocado pelo cansaço acumulado, mas também nos acorda para o sonho e o desejo, por vezes do desconhecido, ou da presença de pessoas, ou de entes próximos, fazendo-nos ao mesmo tempo acordar, mergulhar e sonhar com determinadas imagens e formas de paisagens ou lugares distantes, edílicos, de lugares libertinos convidativos, de uma espécie de floresta dos sonhos, mas que muitas vezes nos são, no momento e não só, como se disse, proibidos e interditos. Os referentes imagéticos, provenientes de diversas fontes e origens, surgem assim inevitavelmente manipulados no espírito e na forma, em imagens sinestésicas onde se sobrepôem inevitáveis interferências'.

mais aqui e aqui.

13 outubro 2010

sobre a música divina de Herman Hesse



ainda sobre os Gémeos, ou sobre o privilégio dos ramos que me estendem a um ser maior,
o correr das águas, a passagem das nuvens, o sangue nas veias,
o brincar das crianças.


mais aqui.

08 setembro 2010

'Paula Rego Anos 70 e Victor Willing, Uma Retrospectiva' ou uma grande história de amor



tenho sempre receio de conhecer os génios da minha vida e confesso que gosto de me pendurar nas árvores da fantasia. no preview das duas exposições da Casa das Histórias (que inauguram amanhã) observo a generosidade da artista, que me prende à simplicidade das palavras.

e se por momentos observo as suas mãos, como quem guarda um tesouro, com o testemunho dos dias distantes da não partilha dos pincéis que os uniam, retenho-me na arte e no amor com 'A' grande, de que tanto fala.
lanço-me então mais uma vez, pela ternura, às palavras do elogio.











06 abril 2010

'how it is'



pensei nisto o dia todo. não consegui ver (hoje era o último dia) a obra do polaco Miroslaw Balka no Turbine Hall na Tate Modern em Londres (na minha opinião o melhor museu do mundo). para os que se fustigam tanto como eu, explore aqui, aqui e aqui.

16 março 2010

discurso directo



'dizia o Rilke (e sabia-o como ninguém) que é preciso ter visto bastantes cidades para escrever um único verso. Mais óbvia ainda me parece a necessidade de ter lido muitos livros. E quanto a almas e corpos...nem se fala. Mas acontece-me, não raro, que todas essas experiências se confundam: tenho desejado e amado certas cidades como se fossem mulheres, tenho "lido" certas mulheres como se fossem livros e tenho encontrado em certos livros, o caminho para algumas mulheres, o caminho para algumas cidades. Os melhores poemas resultam mesmo de toda esta confusão.'

02 março 2010

sem rede



vivo a vida sem rede e também por isso o privilégio da liberdade.
depois do preview da exposição antológica da Joana Vasconcelos e na distância dos outros media, deambulei pelas enormes divisões do Museu Berardo. a experiência extasiante de conseguir ter por dez minutos a sala dos corações independentes toda para mim (quando lá forem vão perceber porque é uma experiência extraordinária) terá sido um momento raro numa exposição que terá certamente muitos visitantes.

"sem rede" pode ser visitada até dia 18 de Maio. são quarenta obras obrigatórias, com destaque para o extasiante Jardim do Eden (percorre-lo em solidão e em silêncio foi também um privilégio), a Cinderela, Spot me (o closet dos espelhos), Spin (o secador de cabelo mais genial do Mundo) ou o Ponto de Encontro (um carrossel para experimentar e fazer amigos).
todos os dias das 10h às 19h, Sábados até às 22h, não percam e sigam o meu conselho vão a horas improváveis para terem momentos de silêncio elevados.